Barra Cofina

Correio da Manhã

Desporto
5

Árbitro e dirigentes apostam no silêncio

Os dois dirigentes do Sp. de Lamego – Rodrigo Guedes e Jerónimo Medeiros – e o árbitro Fernando Dias, da Associação de Futebol de Viseu, anteontem detidos em flagrante quando transaccionavam dinheiro, vão aguardar o desenvolvimento do processo em liberdade, sujeitos ao termo de identidade e residência. O mesmo já tinha sucedido ao outro árbitro, José Cunha, que também foi apanhado na mesma operação realizada pela PSP de Viseu.
18 de Novembro de 2007 às 00:00
O árbitro Fernando Dias vai para casa com o termo de identidade e residência
O árbitro Fernando Dias vai para casa com o termo de identidade e residência FOTO: Nuno André Ferreira
A Polícia Judiciária vai continuar as investigações de um caso que pode abalar o futebol regional, porque há suspeitas de mais agentes desportivos envolvidos noutras situações que configuram crime de corrupção desportiva. No centro da polémica surge o Lamego, clube classificado em primeiro lugar e que pode ter beneficiado de favores de árbitros. Uma situação não muito diferente do ‘Apito Dourado’ que também se iniciou pela investigação das divisões menores do futebol.
Os três suspeitos foram ontem levados pela PJ ao juiz do Tribunal de Tondela, às 09h30. Segundo o CM apurou, o árbitro e os dois dirigentes não prestaram declarações sobre o caso, tendo a defesa apostado num pacto de silêncio. No final do interrogatório, Silvestre Conde, advogado dos dirigentes do Sp. Lamego, considerou que este caso “foi muito enfatizado” e fruto de “muita especulação”, salientando que a acusação “não tem qualquer relevância jurídica/penal”.
Tal como já tinha sucedido ao árbitro José Cunha, os arguidos ficaram proibidos de contactar com qualquer agente desportivo e frequentar espaços ligados ao futebol.
FUGIRAM DOS JORNALISTAS
Depois de anteontem terem entrado no tribunal sem esconder os rostos, um dos dirigentes e o árbitro Fernando Dias ouvidos ontem saíram apressadamente à hora de almoço pela porta das traseiras. Apenas Rodrigues Guedes não fugiu, mas recusou prestar declarações.
Poucos também resistiram à demora dos interrogatórios, mantendo-se apenas à porta do tribunal para saber o que aconteceria aos dirigentes e árbitros. Mesmo assim, desvalorizavam as acusações, numa altura em que a lei penal agravou os crimes de corrupção desportiva.
Recorde-se assim que a nova lei estipula penas acessórias, como a suspensão da participação em competição desportiva e a perda do direito a subsídios até um máximo de cinco anos. De entre as novidades, realça-se ainda a responsabilidade das pessoas colectivas e entidades equiparadas que passam a responder pela prática dos crimes previstos no âmbito da actividade desportiva.
PRESIDENTE DO LAMEGO CRITICA OPERAÇÃO
O presidente do Sporting Clube de Lamego, Amândio Fonseca, que é ao mesmo tempo vice-presidente da autarquia, está convencido de que foi a inveja entre árbitros da Associação de Futebol de Viseu (AFV) que levou à detenção de dois dirigentes do clube.
Em declarações à agência Lusa, Amândio Fonseca manifestou confiança na conduta de Rodrigo Guedes e Jerónimo Medeiros, ambos dirigentes do Lamego. “As detenções ficaram a dever-se à inveja que os árbitros da AFV têm uns dos outros”, disse, recusando os actos de corrupção: “Subornos a árbitros da AFV não pode haver, porque os clubes nem têm dinheiro para mandar tocar um cego”.
Sobre a transacção monetária, Amândio Fonseca justifica com o negócio de um dos detidos: “Foi para pagar peças de carros”.
PS PEDE DEMISSÃO DE AUTARCA
“Demissão imediata da vice-presidência da Câmara”. É a exigência que o PS de Lamego fez ontem, através de comunicado, a Amândio Fonseca, que acumula o cargo autárquico com a presidência do Sporting local. Segundo os socialistas, o dirigente deveria ter garantido “a preservação do bom nome de Lamego” e que agora “não se pode desresponsabilizar”.
O comunicado do PS aponta também baterias ao edil Francisco Lopes, exigindo que este garanta que os 50 mil euros entregues, esta semana, ao Sporting de Lamego, não tenham “servido para a prática de eventuais acções ilícitas, isto é, que não foram utilizados dinheiros públicos para actos de corrupção”.
CAMPEONATO PROSSEGUE HOJE
“INOCENTE”
A esposa do árbitro José Cunha, apanhado a receber 250 euros de um dirigente do Campia, referiu que o marido está “inocente” e de “consciência tranquila”. “A verdade vai ser apurada”, diz.
CAMPEONATO
José Ferreira, presidente da Associação de Futebol de Viseu, afirma que o campeonato da Divisão de Honra prossegue hoje “com toda a normalidade”. O jogo Lamego-Cinfães domina as atenções.
IRRADIADOS
João Caiado, presidente do Conselho de Arbitragem da AFV, referiu que enquanto estiver naquela função os dois árbitros suspeitos de corrupção - José Cunha e Fernando Dias - “não apitam mais”.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)