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Correio da Manhã

Desporto
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Benfica não te iludas pois Penafiel há só um

Frente a um Penafiel que está longe de ser uma grande equipa mas é uma equipa comprida – o comando de Luís Castro, com a sua pose de Mourinho dos pobres, empurra a equipa para a frente mesmo quando os jogadores descrêem e em consequência, a partir dos 10’, entre o último defesa e o primeiro avançado, o Penafiel media mais de 50 metros.
13 de Fevereiro de 2006 às 00:00
Nuno Gomes festeja com Petit a obtenção do seu 14.º golo na Liga portuguesa
Nuno Gomes festeja com Petit a obtenção do seu 14.º golo na Liga portuguesa FOTO: Nacho Doce, Reuters
Com uma equipa assim alongada, o segredo é fazer correr a bola, em tricô, entre as linhas distendidas. Mas para isso o Benfica contou apenas com a crescente qualidade de Léo e, as espaços, a visão de jogo de Petit. Foi exactamente num lance em que Petit colocou geometria à distância que, Geovanni, regressado à posição de ponta-de-lança, deixou com elegância correr a bola pela relva e, em ‘sprint’ aplicou um remate seco para golo.
Antes deste lance, aos 37’, já Karagounis tinha deixado de apoiar Petit no combate do meio-campo, já Manduca assinara dois ou três lances que são nova prova de que não pode render muito como segundo avançado. Já Robert continuara a mostrar que, com ele na direita, o Benfica joga quase com menos um. Simão reapareceu disposto a fazer esquecer a má exibição frente ao Nacional.
O capitão mostrou-se disponível para o combate, nunca tirou o pé de lances divididos, aplicou-se na recuperação da bola. Mas, com tantas peças em sub-rendimento, o Benfica deixou sempre ao Penafiel uma réstea de espaço para se aproximar da área. Aos 33’, no terceiro canto a que teve direito, o Penafiel obrigou Moretto a boa defesa, num cabeceamento de Jorginho. Moretto viria a brilhar ainda antes do intervalo, aos 42’, também no seguimento de um canto, Roberto cabeceou forte e Moretto respondeu com grande defesa.
Era necessário fazer alguma coisa e, desta vez, Koeman não deixou escorrer o tempo. No balneário ficaram Karagounis e Manduca, entraram Nuno Gomes e Manuel Fernandes.
Nada melhorou. Manuel Fernandes apareceu abúlico, Nuno Gomes em ritmo de treino. Mas o Penafiel continuou uma equipa dócil. As duas ou três peças sempre dispostas próximo da defesa contrária em momento algum conseguiram pressionar. E lá atrás os defesas subiam cada vez mais devagar. Léo e Petit mantiveram-se os jogadores mais brilhantes. O brasileiro pediu mesmo penálti numa rápida entrada na área. Mas o corte de Pedro Moreira foi limpo, o árbitro julgou bem. Logo de seguida, Petit marca mais um canto tenso e Roberto marca em voo de cabeça na própria baliza, pressionado pelos pés de Luisão. O 3-0 vai chegar num contra-ataque conduzido por Petit, que abre para Léo, o centro apanha Nuno Gomes para um toque fácil. No chão estava, desde o início da jogada, Pedro Moreira. A falta de desportivismo aparente tem dois atenuantes, o Penafiel teve posse de bola e não a atirou para fora e, principalmente, uma equipa que clama por ‘fair play’ não pode ter Sérgio Lomba a queimar tempo a um metro da linha lateral, com uma leve lesão só agravada pelo resultado ainda em branco.
Simão assinou o 4-0, já no final de uma vitória fácil do Benfica. Mas a temperatura da equipa continua preocupante.
