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Correio da Manhã

Desporto

ANTÓNIO OLIVEIRA 'CONDENADO' A DEIXAR SELECÇÃO NACIONAL

Promete ser explosiva a reunião plenária da Direcção da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) que hoje tem lugar numa unidade hoteleira de Lisboa, e que contará com a presença de todo o "staff" técnico e médico que esteve no Mundial. Oliveira, em príncipio, não faltará.
19 de Junho de 2002 às 23:28
Em cima da mesa estará a análise do fracasso da selecção no campeonato do Mundo e o que fazer com o seleccionador, com o vice-presidente da FPF António Boronha e com o director-técnico Carlos Godinho. Os dois últimos colocaram os respectivos lugares à disposição, ainda em Seul, ao contrário de Oliveira, que diz querer cumprir o contrato que o liga à FPF até ao Euro'2004.


Mas é evidente que não existem condições para a continuidade do seleccionador, não só porque a opinião pública não o aceitaria, mas também porque, como o Correio da Manhã noticiou, os principais jogadores da selecção recusam-se a ser dirigidos por Oliveira.


Gilberto Madaíl encontra-se numa posição delicada e está praticamente obrigado a deixar cair o seleccionador, embora essa seja uma decisão colegial a tomar por todos os elementos da Direcção da FPF. Adivinha-se uma solução de compromisso que passe por uma saída pacífica, com Oliveira a receber apenas parte da indemnização a que teria direito (mais dois anos de contrato a três mil e 500 contos/mês).

Euro apressa solução

O ainda seleccionador está sob fogo cerrado. António Boronha, que na reunião de hoje vai apresentar um relatório exaustivo, e que promete "fazer sangue", sobre a participação portuguesa no Mundial, é um dos principais opositores de Oliveira e hoje terá oportunidade de, olhos nos olhos, dirigir-lhe as críticas que bem entender sobre o seu desempenho. Os adjuntos José Romão e Rui Caçador, que se queixam de ter sido marginalizados, bem como o director-técnico Carlos Godinho, terão também, por certo, uma palavra a dizer.


O confronto de posições antagónicas é exactamente o que Gilberto Madaíl afirma pretender desta reunião, de modo a que tudo fique clarificado e as decisões possam ser tomadas com conhecimento de todos os dados. É que só faltam dois anos para o Euro'2004 e não há muito tempo para efectuar a reestruturação que se impõe - ontem ficou agendado o primeiro encontro particular.


O nome do seleccionador que irá render Oliveira é a principal questão que neste momento se coloca. Entre os técnicos portugueses são poucos os que reúnem consenso junto daqueles que mais interessam: os jogadores. Carlos Queiroz seria porventura o único que mereceria todo esse crédito, mas o nome do professor parece descartado depois de ter sido recentemente contratado para adjunto de Alex Ferguson no Manchester United. Jaime Pacheco seria uma alternativa do agrado da opinião pública, mas levantam-se dúvidas sobre como os jogadores mais representativos da selecção receberiam a notícia. A solução parece assim passar por um técnico estrangeiro.
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