Tem data marcada para a próxima sexta-feira.
O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, viajou esta quarta-feira para Pequim para assistir na sexta-feira à cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno Pequim2022, afetada por um boicote diplomático de vários países.
Segundo explicou o porta-voz do secretário-geral, Farhan Haq, Guterres "considera os Jogos Olímpicos uma importante expressão de união, respeito mútuo e cooperação entre diferentes culturas, religiões e etnias".
Segundo Haq, a necessidade de "respeito pleno pelos direitos humanos" sempre foi frisada pelo máximo representante da ONU, que tem como tradição fazer-se representar na abertura de cada edição dos Jogos.
O português, de resto, quebrou-a no verão de 2021, ao não marcar presença na abertura dos Jogos de Tóquio2020, estes afetados devido à pandemia de covid-19, pelo que o secretário-geral tem comparecido, aclarou o representante na ONU, nas edições "possíveis".
Questionado pelos jornalistas, o porta-voz não confirmou se António Guterres pretendia discutir o desrespeito pelos direitos humanos na China com governantes em Pequim.
O evento arranca na sexta-feira, com a cerimónia de abertura, com os olhos postos nos abusos dos direitos humanos, em particular devido à minoria uighur.
A perseguição a esta população em Xinjiang, que os norte-americanos já qualificaram de genocídio, o tratamento dos tibetanos e a repressão de liberdades em Hong Kong são vários dos focos políticos de uma prova que, ainda antes de começar, está já envolta em polémica.
Estados Unidos e Reino Unido foram as nações mais proeminentes a anunciar um boicote diplomático, sem presença de qualquer representante nos Jogos, em particular nas cerimónias, a não ser a presença desportiva, e a estes seguiram-se muitos outros.
Canadá e a Austrália, entre outros, seguiram-se na medida de retirar a presença diplomática e política, sem prejudicar a participação dos atletas desses países, e em 19 de janeiro o Parlamento Europeu também recomendou aos Estados-membros um "boicote diplomático e político".
Também Portugal não terá representação política nas cerimónias de abertura e encerramento, "por várias razões", explicou em 24 de janeiro o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.
Desde "o momento político que se vive em Portugal" ao "sentido de unidade próprio da União Europeia" nas atuais "circunstâncias", admitindo também o peso que tem o facto de os Jogos Olímpicos de Inverno não serem, "do ponto de vista desportivo, 'o alfa e o ómega' do desporto nacional".
Os Jogos Olímpicos de Inverno Pequim2022 realizam-se de sexta-feira a 20 de fevereiro, com a participação de quase 2.900 atletas, entre eles três portugueses: Ricardo Brancal e Vanina de Oliveira Guerillot, no esqui alpino, e José Cabeça, no esqui de fundo.
SIF // NFO
Lusa/fim
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