MAIS: PETIT, LÉO E GEOVANNI
Há um trio na Luz em grande forma. Petit é um jogador ‘à Benfica’, daqueles que as grandes equipas do clube sempre fizeram alinhar, de antes quebrar do que torcer. Duro, afirmativo, ambicioso. Mas Petit tem mais técnica do que muitos lhe reconhecem, como ontem ficou sublinhado no excelente passe com que rasgou o caminho para o primeiro golo. O de Geovanni que, quando joga a ponta-de-lança parece outro jogador. Disponível, efectivo, constante. Com o rendimento que sempre mostra no lugar, Geovanni já merece que Koeman termine com os seus longos exílios na direita. Por último, Léo: está a subir de jogo para jogo. Junta agora à velocidade que já mostrava e à técnica indisfarçável o brilho dos eleitos. Pequenos detalhes, fintas de corpo. Passes de craque.
MENOS: A ILUSÃO DA PRESSÃO ALTA
É verdade que o Penafiel enviou para o ataque sempre um mínimo de três unidades. É verdade que, olhado de cima, esse esquema parece ambicioso. Mas não resiste à prova do índice de recuperações de bola necessário para ser eficaz. Não adianta fazer ‘pressão alta’ – que em rigor nunca existiu – se, depois, há demasiado espaço entre as linhas por onde a equipa contrária pode desenhar os movimentos. E toda esta tinta impressa porquê, se estamos a falar do último classificado da Liga? Porque o Benfica apresentou-se tão fraco que mesmo ‘este’ Penafiel podia ter feito estragos se fosse menos aparência e mais essência.
APONTAMENTOS
SIMÃO DÁ CAMISOLA
O benfiquista Simão fez ontem as pazes com os adeptos do clube. Apesar de alguns assobios, recebeu muitos mais aplausos e no final do encontro dirigiu-se à claque e ofereceu a sua camisola. Está dado o primeiro passo para o fim da polémica que envolveu o jogador.
NAMORADOS À BORLA
As bancadas do Estádio da Luz estiveram bem compostas muito por culpa da promoção que o clube ‘encarnado’ levou a cabo. Para comemorar o dia de São Valentim, na compra de um bilhete o Benfica ofereceu o segundo ingresso para o respectivo namorado ou namorada. Não foi de espantar que estivessem 37 097 espectadores.
DOIS PORTUGUESES
O Benfica apresentou no onze titular apenas dois portugueses: Simão Sabrosa e Petit. Destaque para a inclusão de sete brasileiros entre os escolhidos pelo treinador holandês Ronald Koeman. Na equipa do Penafiel destaque também para a presença de apenas três jogadores lusos: Bruno Amaro, Pedro Moreira e Sérgio Lomba. Lusos em minoria.
NUNO GOMES
O ponta-de-lança foi preterido pela segunda vez na equipa titular na Liga portuguesa. Nuno Gomes – melhor marcador da Liga (com 14 golos) e jogador do Benfica com mais minutos jogados – ficou de fora no jogo da primeira volta frente ao Sporting, no qual os ‘encarnados’ perderam 2-1.
FICHA DO JOGO
Local: estádio da Luz, em Lisboa (37.097 espectadores)
Árbitro: Nuno Almeida (Algarve)
BENFICA: Moretto, Alcides, Anderson, Luisão, Léo, Petit, Karagounis (Manuel Fernandes, 46m), Robert, Simão, Manduca (Nuno Gomes, 46m) e Geovanni (Marcel, 64m). Treinador: Ronald Koeman.
PENAFIEL: Vinicius, Pedro Moreira, Sérgio Lomba, Welington, Kelly, Barrionuevo (Juninho Petrolina, 46m), Jorginho, Orahovac (Zé Rui, 57m), Dill, Bruno Amaro e Roberto (Bibishkov, 73m). Treinador: Luís Castro.
Marcador: 1-0, Geovanni (37m); 2-0, Roberto (63m, pb); 3-0, Nuno Gomes (77m); 4-0, Simão (90m)
Acção disciplinar: Amarelos - Barrionuevo (14m) e Simão (56m)
Melhor jogador: Petit.
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