Barra Cofina

Correio da Manhã

Desporto
3

ADEUS SEM SAUDADES

Com a bola nos pés, Sanchez fazia-nos sorrir. Sentado no banco só nos provocava angústia
9 de Março de 2004 às 01:39
Sanchez foi corrido do Boavista e não deixará saudades no clube. Como treinador ele foi o contrário do que chegou a ser como jogador. Onde antes oferecia risco e optimismo, passou a haver medo e depressão. Com a bola nos pés, Sanchez fazia-nos sorrir. Sentado no banco só nos provocava angústia.
Ele converteu-se numa espécie de coveiro do futebol: mal surgia no relvado – com o temível fato e gravata –, os seus avançados descobriam vocação para médios e os médios para defesas. Feitas as contas, o cinto de castidade até resultou: a seguir ao FC Porto, o Boavista é a segunda equipa menos batida, com 20 golos sofridos. O problema vem a seguir: enquanto os portistas marcaram 56 golos, os ‘axadrezados’ ficaram-se por menos de metade. É esta a diferença entre o primeiro e o sétimo classificados. Mas há outras diferenças. Por exemplo, o orçamento. Sanchez pegou na equipa quando Pacheco já não a queria – nessa altura, João Loureiro só pensava em poupar, porque tornara-se impossível suportar uma equipa tão cara (seis mil sócios são alguns milhares de sócios a menos). Foi assim que se desenhou a época 2003-2004: uma época que pedia “tempo e paciência”, como sublinhou João Loureiro no dia em que convenceu Sanchez a trocar a camisola de jogador pela de treinador. Inevitavelmente, a paciência esgotou-se. Mas esgotou-se pelos motivos errados. Bastou que Jaime Pacheco desse sinais de querer voltar para que a aposta no treinador boliviano fosse para o lixo. Será que agora podemos reaver o verdadeiro Sanchez?
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)