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Correio da Manhã

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Azevedo Duarte interrogado

Azevedo Duarte foi ontem à noite interrogado pela juíza de instrução do Tribunal de Gondomar. O ex-árbitro de Braga, que actualmente integra o Conselho de Arbitragem da FPF, chegou ao tribunal pelas 15 horas, mas só começou a ser ouvido cerca das 22 horas.
3 de Fevereiro de 2005 às 00:00
Antes de Azevedo Duarte foram ouvidos dois outros jovens árbitros. Ainda que sem confirmação oficial, tratar-se-ão de Pedro Macedo, de Amarante, assistente do árbitro Pedro Sanhudo – indiciado em Abril –, e Ricardo Fonseca Pinto, dos distritais da Associação de Futebol do Porto. Ambos prestaram depoimento à juíza Ana Cláudia Nogueira, tendo abandonado o tribunal pela 22h30, nos carros dos respectivos advogados. O TIC não emitiu qualquer comunicado que confirmasse a sua condição de arguidos.
Entretanto, durante a tarde de ontem, estiveram a prestar depoimentos à Polícia Judiciária do Porto, Martins dos Santos, que na época passada abandonou a arbitragem por limite de idade, e o funcionário da Liga Carlos Pinto. Ambos terão elucidado os investigadores de metodologias referentes à arbitragem e suas classificações. Abandonaram as instalações da PJ ao fim da tarde, e apenas Martins dos Santos referiu laconicamente que “não está autorizado a prestar declarações públicas”.
Azevedo Duarte, que esteve acompanhado pelo seu advogado Marcelino Pires, só terá abandonado Gondomar pela madrugada.
Recorde-se que Azevedo Duarte não tinha ainda sido inquirido apesar da busca domiciliária de que foi alvo em Abril passado. Já o seu filho Augusto Duarte foi indiciado por corrupção desportiva passiva em inícios de Dezembro.
Um seu outro filho, Hernâni Duarte, também árbitro, apareceu colateralmente no processo ‘Apito Dourado’ por ter recebido um telefonema do empresário António Araújo, onde solicitava uma “atençãozinha” para o jogo que ia apitar, e em que participava o seu filho, júnior do Leixões.
INQUIRIÇÃO NOVE MESES APÓS BUSCA
António Azevedo Duarte compareceu no Tribunal de Gondomar decorridos mais de nove meses após a busca domiciliária de que foi alvo. De facto, a residência de Azevedo Duarte, em Maximinos, Braga, foi uma das 18 efectuadas pela Polícia Judiciária a 20 de Abril de 2004, que resultaram na constituição dos primeiros 16 arguidos do caso ‘Apito Dourado’.
Um tanto surpreendentemente, Azevedo Duarte não foi, então, sequer interrogado pela juíza de instrução. Daí que tenha continuado a exercer as suas funções no Conselho de Arbitragem da FPF. Mais, Azevedo Duarte foi mesmo promovido a vice-presidente interino daquele órgão, cooptação ditada pelo impedimento de cinco dos sete elementos indiciados por corrupção desportiva passiva naquele processo – Pinto de Sousa, António Henriques, Luís Nunes, Francisco Costa, e Carlos Silva.
Já nos primeiros dias de Dezembro, na segunda vaga do ‘Apito Dourado’, foi a vez do seu filho, o árbitro Augusto Duarte, ser constituído arguido, condição que o impediu de arbitrar o jogo Académica-Sporting para o qual estava escalado. Augusto Duarte está indiciado por três crimes de corrupção desportiva passiva.
AZEVEDO DUARTE
Vogal do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol e pai do árbitro de 1.ª catego-ria com o mesmo nome, Azevedo Duarte estava a ser ouvido ontem à noite no Tribunal de Gondomar. Já tinha, no início do processo, havido uma busca a sua casa.
MARTINS DOS SANTOS
Terminou a sua carreira de árbitro no final da época passada, na qual nunca chegou a internacional muito por influência de Pinto de Sousa, um dos arguidos principais do ‘Apito Dourado’. Ontem foi ouvido na PJ, juntamente com o filho Daniel, também árbitro.
PINTO DA COSTA
O presidente do FC Porto já pode falar com o administrador da SAD portista Adelino Caldeira. Foi após recurso do advogado de Pinto da Costa, Gil Moreira dos Santos, que anteontem a juíza Ana Cláudia Nogueira revogou as proibições de contactos.
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