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Correio da Manhã

Desporto
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Benfica de voo curto empata com o Arsenal

Pizzi ainda colocou o Benfica em vantagem num penálti, mas os encarnados permitiram a igualdade dois minutos depois por Saka.
Mário Figueiredo 19 de Fevereiro de 2021 às 01:30
O Benfica empatou esta quinta-feira com o Arsenal (1-1) e comprometeu a passagem aos oitavos de final da Liga Europa. A águia ainda voou com um penálti de Pizzi, mas deixou-se empatar dois minutos depois por Saka, num jogo realizado em Roma.

Jesus jogou o seu ‘joker’ ao estrear o defesa central Lucas Veríssimo num novo sistema. Optou por 3x5x2. Mexeu em três jogadores face ao inesperado empate com o Moreirense (1-1). Saíram Rafa, Everton e Seferovic e entraram, além do brasileiro, Waldschimidt e Pizzi.

E o Benfica até revelou solidez defensiva, embora travando a custo a avalanche ofensiva do Arsenal, onde Saka e Aubameyang eram os mais perigosos. As águias foram obrigadas a encolherem-se e relegadas para tarefas defensivas. A manta era curta e as dificuldades em chegar à frente enormes.

Na defesa, brilhava Vertonghen. Cortes para todos os gostos. Era o mais certinho dos centrais. Veríssimo aguentava-se como podia e Otamendi revelava precipitação ao falhar um corte ,valendo-lhe a atenção de Helton Leite, que saiu da área e cortou a bola com a cabeça.

Houve sempre mais Arsenal na primeira parte. Aubameyang falhou um golo à boca da baliza após um cruzamento de Bellerin. E Saka viu um remate forte ser encaixado pelo guarda-redes encarnado.

A águia foi tímida no ataque. O primeiro remate enquadrado com a baliza surgiu apenas à meia-hora por Darwin. O guarda redes Leno segurou em dois tempos. E o Benfica apareceu com este remate. Tem ainda ao cair do pano da primeira metade uma boa iniciativa de Grimaldo, mas o espanhol, apesar de estar em boa posição para rematar, optou pelo cruzamento que foi facilmente anulado pelos defesas arsenalistas.

Na etapa complementar, Jesus trocou Waldschmidt por Rafa e o Benfica ficou melhor e com mais mobilidade. Diogo Gonçalves fez um cruzamento e a bola bateu no braço de Smith-Rowe. Pizzi não perdoou no penálti. O Benfica nem teve tempo para festejar. Acordou o ‘monstro’ e permitiu o empate dois minutos depois por Saka, após assistência do português Cédric. Rafa quase marcava e Aubameyang também esteve próximo da reviravolta. Um empate que complica as contas para a segunda mão, em Atenas, no dia 25, mas não retira a ambição à equipa de Jorge Jesus na Europa.

"Grande resultado era ganhar o jogo"
"Grande resultado era ganhar o jogo. Foi pena não termos conseguido vencer, porque marcámos primeiro. A equipa não anda com sorte e é importante ter um pouquinho de sorte", afirmou ontem Jorge Jesus. O treinador do Benfica, durante a flash interview, protestou com o ruído que alguns membros da organização faziam e afirmou: "Assim não falo" e "Take it easy" (tenham calma).

Relativamente ao impacto de jogar fora de portas, o técnico das águias disse: "Jogamos em Itália em campo neutro e vamos fazer o mesmo na Grécia, é igual. Está tudo em aberto. Acreditamos que podemos passar esta eliminatória, mas temos a noção de que o Arsenal é uma grande equipa, com grandes jogadores."

Lucas Veríssimo estreou-se com a camisola encarnada e a sua exibição não passou despercebida. "No primeiro jogo que fez pelo Benfica demonstrou que é um jogador de qualidade e que podemos contar com ele," concluiu Jesus.

Rafa dá nova cara à equipa em Roma
o Helton Leite – Um saída com a cabeça fora da área e duas defesas importantes. Seguríssimo.
o Lucas Veríssimo – Algumas dificuldades iniciais. Depois subiu de nível, fez um grande corte, antes das cãibras.
o Otamendi – Pronto socorro. Varreu tudo o que tinha para varrer. Por pouco não cortava a bola que deu o 1-1.
o Vertonghen – Menos exuberante, mas competente na sua ação no eixo central e nas dobras a Grimaldo.
o Diogo Gonçalves – O empate surgiu na sua zona de ação, mas isso não apaga a exibição positiva. Ganhou o penálti.
o Rafa - Entrou a todo o gás e o Benfica mudou para melhor. Esteve no lance que deu o penálti para as águias e teve um remate fantástico que Leno defendeu. Velocidade que equilibrou o jogo.
o Grimaldo – Dificuldades a defender. Boa hipótese a terminar o primeiro tempo. Recompôs-se após o intervalo.
o Weigl –Ação importante para travar o miolo rival. Muita luta e muitos cortes.
o Taarabt – Não foi o elo de ligação com o ataque que Jorge Jesus pretendia.
o Pizzi – Correu muito, mas teve pouca bola. Mostrou frieza no penálti.
o Waldschmidt – Pouca acerto. Primeiro a ser sacrificado.
o Darwin – Desamparado, foi quase sempre presa fácil.
o Seferovic – Lutou.
o Everton – Perto do golo num remate perigoso.
o Gabriel – Ajudou no miolo.
o Chiquinho – refrescou.

ANÁLISE
+ Lucas Veríssimo afinado
Não foi o melhor em campo, nem tão pouco do Benfica. Estreou-se na equipa e no sistema de três centrais. Não comprometeu e as águias colocaram por oito vezes os arsenalistas em fora de jogo. Jogou simples e sem complicar. Saiu exausto.

- Sucumbir à pressão
O Benfica sentiu sempre grandes dificuldades para sair para o ataque. Mas, quando marcou o golo, não resistiu à pressão do adversário e permitiu o empate dois minutos depois. Faltou consistência e experiência para colocar gelo na partida.

Arbitragem segura
O árbitro turco pecou no capítulo disciplinar ao adotar um critério tipicamente inglês. Deixou jogar, mesmo quando as faltas aqueceram. Bem ao assinalar o penálti a favor do Benfica e a validar o golo de Saka, que estava atrás da linha da bola.
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