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Atirem-lhes o Henry

Vinte anos depois, o Benfica vai voltar a Marselha. Muita coisa mudou entretanto, pudera. Bernard Tapie já não é o presidente do O.M. e Mozer, que então jogava pelos campeões franceses, pode – e vai com certeza – torcer pelo Benfica.
27 de Fevereiro de 2010 às 00:00
Atirem-lhes o Henry
Atirem-lhes o Henry

Vinte anos depois, o Benfica vai voltar a Marselha. Muita coisa mudou entretanto, pudera. Bernard Tapie já não é o presidente do O.M. e Mozer, que então jogava pelos campeões franceses, pode – e vai com certeza – torcer pelo Benfica. Sven-Goran Eriksson já não é o treinador do Benfica, lugar actualmente ocupado por Jorge Jesus, que há 20 anos era o treinador do Amora.

Nestes reencontros, quando o passado fez História, a Comunicação Social, por muito criativa que seja, não tem muito por onde escolher. Sendo assim, no momento do novo confronto, é de prever que os jornalistas portugueses e franceses procurem Mozer porque jogou pelos dois emblemas e que procurem Vata porque marcou com a mão direita, no Estádio da Luz, o golo que valeu ao Benfica a qualificação para a final da Taça dos Campeões Europeus, como se chamava em 1989/90 a actual Liga dos Campeões, ou a ‘Champions’ para quem gosta de armar ao pingarelho e falar em estrangeiro.

Não há muito a dizer sobre a mão de Vata. Foi mão, mesmo. Nem sequer foi um lance polémico, porque seria preciso uma dose muito grande de criatividade para o ver de outra maneira.

Mas, felizmente, há sempre artistas, e desse tempo, em termos de criatividade – e da enorme –, só ouvi o cineasta João César Monteiro explicar que não tinha sido com a mão, não senhores, tinha sido com o "antebraço", o que é uma coisa completamente diferente.

Por estes dias, em que se confirmou o reencontro Benfica-Marselha, agora a contar para a nova Liga Europa, muitos foram os adversários caseiros do Benfica, portistas e sportinguistas, a relembrar com grande impulso a necessidade de vingança do golo de Vata com o "antebraço". De repente, deu--lhes para simpatizar com a causa francesa, o que se compreende.

É tudo e sempre uma questão de conversa. E a conversar não há quem nos meta medo. Até porque, bem recentemente, tivemos um grande aliado que nos serve, perfeitamente, para a réplica, que não pode deixar de ser dada – e quanto mais depressa melhor. Não venham os franceses, armados em santinhos, falar-nos da mão do grande Vata. Venham antes os irlandeses, afastados da fase final do Campeonato do Mundo pela mão esquerda de Thierry Henry, que colocou a França na África do Sul no jogo decisivo dos play-off.

E foi mesmo mão, nem sequer foi "antebraço", o que dava outra dignidade à coisa.

ERRAR É HUMANO

O IMPORTANTE É QUE NÃO CHOVA

Duas más notícias para o Benfica na semana que antecede a deslocação do líder do Campeonato a Matosinhos, para defrontar a equipa do Leixões. A primeira é que Javi García não actua porque a Liga confirmou a suspensão de dois jogos do internacional espanhol. A segunda é que, não jogando Javi García, vai jogar Lucílio Baptista. Sim, porque os árbitros também jogam. Sem eles seria o caos, como é facilmente compreensível. Numa contenda, é sempre preciso alguém que meta ordem e que faça respeitar a Lei.

A nomeação de Lucílio Baptista para o Leixões-Benfica é mais um desaforo de Vítor Pereira, presidente do Conselho de Arbitragem da Liga, que ao longo desta temporada muito tem puxado o lustro aos seus galões de brincalhão.

Muito vai ter o Benfica de pedalar para levar de vencida o reanimado Leixões e o desanimado Lucílio Baptista, que em final de carreira e depois de uma carreira inteira a prejudicar involuntariamente o Benfica, tem agora de provar, até ao final da temporada, que não é benfiquista "desde pequenino" e que aquela grande-penalidade assinalada contra o Sporting na última final da Taça da Liga não foi uma profissão de fé, coisa do domínio religioso, antes um acto falhado, coisa do domínio da psiquiatria.

Árdua tarefa vai ter o Benfica pela frente em Matosinhos nesta noite. Mas o importante é que não chova.

POSITIVO E NEGATIVO

POSITIVO

JESUS PREGA

O futebol português anda marcado por vegetais. Já tivemos a época da "fruta para dormir", agora estamos num regime mais dietético. Jesus diz que os seus jogadores estão "frescos como alfaces". E provou-o. 

JESUALDO REGA

Jesualdo Ferreira está em alta. Numa semana venceu os dois Arsenais, o de Londres e o do Minho. Embalado, tem vindo a regar, como flores de estufa, os suspensos Hulk e Sapunaru, em nome da coesão do grupo. 

NEGATIVO

DOMINGOS ESCORREGA

O Braga, no Dragão, foi mais o de Paciência do que o de Domingos. Foi com grande paciência que Domingos encarou o sonoro tropeção. E fez bem em não reclamar um penálti. Numa goleada nada mais há a lamentar.

A PÉROLA

"SEM ELE O REAL MADRID É UMA PASTILHA PARA DORMIR", Bernd Schuster

"Ele" é Cristiano Ronaldo. Bernd Schuster, antigo internacional alemão, foi um grande jogador do Barcelona em tempos idos e um infeliz treinador do Real Madrid. É justa a sua análise sobre o peso do português em Chamartin. Sem Ronaldo, Pellegrini estaria metido num sarilho ainda maior.

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