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Adaptações de sucesso

Fábio Coentrão era extremo e está feito um defesa-esquerdo de luxo. Mas há mais
24 de Julho de 2010 às 00:00
Adaptações de sucesso
Adaptações de sucesso FOTO: Miguel Barreira/Record

Fábio Coentrão é o exemplo acabado de que Jesus faz milagres. O jogador, nascido nas Caxinas, não passava de uma promessa adiada como extremo-esquerdo, e o Benfica até já o tinha emprestado ao Nacional e ao Saragoça, onde foi acusado de conduta pouco profissional e de ser frequentador habitual da vida nocturna da capital de Aragão. Em Espanha, teve guia de marcha...

Aliás, a carreira de Coentrão tem um ‘antes de Jesus’ e um ‘depois de Jesus’. Adaptado perto do final do ano passado a defesa-esquerdo, devido a lesão de César Peixoto, Coentrão mostrou ter uma segunda vida no futebol.

Pegou de estaca, e a relação entre os dois foi como que uma santa aliança. Jesus insistiu em Coentrão e Coentrão insistiu em fazer grandes exibições. Tanto assim que o Benfica viu-se ‘obrigado’ a aumentar-lhe o ordenado, elevando para os 30 milhões de euros a cláusula de rescisão do esquerdino, que no último meio ano teve uma ascensão meteórica. Foi campeão nacional pelo Benfica e Jesus ‘adoptou-o’ como o menino-bonito – e não fez por menos: "Vai ser um dos melhores defesas-esquerdos do Mundo."

Coentrão retribuiu na mesma moeda. "Apanhei um treinador, o Jorge Jesus, que me fez homem e que me deu aquilo que me faltava. Estou pronto para jogar em qualquer equipa", disse antes do Mundial, onde foi, a par de Eduardo, o melhor jogador da equipa nacional, a ponto de Jesus voltar a deslumbrar-se: "Foi a revelação de Portugal no Mundial. É um lateral esquerdo de um nível muito alto."

Aquele que chegou a ter a alcunha de "Figo das Caxinas" chegou à Luz por um milhão de euros e hoje vale muito mais. O Bayern de Munique já acenou com uma oferta de 25 milhões de euros pelo canhoto, que se diz valer 30. Vieira só admite cedê-lo pelo valor da cláusula de rescisão. De ‘patinho feio’, Coentrão passou a cisne. Tem contrato com o Benfica até 2015 e foi a maior descoberta de Jesus na última época, conhecendo-se a dificuldade em descobrir bons laterais-esquerdos portugueses. É bom lembrar que, no início da época passada, o Benfica tinha contratado o argentino Shaffer para a posição, depois de perder Álvaro Pereira (FC Porto).

OUTRAS TROCAS RUMO AO ÊXITO

Bosingwa de trinco a lateral - Europeu de 2004 em Sub-21. José Bosingwa nem era opção para lateral-direito. Os donos da posição eram Miguel Garcia e Mário Sérgio. Bosingwa era médio mas percebia--se que, pela velocidade e pulmão, poderia dar um excelente lateral--direito. Co Adriaanse percebeu, Jesualdo manteve a aposta, e o Chelsea viu nele dos melhores do Mundo. Custou 20,5 milhões de euros.

Miguel fez-se lateral de luxo - Miguel não passava da cepa-torta como extremo-direito, até que Chalana, então treinador interino do Benfica, teve uma luz de inspiração. Recuou Miguel no terreno e fez dele um lateral-direito. Foi de tal modo convincente que chegou a internacional A e transferiu-se para o Valência, num processo muito pouco pacífico. Dá espectáculo.

Miguel Veloso passou a médio - No Europeu de Sub-17 ganho por Portugal em 2003, Miguel Veloso era defesa central. Fez, aliás, toda a formação no centro da defesa mas, quando passou a sénior, Paulo Bento descobriu nele virtudes para se tornar num médio defensivo de grande nível. A partir de então, chegou mesmo a internacional português. Pontualmente, já jogou também a lateral-esquerdo. É versátil.

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