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Correio da Manhã

Desporto
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A Regionalização no Jamor

Final com Vitória de Guimarães é a sétima do FC Porto com clubes a Norte do Douro.
21 de Maio de 2011 às 00:00
Final de 1988 FCP-Guimarães
Final de 1988 FCP-Guimarães FOTO: d.r.

Na época passada eram transmontanos, amanhã serão minhotos os adversários do FC Porto na final da Taça de Portugal, cumprindo-se uma tradição cada vez mais consolidada de uma Regionalização do Jamor, virtual e fugaz, mas muito a gosto dos dirigentes portistas.

O Norte na romaria ao estádio mais emblemático do país é algo que os membros e adeptos dos clubes que raramente chegam à final muito prezam, pelo sortilégio da experiência, mas que pode ocorrer este ano pela última vez, em consequência da pressão e desdém dos responsáveis do clube mais influente.

 

 

Ao longo de décadas, os responsáveis do FC Porto têm lutado pela transferência das finais no estádio Nacional, alegando a distância que têm de percorrer e as condições antiquadas do recinto. Curiosamente, m oposição, a longa romaria a Lisboa e a experiência única de jogar num palco mítico e belo constituem os principais argumentos dos adversários, que não a trocariam por nenhum dos funcionais estádios do Euro-2004, sugeridos como alternativa.

 

A longa lista de clubes de fora das grandes cidades que têm contracenado com os dragões no palco maldito, perdendo invariavelmente, é um exemplo de descentralização proporcionado pela Taça, uma vez que nenhum deles faz deslocar tantos milhares de adeptos aos jogos regulares da Liga como os que estarão amanhã no Jamor. Porque todos querem lá estar, uma vez na vida, independentemente da quase certa derrota frente ao poderoso campeão e vencedor da Liga Europa.

 

100% VITORIOSO A NORTE DO DOURO

 

A final com o Vitória de Guimarães é a sétima que o FC Porto disputa com adversários de outras regiões a Norte do Douro, com os quais mantém um rácio 100 por cento vitorioso – uma forma bem directa e rápida de aferir o real favoritismo da equipa de Villas-Boas para amanhã. São 12 os triunfos frente a adversários de fora da capital, cujas romarias ao Jamor redundam invariavelmente em frustração desportiva.

 

 

A TRISTE SINA DO VITÓRIA

O Vitória de Guimarães apresenta-se na final pela 5.ª vez em 70 anos (3.ª no Jamor) com o complicado desafio de contrariar a sina da derrota, depois de ter sido batido por Belenenses, Boavista, Sporting e, finalmente, o FC Porto em 1988 (Germano e Rui Barros na foto). Em quatro finais, o Vitória marcou um golo e sofreu 9.

AS FINAIS PERDIDAS

Da lista das finais perdidas pelo FC Porto ressalta a dificuldade perante o adversário directo tradicional, o Benfica, o qual só conseguiu derrotar uma vez, há 53 anos, com um golo solitário de Hernâni. Frente ao Sporting somou outras duas derrotas, em quatro finais muito equilibradas, e as restantes reverteram a favor dos vizinhos Leixões e Boavista.

 

Duas grandes desilusões em casa

O FC Porto foi o único clube que teve oportunidade, em três ocasiões, de disputar a final em casa, mas em duas delas foi derrotado por Leixões e Benfica.

 

 

A TENDÊNCIA DESTE ANO

Os caprichos dos sorteios possibilitaram ao FC Porto a carreira mais fácil de que há memória para um finalista da Taça, não obstante o embate com o Benfica nas meias-finais. Antes disso, coube-lhe um roteiro muito sugestivo do ponto de vista regional, com as visitas de clubes da 3.ª (Limianos) e da 2.ª divisão (Moreirense, Juventude e Pinhalnovense), cumprindo a essência da Taça de Portugal de aproximar emblemas sem dimensão nacional.

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