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Correio da Manhã

Desporto
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Benfica e FC Porto partem em vantagem

Jorge Jesus já não é um Dom Sebastião inquestionável.
17 de Agosto de 2013 às 15:00

No futebol só se recordam os vencedores. Quem empata ou quem fica em segundo lugar é colocado no esquecimento.

No final da temporada interessa é ser campeão. Líder político e militar, Napoleão Bonaparte sabia do que falava: “o melhor orador é o triunfo”.

A poucas horas do início da Liga 2013/2014, há muitos candidatos a melhor orador da temporada. Mas só dois parecem ter as armas para cumprir a obrigação que os adeptos esperam impacientes: ganhar. Paulo Fonseca e Jorge Jesus, à frente de FC Porto e Benfica, são os dois galos que querem o único lugar disponível no poleiro. Veremos quem cantará mais alto.

Sporting ou Sporting de Braga jogam com trunfos menores e, por isso, cantam mais fino. Se conseguirem colocar em causa a hegemonia previsível de dragões e águias será um feito inesperado.

FC Porto e Benfica são os favoritos. Treinado por um Paulo Fonseca que quer confirmar as esperanças que se depositaram na sua capacidade de liderança, o FC Porto, apesar da saída do nuclear João Moutinho e de James, continua uma máquina de futebol. E Quintero promete ser uma opção muito prometedora. Precisa que nas semanas que faltam para o final do período de transferências, Jackson Martinez ou Fernando não debandem. Ainda assim os dragões continuam compactos. Já o Benfica, muito débil na pré-temporada, poderá sofrer mais se saírem Matic, Sálvio ou Garay. E Cardozo, é claro. A defesa está intranquila, o ataque deixou de ser uma ceifeira-debulhadora. As incógnitas são mais do que certezas. Mas o que treme no Benfica é a liderança: Jorge Jesus já não é um Dom Sebastião inquestionável. Não trouxe as vitórias prometidas aos adeptos.

Cada jogo será uma final. Cada adepto terá um lenço branco no bolso à espera de ser usado. É por isso que este ano as primeiras três jornadas poderão mostrar o que separa efectivamente o FC Porto e o Benfica, para lá da “telenovela Cardozo”, versão futebolística da interminável “Dancin’Days”, ou do concurso para a aquisição de Jackson. São dois modelos de liderança que vão entrar em choque. E, claramente, Paulo Fonseca tem um discurso seguro e coerente, de vencedor. Ao contrário do de Jorge Jesus, sempre aos solavancos. Igual à das exibições de pré-temporada do Benfica.

 

A revolta de Rolando

De líder da defesa a pária no FC Porto

Um sinal do desvario que reina no futebol português foi a forma como desaproveitou Rolando. Defesa cal mo e quase intransponível, capitão do FC Porto, presença certa na selecção, foi colocado num quarto escuro. E fechado a sete chaves. Pelo seu clube, que nem o vendeu para rentabilizar, nem o reintegrou. Colocou-o à margem. Quando se fala de casos como o de Bruma ou de Cardozo, é importante lembrar o de Rolando. Que foi tratado como um pária. O FC Porto resolve as suas questões sem agitação da comunicação social. Mas o caso de Rolando é diferente. Nunca se percebeu porque caiu em desgraça. Agora emprestado ao Inter de Milão, veio fazer as contas com o passado recente: “Algumas pessoas tentaram fazer-me a vida negra”. Falou de Vítor Pereira, que ganhou campeonatos mas nunca foi muito considerado como treinador pelos adeptos, e do poderoso Antero Henrique. Mas soube ressalvar Pinto da Costa, que o “ajudou” porque “sentia” o que se passava. É duvidoso que o presidente do FC Porto permitisse a forma como foi tratado Rolando se fosse contra ela. Mas é nestes momentos que se vê o respeito de um presidente como contraponto ao que fazem os seus subordinados. Ele, com a sua autoridade, surge como aquele que concilia e sara algumas feridas. Rolando parte amargurado para o Inter. Mas sai em busca do oxigénio que precisa para viver.

SOBE E DESCE

+ Licá letal

O extremo do FC Porto está a ter um início de temporada fulgurante. Poderá vir a ser uma das confirmações desta Liga.

+ Classe de Montero

Ainda faltam algumas coisas ao jogador do Sporting para ser um elemento que desequilibra totalmente nos momentos cruciais de um jogo. Mas tem talento e vontade.

- Escolha de Bento

Varela, um extremo, está lesionado e Paulo Bento, para o seu lugar, chama Josué, um médio criativo. Há lógica na decisão?

APANHA-BOLAS

“Não sei se o pedido de desculpas de Cardozo é estratégico”.

José Peseiro

Não é. Quanto muito é táctico. Se houvesse estratégia o caso tinha sido resolvido no dia a seguir ao empurrão.

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