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Correio da Manhã

Desporto
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Aqui está o paladino da Lei

Conforto. É esta a palavra-chave que explica os acontecimentos desportivos, e não só, desta semana que está hoje a acabar. Conforto, enfim, é o que toda a gente quer. A derrota do Benfica em Braga deixou, por exemplo, o FC Porto numa posição tão confortável na tabela que o próprio presidente do clube, de tão confortado que se sentiu, entendeu mesmo que era chegada a altura de regressar ao activo no que diz respeito ao falatório.
12 de Março de 2011 às 00:00
Aqui está o paladino da Lei
Aqui está o paladino da Lei

Enquanto o FC Porto não aumentou para um número com dois dígitos o seu avanço sobre os ainda campeões nacionais foi o jovem André Villas Boas quem se encarregou da conversa para fora e diga-se, em abono da verdade, que os seus diálogos com Jorge Jesus nunca passaram das marcas do razoável bom senso, sendo que o bom senso, como toda a gente sabe, nem sequer é um ingrediente tradicional nestas coisas da bola. Mas quer Villas Boas quer Jesus, cada um à sua moda, esmeraram-se em alimentar o incontornável conflito com as picardias que deliciam as respectivas falanges de apoio sem nunca, no entanto, se desconsiderarem gravemente ou desconsiderarem o emblema do rival.

Agora, com 11 pontos de avanço, Pinto da Costa sentiu-se, finalmente, na almejada zona de conforto que lhe permite regressar à oratória para celebrar o seu triunfo sobre a única força desportiva que em Portugal lhe faz frente e lhe faz mossa. É a luta dos “grandes”, desde há anos reduzida a dois contendores visto que o Sporting abdicou do seu protagonismo em função de um consentimento tácito com tudo o que venha do Dragão desde que o Dragão garanta ao Sporting que é capaz de fazer mossa ao Benfica e não o deixar ser campeão.


O Sporting sentiu-se confortável nos quatro anos a fio em que foi segundo classificado no campeonato com o FC Porto campeão. E sente-se altamente desconfortável de há duas épocas para cá porque ficou e vai ficar atrás do Benfica. A situação é esta e não há volta a dar-lhe. O desconforto é Alvalade é de tal monta que a situação vai ter de ser resolvida em eleições. E assim se explica, também, o paliativo de conforto que a vitória do Sporting de Braga provocou no Sporting da Segunda Circular ao ver o FC Porto fugir para o título. Foi, naturalmente, um grande alívio.

Mas voltemos ao conforto no Dragão tão eloquentemente expresso pelo seu presidente ao ponto de proferir uma frase que é, toda ela, um hino aos tribunais civis e desportivos em Portugal: “O Benfica pensa que está acima da Lei”, disse Pinto da Costa inspirado pela vitória do “Braguinha”, como se lhe referia uma visita de sua casa, o ex-árbitro Augusto Duarte.

E inspirado, também, pelo incomensurável conforto de ter por certo e sabido, este grande paladino da Lei, que, se lhe aprouver, pode continuar a desempenhar o papel de amável e desinteressado anfitrião e a oferecer cafezinhos a todos os árbitros da nossa Liga.

ERRAR É HUMANO

Falta a homenagem de Lourenço Pinto

Olegário Benquerença, a abrir, em Guimarães e Carlos Xistra, a fechar, em Braga arrumaram com o Benfica neste campeonato. Ambos tiveram o mesmo assistente, José Cardinal, nas  respectivas ocasiões. Este José Cardinal é muito mais do que um simples Cardinal. Deveria, aliás, chamar-se José Cardeal, que é nome melhor benzido, enfim, mais do agrado papal. O futebol português, aliás, dá-se muito bem com estas nomenclaturas e é assim mesmo que se dá ao respeito.

Também houve demérito do Benfica na derrota em Braga mas não se podia exigir contínuos milagres de fé e de empenho aos jogadores de Jesus. Contra o Sporting, contra o FC Porto, o Benfica também sofreu arbitragens hostis, expulsões mirabolantes, e acabou por ganhar esses dois jogos. Em Braga, talvez por cansaço, o Benfica não conseguiu ganhar ao Sporting de Braga e ao árbitro, como o fizera – tão bem! – contra o Sporting, para o campeonato, e contra o FC Porto, para a Taça de Portugal.


As lamúrias dos vencidos nunca os engrandecem. Por isso mesmo, cabe agora ao Benfica, afastado do título, reerguer-se e fazer o melhor que puder. E se, em vez de chorar, quiser levar isto para a brincadeira o que tem a fazer é questionar, com carácter de urgência, o presidente da Associação de Futebol do Porto sobre a data em que decorrerá a homenagem a Carlos Xistra. Sim, porque um Xistra não é menos do que um Benquerença. E já tivemos, este campeonato, um Benquerença homenageado pela AF Porto logo, mas logo a seguir à sua actuação no tal Vitória de Guimarães-Benfica...

POSITIVO

Guarín marca

O FC Porto passou uns maus primeiros 45 minutos em Moscovo e muito lhe valeu o seu guarda-redes Helton. Mas, a vinte minutos do fim, o colombiano Freddy Guarín assinou um golaço que coloca a eliminatória a pender para o Dragão.

Alan não falha

Mas o que é que o Raul Meireles anda a fazer nesta equipazinha do Liverpool? Quase parece desperdício de talento nacional. Quem não  desperdiçou foi o brasileiro Alan, chamado a converter a grande penalidade e a estabelecer o promissor resultado..

Super Maxi

Quando as coisas pareciam muito mal encaminhadas para o Benfica foi Maxi Pereira quem pegou na equipa e a arrastou para a frente. Não contente com isso, ainda marcou o golo do empate numa magnífica e inesperada “canhotada”.

PÉROLA

"Não sou especialista em bruxarias", Pinto da Costa

O presidente do FC Porto não foi mentiroso. Na verdade, à luz da ciência, ninguém pode ser especialista em bruxarias. Nem sequer o Papa. Mas, até neste caso paranormal, há quem possa contestar Pinto da Costa. Delane Vieira, por exemplo, empresário, parapsicólogo e bruxo com muito orgulho. E com excelente memória também.

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