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Correio da Manhã

Desporto
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BENFICA MOSTRA CARA: TERCEIRA LINHA EUROPEIA

Promessas, promessas. É nisso que Luís Filipe Vieira tem sido bom. Promessas e declarações de intenção ditas com o ar grave e sério que fica bem aos homens que passam a vida a lembrar aos outros que são sérios e honestos e que subiram na vida a pulso. Quanto a resultados, é o que se vê.
28 de Agosto de 2004 às 00:00
O Benfica que falhou estrondosamente o acesso à Liga dos Campeões em Bruxelas (0-3) depois de ter perdido a Supertaça nacional para um sub-Porto (0-1) é o mesmo Benfica dos últimos anos: uma equipa cinzentona, da terceira linha europeia, que parece marcada pelo ferrete do insucesso.
Há ali um conformismo, uma falta de fibra, uma facilidade de aceitação da adversidade – e da derrota – que não se compreende. E que é um insulto ao historial do clube. Pelo que se tem visto, este Benfica pode aspirar a um ou outro brilharete doméstico, provavelmente com o mesmo aspecto de ‘casualidade’ que marcou a vitória na última Taça de Portugal (já para não falar no 2.º lugar que lhe caiu do céu, via Geovanni, na última Superliga).
Quanto a nível europeu estamos conversados. O Benfica, que foi durante três décadas (60, 70 e 80) um colosso internacional, provou em Bruxelas que continua a anos luz das grandes equipas continentais (a começar logo pelo Porto), quer em termos de plantel, quer em termos de carácter. Camacho – um ganhador – disfarçou muita coisa, mas fartou-se de protestar contra certas carências, lembram-se?
O tal problema dos ovos e das omoletas que a direcção de LFV não consegue resolver e vai adiando com contratações de segunda linha. Falta o dinheiro, já sabemos. Pois já vai sendo tempo de dizer que também falta a LFV, além de carisma, um pouco de ousadia, de coragem, de capacidade de correr riscos, de ‘sagesse’, da tal visão estratégica que distingue os verdadeiros líderes dos homens que subiram na vida a pulso e que são muito sérios e honestos.
A ideia que tenho de LFV é a de um homem que gasta demasiado tempo a fazer declarações de princípio. Talvez para esconjurar traumas do passado recente, LFV, quando se refere a esta direcção do Benfica, insiste muito em palavras como “seriedade”, “ética”, “princípios” e “honradez”, como se fosse credor de algum aplauso por isso, como se esse não fosse o comportamento que se espera de pessoas (e de uma instituição) de bem. E depois também insiste num estribilho fácil – o “Benfica será o que os benfiquistas quiserem que seja” – , como se não fosse ele o homem de quem se espera o golpe de asa para inverter esta odisseia de insucessos e decepções que ameaça eternizar-se – também com ele – ano após ano.
O que os benfiquistas querem, presumo, é que o Benfica tenha uma equipa que vença jogos e títulos e que o clube recupere a vocação ganhadora há muito perdida. Lembro este ‘detalhe’: há um ano o Benfica tinha três jogadores de qualidade indiscutível – Simão, Miguel e Tiago. Se Miguel também for vendido sobra Simão...
Palavras leva-as o vento.
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