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Correio da Manhã

Desporto
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A prioridade de Domingos

Marcar mais golos, mais duas dezenas deles, eis um objectivo mais simples de definir do que de concretizar

11 de Junho de 2011 às 00:00
A prioridade de Domingos
A prioridade de Domingos

O ataque e a concretização serão preocupações prioritárias no trabalho de mudança que Domingos Paciência foi convidado a realizar no Sporting. Para poder candidatar-se ao título nacional, como pretendem os dirigentes leoninos, a equipa deve melhorar em mais de 50 por cento os seus níveis de eficácia, que deixaram muito a desejar nas temporadas recentes.

No último ano, o Sporting marcou apenas 41 golos, menos 20 que o Benfica e menos 32 que o FC Porto. A bitola dos dois golos por partida, como mínimo, é imprescindível para um objectivo tão elevado como a vitória no campeonato e, no caso do Sporting, há variáveis em défice evidente, há alguns anos.

 

Em matéria de bolas paradas, uma das áreas habitualmente produtivas das equipas de Domingos, o Sporting já não atinge os 40 por cento há seis anos e nas últimas três temporadas ficou-se pela casa dos 20/24 por cento, demasiado baixa para os padrões modernos. A título de comparação, o Braga de Domingos atingiu os 42% e os 38% nas duas épocas, respectivamente.

 

Com um número de penaltis a favor sempre muito elevado, o Sporting tem uma lacuna gravíssima por preencher, a dos livres directos. Desde que o brasileiro Rochemback marcou frente ao Rio Ave, já passaram 68 jornadas da Liga sem que os leões tenham conseguido voltar a marcar de livre directo, fazendo-lhes falta um jogador como Hugo Viana ou Luís Aguiar, os especialistas ao serviço de Domingos na capital do Minho.

 

Outro handicap incrível da equipa leonina situa-se no espaço aéreo da grande área adversária. Nenhuma equipa marcou menos golos de cabeça que o Sporting na última época e essa baixa produção não foi acidental, apenas agravou a tendência que já vinha de anos passados. Porto e Benfica marcaram quatro vezes mais golos de cabeça, o Braga três vezes mais.

 

A normalização destes dois itens pode chegar para o Sporting regressar dos 2 golos por partida, mas depende de jogadores com características que não têm existido no plantel. Técnica, estatura e instinto concretizador são atributos de classe que os avançados e médios criativos dos leões não têm possuído.

 

Obviamente, não ficarão resolvidos tão simplesmente os desafios do novo Sporting, mas Domingos pode até repousar sobre a segurança defensiva se o ataque começar a render.  

VICE-CAMPEÕES DOS REMATES AOS POSTES

Na última época, o Sporting registou um enorme desperdício de oportunidades por excesso de pontaria dos seus avançados, em especial Hélder Postiga, embora a contagem de 17 remates aos postes, na Liga, ficasse abaixo dos 20 do Benfica. 

CONVERGÊNCIA TÁCTICA

Analisando a evolução táctica de Domingos nos últimos cinco anos, constata-se a convergência táctica registada recentemente, depois de José Couceiro assumir o comando técnico dos leões, evoluindo do 4x4x2 dos seus antecessores para um 4x2x3x1 mais próximo do esquema preferido por Domingos na maioria dos jogos em Braga, em especial no último ano. O novo técnico dos leões começou com o 4x3x3 em Leiria, mas depois abraçou o 4x4x2 e finalmente o 4x2x3x1 que pode ser o sistema táctico preferencial para a próxima campanha.

OBJECTIVOS PARA 2011/12

Para poder candidatar-se ao título, o Sporting precisa de marcar mais 20 golos do que nas últimas épocas, aumentando o rendimento das bolas paradas e do jogo aéreo, em que foi uma das equipas mais fracas na temporada finda. Desde a época de José Peseiro (2004-05) que não consegue chegar às seis dezenas e na última época apontou apenas 41.

TRÊS ANOS A PERDER EFICÁCIA

Nas temporadas que Domingos Paciência já leva na 1.ª Liga, desde 2006, o Sporting tem perdido eficácia na finalização, necessitando de cada vez mais oportunidades e remates para conseguir um golo. Enquanto no auge de Paulo Bento (2006/07), com Liédson em alta, bastavam sete remates à baliza para os leões poderem festejar, na temporada que terminou os valores do desperdício agravaram-se de forma inadmissível em alta competição: um golo a cada 11 remates.

DUAS ÉPOCAS SEM UM LIVRE

Nas últimas duas temporadas, o Sporting não conseguiu marcar qualquer golo de livre directo, enquanto o Braga de Domingos foi a equipa mais realizadora neste capítulo, com sete golos (4+3), com destaque para um jogador formado em Alvalade, Hugo Viana, autor de quatro.

DOIS GOLOS EM 190 CANTOS

Além do canto directo de Vukcevic frente ao Guimarães, apenas um dos 190 pontapés de canto de que o Sporting beneficiou em toda a época (por Matias Fernandez) resultou em golo. Em duas épocas, 4 golos de canto, contra 13 do Braga de Domingos.

APENAS 3 DE CABEÇA

Na última época o Sporting foi a equipa que marcou menos golos de cabeça na Liga, apenas três, dois dos quais por Hélder Postiga. Nas duas épocas coincidentes com a passagem de Domingos por Braga, os leões marcaram menos de metade dos golos de cabeça dos arsenalistas.

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