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Correio da Manhã

Desporto

Benfica promete muito

O Benfica entra na partida com o mesmo onze e com disposição idêntica à do jogo com o Copenhaga. A bola gira rápido, entre todas as peças, e a pressão solidária sobre o adversário estrangula qualquer tentativa de partida para o ataque. Os 20 primeiros minutos são exuberantes. Mas nenhuma bola entra na baliza de Marcos. Nem aos 5’, quando Marcos larga uma bola fácil e Nuno Gomes falha um golo oferecido; nem aos 7’, quando Nuno Gomes assiste de cabeça Katsouranis, que, na zona de penálti, remata por cima; nem aos 13’, quando Miccoli, descaído para a direita, arranca bom remate a que Marcos responde bem. Também João Ferreira contribui para o nulo, quando deixa passar uma mão nítida de Gregory, na área, aos 17’.
26 de Novembro de 2006 às 00:00
O Benfica adiantou-se no marcador ainda na primeira parte, graças a um autogolo de Alex
O Benfica adiantou-se no marcador ainda na primeira parte, graças a um autogolo de Alex FOTO: Marcos Borga, Reuters
À chegada do minuto 20, a equipa da Luz baixa o ritmo mas continua a mandar no jogo. O golo chega aos 32’. Simão executa livre na esquerda, Alex antecipa-se a Ricardo Rocha no segundo poste, com Marcos a gatinhar a meio da viagem e o seu toque de coxa faz um autogolo. Sem que o Marítimo colectivamente nada fizesse por isso, o empate chega aos 42’. Marcinho, na meia-esquerda, tira Katsouranis do caminho, flecte para o centro e arranca um golão, sem defesa para Quim.
O segundo tempo começa com forte pressão do Benfica. Quatro cantos seguidos que não dão golo. Aos 50’, Miccoli, num ‘sprint’, faz a sua enésima lesão muscular ao serviço do Benfica. Entra Mantorras. E, dois minutos depois, João Ferreira é severo com Marcinho. Uma entrada sobre Simão a merecer amarelo é punida com vermelho. Contra dez, a bola continua agradada pelo tratamento colectivo que os jogadores ‘encarnados’ lhe dão. Mas teima em não entrar na baliza do Marítimo.
E de novo João Ferreira ‘entra em jogo’: aos 64’, Kanu lesiona-se. Quando o jogador está a ser retirado e o Marítimo tem Moukori pronto para entrar, o árbitro manda que a bola seja reposta em jogo. É um Marítimo com apenas oito jogadores de campo que não consegue responder a mais uma excelente jogada de envolvimento do Benfica, que termina com um centro rasteiro de Simão, desde a esquerda, a que Katsouranis responde com um toque para o 2-1.
Vitória do Benfica por números que ficam muito abaixo do futebol demonstrado. Só os golos ‘encarnados’ não acompanharam o brilho de uma noite de acerto colectivo.
POSITIVO: SIMÃO E ROCHA
Simão fez um punhado de assistências desperdiçadas pelo desacerto finalizador de Nuno Gomes. Em duas ou três arrancadas imparáveis, o capitão mostrou o máximo apuro de forma que chega mesmo a tempo dos primeiros momentos decisivos da época. Ricardo Rocha, não perdeu um lance, só falhou um passe. Se fosse sempre assim… Será para manter?
NEGATIVO: LESÕES DE MICCOLI
Tem o seu quê de fado o repetido momento em que um jogador com os recursos de Miccoli trava o ‘sprint’ por ter rasgado um qualquer músculo. Miccoli quase chora e a dor é colectiva. Um génio afastado do campo por sucessivas lesões é algo de inexplicável quando a medi-cina desportiva está já tão avançada. É preciso treinar Miccoli, como só ele precisa de treinar.
SANTOS CRITICA ANSIEDADE APÓS SEGUNDO GOLO
Fernando Santos, técnico do Benfica, somou ontem a sua quinta vitória em casa. O triunfo foi suado e as críticas do técnico ‘encarnado’ aos seus jogadores não se fizeram esperar.
“A partir do 2-1, inexplicavelmente, a equipa quis fazer tudo muito à pressa e isso não consigo entender. Acabámos o jogo um pouco a sofrer, onde se registaram algumas situações de complicação e desnecessárias. Houve ansiedade da parte dos jogadores, queriam fazer tudo à pressa. Houve também muito individualismo, parecia que todos queriam marcar o terceiro golo. Estivemos muito mal após o segundo golo”, disse o técnico. Uma das principais preocupações do treinador é a situação clínica do italiano Miccoli. O avançado foi substituído aos 50’ devido a uma lesão muscular na coxa esquerda e será agora avaliado pela equipa médica para se perceber se pode ou não ser opção para o dérbi.
FICHA DO JOGO
Local: Estádio da Luz, em Lisboa (34.377 espectadores)
Árbitro: João Ferreira (Setúbal)
Marcador: 1-0, Alex Schwedler (32m, pb); 1-1, Marcinho (42m); 2-1, Katsouranis (66m)
BENFICA: Quim, Nélson, Anderson, Ricardo Rocha, Léo, Petit, Katsouranis (Manu, 85m), Nuno Assis (Karagounis, 60m), Simão, Miccoli (Mantorras, 50m) e Nuno Gomes. Treinador: Fernando Santos.
MARÍTIMO: Marcos, Zé Gomes, Alex Schwedler, Gregory, Evaldo, Wénio, Olberdan (André Barreto, 82m), Luís Olim, Filipe Oliveira (Neca, 74), Marcinho e Kanu (Moukouri, 67m). Treinador: Ulisses Morais.
Acção disciplinar: cartões amarelos - Gregory (18m), Katsouranis (70m) e Briguel (86m); cartão vermelho - Marcinho (52m)
Melhor jogador: Simão.
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