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Correio da Manhã

Desporto

Beto: "Espero um Benfica forte desde o início"

Guarda-redes do Sevilha perspetiva uma final da Liga Europa sem favorito.
11 de Maio de 2014 às 09:35
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Beto, Sevilha, Benfica, Enzo Pérez, Salvio, Markovic, Liga, Europa, final, Luz, Turim FOTO: Manuel Araújo

Beto, guarda-redes do Sevilha perspetiva uma final da Liga Europa sem favorito e não acredita que a equipa da Luz esteja mais fraca sem Enzo Pérez, Salvio e Markovic.

Correio Sport – Quarta-feira, em Turim, disputa-se a final da Liga Europa, entre o Sevilha e o Benfica. Quem é o favorito?

Beto –Penso que não há favorito. Os pratos da balança equilibram-se, mas sabemos que só a nossa melhor versão pode derrotar o Benfica.

- Quais os pontos mais fortes do Benfica?

- Acho que o Benfica prima muito pelo coletivo. Tem uma equipa forte, que ataca bem e recupera rapidamente o equilíbrio quando perde a bola, tem muita intensidade na recuperação. Na minha opinião, o ataque tem sido a imagem de marca.

- Em Sevilha, tem sido muito recordado o facto de o Benfica ter perdido as últimas sete finais europeias disputadas e a maldição de Béla Guttmann [na década de 60]. O Benfica pode acusar esse condicionamento psicológico das finais perdidas?

- Não creio que seja um handicap para o Benfica, muitos jogadores se calhar nem conhecem essa história. Vão entrar em campo 22 jogadores para disputar algo muito bonito. Vamos dar tudo de nós.

- O que vale uma final europeia para os jogadores e para as equipas?

- Lembro-me ainda hoje da final da Liga Europa em que participei pelo FC Porto, frente ao Sp. Braga [1-0], e sinto orgulho em poder dizer que já estive lá e levantei a taça. É sempre marcante e um título relevante. O Sevilha tem tradição nesta prova, porque já ganhou por duas vezes [Taça UEFA].

- Como será enquanto português defrontar uma equipa do seu país?

- É sempre especial defrontar uma equipa do nosso país. Cresci numa boa rivalidade com o Benfica, quando era jogador do Sporting e, depois, quando representei o FC Porto. Essa rivalidade está cá dentro, mas, como disse, é saudável.

- Que Benfica espera na quarta-feira em Turim ?

- A dinâmica do Benfica está forte, é uma equipa com confiança, e as ideias do treinador estão assimiladas. Vamos encontrar o melhor Benfica da época. Espero um adversário forte, pressionante e a querer marcar cedo. Um Benfica forte desde o início.

- O que vale o Sevilha?

- Não vivemos de estrelas, mas temos jogadores que podem fazer a diferença, com uma espinha dorsal que dá muito equilíbrio e muita alma à equipa, casos de Carriço e Mbia, e temos também juventude, como é o caso de Vitolo e Kevin Gameiro. Talvez tenhamos menos experiência internacional, mas esperamos ter mais irreverência, vontade, e ter mais qualidade do que o Benfica.

- Além dos portugueses [Beto, Daniel Carriço e Diogo Figueiras], Rakitic [médio] é figura incontornável?

- Rakitic é o nosso jogador do último passe, o capitão que tenta sempre levar a equipa para a frente. É internacional [croata].

- Qual o grande trunfo do Sevilha em Turim?

- Sabemos sofrer, jogamos muito com o coração e nunca nos damos por vencidos. Um dos lemas do Sevilha é: ‘Dizem que nunca se rendem.’ Temos qualidade, um treinador [Unay Emery] que privilegia bastante os aspetos táticos. Se calhar, pela nossa trajetória e pelo que sofremos, o Sevilha é a equipa que mais quer ganhar a Liga Europa, sempre com grande exigência e sentido de responsabilidade.

- Sem Enzo Pérez, Salvio e Markovic, todos castigados, o Benfica estará mais fraco frente ao Sevilha?

- Não. Tem um plantel recheado de opções, de jogadores capazes de dar uma resposta à altura de um clube com as exigências e a grandeza do Benfica.

- Como acha que o Benfica encara o Sevilha?

