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Correio da Manhã

Desporto
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Absoluta redenção de Jesus

Jorge Jesus foi o grande triunfador da noite europeia de ontem na Luz, redimindo-se de todos os erros cometidos frente ao FC Porto, quer na abordagem ao jogo, quer nas alterações introduzidas no segundo tempo. O Zenit, defendendo à italiana a vantagem da primeira mão, foi vulgarizado.
7 de Março de 2012 às 01:00
Maxi Pereira marcou o primeiro do Benfica
Maxi Pereira marcou o primeiro do Benfica

A primeira parte foi muito complicada em termos tácticos, contra a malha apertada por Spalletti, mas o Benfica mostrou-se paciente, tranquilo e capaz de ir acelerando o jogo à medida que se implantava em terrenos mais aproximados da área russa. Sem grandes momentos e raras emoções, pela dificuldade de penetração no denso sistema do Zenit, tratou-se de um grande exercício de estratégia futebolística, que acabou por recompensar o Benfica, através da melhor jogada da partida.

Já nos descontos pelas paragens provocadas pelo antijogo russo, Witsel trocou passes com Bruno César , fez o primeiro remate contra Malafeev e depois teve a presença de espírito para tocar para Maxi, que apareceu fulgurante a apontar o seu 2º golo desta eliminatória.

O segundo tempo confirmou a superioridade encarnada e a falta de rasgo ofensivo dos russos. Jesus recuou as linhas para poder ter mais espaço para o contra-ataque e também esta estratégia resultou em pleno, com um punhado de ocasiões a serem desperdiçadas por Cardozo, em dois lances de contra-ataque, e por Jardel, nas bolas paradas. Com Nélson Oliveira para os últimos dez minutos, a agressividade ofensiva aumentou e o jovem acabou por fazer o seu baptismo de ouro no futebol internacional, dando a melhor sequência à enésima iniciativa de Bruno César, o grande trunfo de Jesus para este regresso às vitórias.

POSITIVO

Dimensão de maxi - Segundo jogo enorme de Maxi com o Zenit, inolvidável pelos dois golos apontados, mas determinante pela energia transbordante que empurrou o Benfica.

NEGATIVO

Vulgarizado - Esperava-se muito mais do Zenit, mas a equipa acusou imenso a ausência de Danny e não conseguiu realizar, nem para amostra, uma única jogada perigosa de ataque em 90'.

ÁRBITRO 

Sem apito - Às vezes dá ideia de que dirige os jogos sem apito, deixando impunes lances que estamos habituados a ver sancionados pelos portugueses. Bruno César estranhou.

BENFICA

Witsel - A ausência de Aimar libertou-o para funções ofensivas. No golo de Maxi, desmarcou Bruno César e ainda foi à área receber o passe do brasileiro. Remata contra um defesa e na recarga assiste, de calcanhar, Maxi Pereira.

Artur - Deve ter apanhado um grande susto quando decidiu fintar Zyryanov e entregar a Luisão. Os russos recuperaram a bola e teve de se aplicar para defender o remate de Shirokov.

Maxi Pereira - Subiu muito, às vezes descurando as tarefas defensivas, mas contagiou a equipa com o seu dinamismo e marcou um golo providencial.

Luisão - O Benfica teve um capitão à altura, concentrado, seguro e atento às dobras. Aos 43', tremeu num passe à queima de Artur, mas tudo se resolveu.

Jardel - Voltou a cumprir bem o seu papel de alternativa aos centrais titulares. Muito seguro.

Emerson - O mal-amado fez um jogo razoável e dos seus pés tiveram início ataques, que levaram o perigo à área do Zenit.

Javi García - Num jogo de elevado grau de risco, foi uma sombra protectora para os centrais.

Gaitán - Está sem a confiança de outros tempos. Por vezes, lá conseguiu sair bem do drible, mas a falta de confiança foi evidente.

Bruno César - Regressou à titularidade, por troca com Nolito, e foi o primeiro a dar nas vistas na equipa de Jorge Jesus. Muito buliçoso e rematador, pôs à prova os reflexos de Malafeev, aos 15 minutos, com um remate fortíssimo. Dois minutos depois, caiu na área, o árbitro nada assinalou (pareceu ter sido penálti).

Rodrigo - Peça fundamental da equipa até à lesão em São Petersburgo, ainda não voltou ao seu nível. Em dia de aniversário (21 anos), teve uma actuação esforçada, sem os rasgos que tanto desequilibravam.

Cardozo - A sua grande oportunidade surgiu aos 70', mas o desvio saiu ligeiramente ao lado; Aos 75', novo lance, com o pé direito - Malafeev defendeu.

Nolito - Entrou bem, levou muitas vezes a bola à linha de fundo, cruzando para a área. Pareceu ter sofrido penálti, mas o árbitro assim não o considerou.

Nélson Oliveira - Entrou com muita vontade de mostrar serviço e por isso mesmo mostrou sofreguidão em dois lances em que podia ter assistido companheiros mais bem colocados. Tem o faro do golo nos genes e gerou um final apoteótico com o 2-0, nos descontos.

Matic - A perder, Luciano Spalletti aumentou o poder de fogo da sua equipa e Jesus respondeu bem, alargando a cobertura defensiva à equipa.

 

 

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