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Correio da Manhã

Desporto
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A noite em que Martins ligou a Luz

Resistindo à baixa de última hora de Aimar e a uma assustadora ausência nos últimos 15 minutos, o Benfica conseguiu uma vitória importante perante o Lyon (4-3). O resultado, conjugado com o empate do Schalke em Israel, faz com que a equipa dependa apenas de si para se apurar. Mas o saldo poderia ter sido muito melhor se os encarnados não tivessem desligado os motores cedo de mais.

3 de Novembro de 2010 às 00:30
Alan Kardec (à dir.) salta mais alto do que Gomis, com a ajuda de David Luiz, e faz o 1-0
Alan Kardec (à dir.) salta mais alto do que Gomis, com a ajuda de David Luiz, e faz o 1-0 FOTO: Pedro Catarino

Os três golos sofridos no fim retiram brilho a uma noite que chegou a anunciar-se perfeita, deixando os franceses com vantagem num eventual desempate. Mais importante do que isso, voltam a lançar dúvidas sobre o improvável estado de graça que a equipa parecia ter recuperado durante uma hora em que tudo correu bem. A precisar de um clique para restaurar a confiança, o Benfica abordou o jogo sob maus auspícios: a lesão de Aimar e a entrada enérgica do Lyon, traduzida em dois golos de Briand bem invalidados, faziam temer a repetição do pesadelo do Gerland.

Mas o filme inverteu-se a partir do quarto de hora: mais compacta atrás, a equipa de Jesus começava a explorar saídas rápidas, com Salvio e Coentrão a animarem a Luz.

Aos 19 minutos, um livre lateral de Carlos Martins foi concluído pela cabeça de Kardec, lançando o jogo em bases favoráveis aos encarnados. Com o médio a assumir a batuta (Salvio saltou para o onze), a equipa trocava a circulação de bola pelos contra-ataques. E foi dessa forma que chegou ao 2-0, num lance perfeito desenhado por Salvio e Martins e concluído por Coentrão.

As bolas paradas e os contra--ataques foram receita repetida na demolição dos franceses: antes do intervalo, Javi fez o terceiro, após canto de Martins, e a meio do segundo tempo Coentrão consumou a goleada, aproveitando mais um passe notável do nº 17. O estado de graça acabou aí, com as substituições a darem prioridade à gestão. Inesperadamente, o Lyon renasceu e o jogo chegou ao fim com o Benfica à deriva, com uma viagem da perfeição até ao susto.

JESUS: "FIZÉMOS 75 MINUTOS DE QUALIDADE"

"Os adeptos mereciam que acabássemos com outro brilhantismo. Nos últimos minutos só queria que o jogo acabasse", confessou Jorge Jesus após a partida. Apesar do susto, o técnico encarnado gostou da exibição. "Fizemos 75 minutos de muita qualidade. O mais importante é a vitória". Frente ao FC Porto, acredita num bom resultado: "Se pusermos o mesmo ritmo podemos ir lá vencer".

SHOW DE MARTINS E COENTRÃO

Carlos Martins - Confirmou a importância que tem na equipa e em boa hora Jesus o poupou no jogo anterior. Numa partida de capital importância para a equipa na Champions, foi ele o autor dos passes para os quatro golos.

Roberto – Não esperava, decerto, uma noite tão tranquila. Até cometer um erro fatal já nos descontos e permitir o 3º golo ao Lyon.

Maxi Pereira – O início parecia problemático, com Michel Bastos a ter muito espaço na esquerda. Corrigiu e meteu o brasileiro no bolso.

Luisão – Uma vez mais, foi a voz de comando da defesa. O bom posicionamento permitiu-o dobrar, com acerto, David Luiz e Maxi Pereira.

David Luiz – Mais sereno do que o seu companheiro do sector, mas eficiente na marcação, claudicou igualmente quando se esperava uma goleada histórica na Luz.

C. Peixoto – Continua a merecer assobios do público e teima em dar razão aos críticos. Se Sálvio confirmar o que demonstrou ontem, vai ter dificuldades em segurar o lugar.

J. García – O espanhol fez a sua melhor exibição nesta época coroada com o segundo golo.

Sálvio– Foi a grande surpresa, por dupla razão. Por ter aparecido no lugar do ‘mágico’ Aimar e pela qualidade do seu futebol, já que foi um dos melhores em campo.

F. Coentrão – Ele e Carlos Martins destroçaram os franceses. Não sabe jogar mal e a sua preponderância aumenta de jogo para jogo. A coroar a fantástica exibição, dois golos de antologia.

Saviola – Ainda não foi desta que voltou à regularidade. Está sem confiança.

Kardec – Precisa de melhorar a recepção e o passe. Mas voltou a mostrar que é um exímio cabeceador ao marcar um belo golo.

Jara – Não deu para brilharetes, pois já só dava Lyon.

Weldon – Também não deu resultado.

F. Menezes – Idem. Entrou para apanhar um valente susto.

M. UNITED VENCE COM GOLO DE BEBÉ

Bebé teve uma estreia de sonho na Liga dos Campeões. O jogador português de 20 anos marcou o terceiro golo da vitória do Man. United, na Turquia, frente ao Bursaspor (0-3). Já Nani teve uma noite infeliz. O extremo lesionou-se e foi substituído, aos 29’, por Park.

FICHA DE JOGO

Liga Campeões - 4.ª Jornada

Estádio Luz - Assistência: 35 000

BENFICA: Roberto, Maxi Pereira, Luisão, David Luiz, Fábio Coentrão, Javi García, Salvio, Carlos Martins (F. Menezes 75’), César Peixoto, Alan Kardec (Weldon 72’), Saviola (Franco Jara 70’).

Treinador: Jorge Jesus

OL. LYON: Lloris, Reveillere, Cris, Diakhaté (Gomis 59’), Lovren, Pjanic (Makoun 71’), Gonalons, Gourcuff, Michel Bastos, Pied (Lucazette 71’), Briand.

Treinador:  Claude Puel

Golos: 1-0 Kardec (19’), 2-0 Coentrão (31’), 3-0 Javi García (42’), 4-0 Coentrão (66’), 4-1 Gourcuff (74’), 4-2 Gomis (85’), 4-3 Lovren (90’ 4)

Árbitro: Craig Thomson (Escócia) 5

Disciplina: amarelos: Pjanic (22’), Lovren (24’), Luisão (24’), Saviola (60’), Roberto (90’ 1)

Classificação do jogo 7

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