- Acredito que o Benfica nos olha com respeito, porque quem chega a esta fase tem de ter valor. Estou certo de que há um respeito mútuo. Lembro que o Sevilha foi vencedor duas vezes consecutivas desta competição.

- Se ganhar a Liga Europa, a quem a vai dedicar?

- Ao meu pai, que infelizmente faleceu na fase de ascensão da minha carreira.

- Poder-se-á falar da final de Turim como o momento mais alto da sua carreira?

- Sim, pelo contributo que consegui dar para o Sevilha chegar à final, será o ponto mais alto da minha carreira.

- E a época? É a sua melhor de sempre?

- Sim, é a melhor da minha carreira, pela exigência da Liga espanhola e por ter respondido da forma como o fiz. Dei a resposta a mim mesmo de que era capaz e que precisava deste tipo de desafio. O meu estado de espírito é de orgulho pela época conseguida. Faço um balanço bastante positivo.

- A caminhada do Sevilha na Liga Europa começou bem cedo, tendo disputado duas pré-eliminatórias. Mas neste trajeto, em que ultrapassaram Estoril e FC Porto, qual a eliminatória mais complicada que jogaram?

- Penso que foi a que disputámos com o Bétis, no primeiro eurodérbi das provas europeias. Foi uma loucura em Sevilha, perdemos o primeiro jogo em casa [0-2], igualámos o resultado na casa deles e depois ganhámos nos penáltis.

- O que prevalece antes dos jogos? O nervosismo, a ansiedade, o entusiasmo?

- Mais do que o nervosismo, é a ansiedade de chegar ao dia. Mas é importante ter a mentalidade de desfrutar de um jogo desta importância, que será entusiasmante.

- O futuro treinador do FC Porto [Julen Lopetegui] vem de Espanha e tem trabalho de relevo nas seleções jovens do país. Que opinião tem dele?

- Não conheço pessoalmente, mas sei que foi campeão europeu de sub-19 em 2012 e de sub-21 em 2013. Pelo que me dizem, é bom treinador e tem personalidade.

- É uma boa aposta?

- Vai ser preciso darem-lhe tempo e espaço para a adaptação, mas o FC Porto tem sido uma estrutura sempre estável e que oferece condições aos profissionais para triunfarem. Acredito que o pode fazer enquadrado num clube com a dimensão do FC Porto. 

"OBJETIVO TERÁ DE SER PASSAR FASE DE GRUPOS"

- Portugal vai participar no Mundial do Brasil. Já pensa nessa competição?

- No subconsciente já se pensa, embora o foco esteja nesta altura nos objetivos do Sevilha. Mas é uma grande competição, num país do futebol, que qualquer jogador quer jogar.

- Qual o objetivo de Portugal no Mundial?

- Primeiro que tudo, passar a fase de grupos, porque é isso que se coloca no imediato, num dos grupos mais complicados, com uma grande potência mundial [a Alemanha], uma das melhores seleções africanas [o Gana] e uma seleção em expansão [os Estados Unidos].

- Enquanto a concentração não está no Mundial, há a Liga espanhola. Que clube gostava que ganhasse?

- Não estando o Sevilha na corrida, que ganhe o Real Madrid, que é a equipa que tem mais portugueses, pela amizade que me une a eles.

- Três equipas em quatro nas finais europeias é sinal de que a Liga espanhola é a melhor da Europa?

- É um sinal de algo. Não sei se a Liga espanhola é a a mais forte da Europa, mas as equipas espanholas dominam a presença nas finais europeias e é uma Liga extremamente competitiva. A Liga espanhola está, seguramente, no pódio das melhores da Europa. 

PERFIL

António Alberto Bastos Pimparel, mais conhecido no mundo do futebol por Beto, tem 32 anos (nasceu no dia 1 de maio de 1982 em Lisboa). Alinha no Sevilha (Espanha) e é internacional português (seis jogos pela Seleção A).

Representou antes, como sénior, Sporting, Casa Pia, Desportivo de Chaves, Marco, Leixões, FC Porto, Cluj (Roménia) e Sp. Braga.

No palmarés, conta com onze títulos, entre eles uma Liga Europa, uma Liga portuguesa e duas Taças de Portugal, todas aos serviço do FC Porto, e ainda uma Taça da Liga (Sp. Braga) e uma Liga da Roménia (Cluj).

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