Como não há remédio, remediado está. O ditado popular assenta que nem uma luva ao que pode vir a resultar do chamado ‘Apito Final’, se fizer jurisprudência a decisão do Supremo Tribunal Administrativo, que considerou inválido o uso das transcrições das escutas telefónicas realizadas no âmbito do processo ‘Apito Dourado’ pela Comissão Disciplinar da Liga, para condenar, no ‘Apito Final’, a União de Leiria (perda de três pontos) e o seu presidente, João Bartolomeu (um ano de suspensão).
É que, mesmo que o Boavista consiga, como pretende, uma revisão da sentença do caso ‘Apito Final’, não poderá deixar de ser castigado. A descida de divisão foi consumada e, para voltar à liga principal, não tem outro remédio que não seja ganhar jogos e conseguir mais pontos do que os seus adversários na Honra.
Aliás, o Boavista pode muito bem vir a ser o único clube a sofrer castigo efectivo. Basta, para isso, que venha a ser considerada inválida a transcrição de todas as escutas, já que muita da prova para condenação de FC Porto, Pinto da Costa, Boavista, João Loureiro, União de Leiria e João Bartolomeu, foi por aí obtida.
Adelina Trindade Guedes, administradora da SAD do Boavista, disse que "o Boavista não ficou surpreendido com a decisão do Supremo", já que, em sede de recurso, alegou que as escutas telefónicas eram ilegais e inconstitucionais, e assegurou que "o clube vai, muito provavelmente, pedir uma indemnização à Liga".
DIRIGENTES E SÓCIOS FALAM DE NOVA INJUSTIÇA
"Desde o início de tudo isto que já se via que o Boavista é que ia ser o grande injustiçado." A afirmação é de José Moreira, sócio do Boavista há mais de 20 anos, e representa o sentimento que se vive no Bessa. Sócios e dirigentes falam de "nova injustiça", perante a muito provável possibilidade de os castigos do ‘Apito Final’ poderem ser reduzidos ou até anulados, com excepção do maior de todos – a despromoção dos boavisteiros à Liga de Honra. A administração da SAD vê o caminho da indemnização como única hipótese, cujo valor se recusa, para já, a revelar. No entanto, os sócios dizem que "não há nada pior do que ir ao estádio ver jogos da segunda".
FC PORTO PEDE REVISÃO
Tal como o Boavista, também o FC Porto vai requerer à Comissão Disciplinar da Liga Portuguesa de Futebol Profissional a revisão do castigo aplicado ao clube e ao seu presidente, Jorge Nuno Pinto da Costa, no âmbito do processo ‘Apito Final’.
O FC Porto foi castigado por tentativa de corrupção às equipas de arbitragem nos jogos com o Beira-Mar e Estrela da Amadora, na época 2003/2004, tendo sido punido com a perda de seis pontos, na época passada, e com uma multa de 150 mil euros.
Já o presidente dos dragões Pinto da Costa está a cumprir dois anos de suspensão e foi condenado ao pagamento de dez mil euros de multa.
Como também nestes casos muita da prova foi obtida através da transcrição de escutas do processo Apito Dourado, o FC Porto vai requerer a revisão dos castigos.
PORMENORES
PRAZO TERMINA DIA 9
O prazo para requerer revisão à Comissão Disciplinar da Liga é de seis meses sob a notificação da pena. A notificação foi a 9 de Maio, o prazo termina no dia 9 deste mês.
A. DUARTE PONDERA
Augusto Duarte, o árbitro que sofreu o maior castigo no processo "Apito Final", também pondera pedir a revisão do castigo. Fonte ligada ao árbitro de Braga assegura que "esse é um caminho".
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