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Correio da Manhã

Desporto

Aprígio Santos procura solução para sair

A Figueira da Foz viveu sábado momentos inéditos com a subida da Naval à SuperLiga pela primeira vez na história do clube. A prenda veio mesmo a calhar, pois a Naval festejava o seu 112.º aniversário.
3 de Maio de 2005 às 00:00
“Sou um homem feliz. Não foi apenas tornar o sonho em realidade, porque era muito mais do que isso. Esta era a causa da minha vida enquanto dirigente desportivo”, confessou Aprígio Santos, presidente do clube.
Com a missão cumprida, o dirigente admite agora dar o lugar a outros, mas nada está decidido. “Um trabalho como este não pode ser abandonado de ânimo leve. Tudo tem de ficar bem entregue, a Naval acima de tudo é a minha paixão”.
Actualmente, a Naval 1.º de Maio não tem uma direcção em funções, estando a ser gerida através de uma comissão directiva composta por Aprígio Santos, Joaquim Parente, José Oliveira, Adagildo Carvalho e Rui Trafaria. A comissão foi eleita em assembleia geral há cerca de dois anos, tendo na altura ficado estabelecido um prazo de um mês para a constituição formal da direcção, o que não aconteceu até ao momento. Na Figueira da Foz, Aprígio Santos é tido como o grande suporte do clube, fruto dos investimentos pessoais que tem feito na equipa. Há mesmo quem considere que a sua eventual saída significa a morte da Naval, pelo que o fantasma de um crise directiva assombra o clube neste momento histórico.
Sobre o técnico Rogério Gonçalves, também não há certezas, mas Aprígio Santos não lhe poupa elogios. “Foi o maestro que eu sempre procurei. Por mim, continuará”.
O treinador bisa a subida, pois já brilhado na época de 2000/01 levando o Varzim à Superliga. Parco em palavras, não confirmou nem desmentiu a continuidade. Preferiu enaltecer o plantel, os adeptos e os dirigentes, agradecendo o acolhimento. “Não fui eu que formei este grupo, mas fui bem recebido e deles recebi sempre a maior colaboração”, disse.
O orgulho dos jogadores, verdadeiros heróis nesta caminhada, é representado pelo capitão Fernando, há seis anos no clube. “Este é o dia mais feliz. Temos lutado muito por este desfecho e finalmente o conseguimos”, desabafou.
Reiterando o “orgulho” em liderar o plantel navalista, Fernando referiu--se a Aprígio Santos como a pedra basilar do querer e força do clube, fazendo um apelo à sua permanência. “Recuso-me a acreditar que nos queira deixar”, diz o jogador.
A subida da Naval, que não tem sede própria desde 1997, altura em que um incêndio destruiu as instalações, também foi destaca pelo presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, Duarte Silva: “Escreveu-se mais uma página brilhante na história do clube e da cidade.
NAVAL
A Naval 1.º de Maio vai estrear-se na divisão maior do futebol português na época que vem. Fundada em 1.º de Maio de 1893, por operários de condição modesta e homens ligados ao mar, é a quinta colectividade mais antiga do país. A cumprir a sétima época consecutiva na Liga de Honra, um dos momentos altos do clube teve lugar em Março de 2003, quando eliminou o Sporting, em Alvalade, nos quartos-de-final da Taça de Portugal.
Na presidência da Naval desde 1991 está o empresário Aprígio Santos, que, por mais de uma vez nos últimos anos, ameaçou abandonar o cargo, descontente com a falta de apoios.
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