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Correio da Manhã

Desporto
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Abaixo os traidores

O Sporting pretende acabar com as «suspeições» dos empréstimos de jogadores na 1.ª Liga, depois de perder a Taça de Portugal para uma equipa com dois dos seus emprestados.
7 de Julho de 2012 às 15:00
Adrien Silva venceu a Taça de Portugal ao serviço da Académica, derrotando o Sporting, clube que lhe paga o ordenado
Adrien Silva venceu a Taça de Portugal ao serviço da Académica, derrotando o Sporting, clube que lhe paga o ordenado FOTO: Hugo Correia/Reuters

A Liga decidiu proibir o empréstimo de jogadores a clubes do mesmo escalão, apesar dos riscos de aumento de desemprego e perda de competitividade entre os jogadores jovens portugueses. "Suspeição" de comportamentos ilícitos foi a justificação dada, mas sem denúncia de casos concretos.

Este impedimento terá repercussões graves nos desempenhos de alguns clubes e para os jogadores também constitui um sério revés, obrigando-os a procurar equipa de primeiro escalão no estrangeiro, uma vez que os emblemas nacionais de segunda linha não podem arcar com as responsabilidades financeiras de uma contratação efectiva.

Olhanense (18 emprestados nos últimos 3 anos), Paços de Ferreira (11), Beira-Mar (9), Setúbal (9), Académica (7) e Rio Ave (6) são exemplos de clubes que têm conseguido realizar campeonatos equilibrados graças à política de empréstimos dos três grandes e do Braga.

A surpreendente decisão da AG da Liga foi defendida por Luis Duque, dirigente do Sporting, como uma medida para aumentar a transparência da competição, dando como exemplo a Liga inglesa. Não houve, contudo, qualquer revelação de faltas de transparência nas provas anteriores, não foi conhecido qualquer estudo a justificar a alteração e, muito menos, os empréstimos são proibidos em Inglaterra – sendo fácil recordar os de grandes jogadores como Bendtner, Adebayor, Benayoun ou Bridge, entre outros, só na última época.

O que a Liga inglesa não permite é que os jogadores emprestados defrontem o clube da origem, norma que por vezes, mas de forma aleatória, tem sido praticada pelos principais emprestadores nacionais, como o FC Porto. Um estudo sumário às últimas seis temporadas revela, contudo, que os jogadores emprestados pelos dragões alinharam em 75% das partidas contra o patrão.

No entanto, em Inglaterra, a norma não se aplica em jogos de Taça, o que equivale a dizer que, à luz dessas regras, Adrien e Cedric teriam sempre podido enfrentar o Sporting na final do Jamor.


BONS FILHOS QUE NUNCA REGRESSAM A CASA

Diogo Valente, Paulo Machado, Hélder Barbosa, Bruno Gama, Ivanildo, Vieirinha, Tengarrinha, André Pinto, Ventura ou Candeias são nomes de jogadores que já atingiram um plano de relevo no futebol nacional, tendo em comum vários anos de empréstimo pelo FC Porto sem nunca conseguirem impor-se no clube.

FERNADO, A ÚLTIMA EXCEPÇÃO

Fernando é a excepção à dificuldade dos jogadores emprestados pelo FC Porto em regressar o Dragão. Longe vão tempos de Jorge Costa ou Fernando Couto a quem bastaram dois anos de estágio longe de casa.

DE EMPRESTADO A INTERNACIONAL

Um empréstimo de seis meses depois de uma longa paragem valeu a Miguel Lopes a convocatória para a selecção nacional para o Euro-2012, beneficiado por alinhar num clube nacional.

ALINHANDO PELO RIVAL

A cedência de Ruben Amorim do Benfica, fortalecendo o Braga, foi um dos empréstimos mais estranhos de sempre, ao envolver dois clubes rivais em luta pelos mesmos objectivos. 

JOGADORES EMPRESTADOS NA 1.ª LIGA

O número de jogadores emprestados entre emblemas da 1.ª Liga quase duplicou na última temporada, em relação às épocas anteriores. O FC Porto (12) mantém há vários anos cerca de uma dezena de emprestados no mesmo campeonato, enquanto Benfica (11) e Sporting (8) aumentaram para o dobro em 2011-12 os empréstimos da época anterior.

CINCO ANOS NA ESTRADA

Ukra é um dos emprestados crónicos do FC Porto, tendo totalizado cinco épocas (Varzim, Olhanense 2 e Braga 2) de tirocínio sem conseguir justificar o regresso definitivo.

VITÓRIA COM AJUDA DOS TRÊS GRANDES

A Académica conquistou a segunda Taça de Portugal da história com meia equipa de jogadores emprestados, com realce para a comparticipação dos três grandes, Sporting (Cedric e Adrien), Benfica (David Simão) e Porto (Abdoulaye). Além destes, também o brasileiro Danilo e o avançado Edinho estiveram no Jamor por cedência temporária de clubes estrangeiros.

EMPRÉSTIMO SEM MÍSTICA

O jovem paraguaio Melgarejo, primeiro jogador a conseguir marcar 10 golos numa época sob empréstimo (do Benfica ao Paços de Ferreira), configura um novo perfil: contratado e cedido, sem passar pela casa-mãe nem poder oferecer a mais-valia da formação e mística de um grande clube.

PACIÊNCIA DE SANTO DA CASA

O internacional Yazalde já conta quatro temporadas consecutivas de cedência, desde que foi contratado ao Varzim, revelando enorme paciência e profissionalismo. Totaliza 83 jogos e 19 golos sob empréstimo, integrou as selecções de esperanças, mas não consegue fazer milagres em Braga.

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