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Correio da Manhã

Desporto
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Bomba que vale milhões

Um tiro fulminante de Caneira, aos 64’, valeu ontem um importante, justo e histórico triunfo ao Sporting sobre o todo poderoso Inter, na auspiciosa estreia dos ‘leões’ na Liga dos Campeões. À falta de outras armas, a formação ‘leonina’, ante um adversário que dispensa apresentações na elite europeia, fez da entrega, alicerçada num enorme sentido colectivo, o principal ingrediente para o sucesso – Miguel Veloso e Moutinho foram monstruosos no ‘miolo’.
13 de Setembro de 2006 às 00:00
Frente a equipas italianas, mesmo ante formações sem o poderio deste milionário Inter, entrar bem no jogo, dominar e jogar no ‘miolo’ contrário não basta, ou não fossem os transalpinos ‘mestres’ na arte de bem defender. Os ‘leões’, maioritariamente estreantes nestas andanças e, recorde-se, ‘vítimas’ das várias ausências forçadas – Custódio, Paredes ou Carlos Martins, entre outros, estão lesionados –, cedo ‘carregaram no acelerador’, empertigaram-se e logo galvanizaram as bancadas, mas a pressão e os raides de Nani e Yannick, este a surpresa de Paulo Bento, foram insuficientes para amedrontar Toldo. Aliás, foi sem espanto que o intervalo chegou com o nulo a imperar. Porque também o Inter, repleto de estrelas – Mancini apostou na dupla Adriano/Ibrahimovic, secundados por Figo e Stankovic –, não criou apuros na área de Ricardo.
O momento do jogo chegou aos 64’: Caneira, até então preocupado com missões defensivas, intrometeu--se no ataque, deixou um italiano para trás e disparou uma ‘bomba’ para as redes de Toldo. Os italianos, meio incrédulos, enervaram-se e ajudaram o ‘leão’: Vieira, aos 68’, foi expulso, facilitando a tarefa ao Sporting. Depois, e até final, foi só gerir.
POSITIVO
MIGUEL VELOSO
Miguel Veloso, mais um jovem formado na ‘cantera’, voltou ontem a justificar a aposta de Paulo Bento. E nem o facto de até ser central de raiz o impediu de brilhar no meio-campo defensivo, fazendo esquecer nomes feitos como Custódio ou Paredes. Faz de simplicidade de processos o seu maior trunfo. Que o digam os italianos. Moutinho, a voz de comando, esteve perto da... perfeição.
NEGATIVO
INTER... SEM CHAMA
É forçoso esperar-se mais de uma equipa com os recursos desportivos e financeiros deste Inter de Milão. Ontem, o melhor que os italianos conseguiram, e ainda assim a espaços, foi equilibrar as operações. É certo que a exibição do Sporting merece rasgados elogios, mas, e até Caneira desfazer a igualdade o Inter pareceu sempre demasiado expectante, sem chama ou ambição.
'TAMBÉM SOMOS UMA GRANDE EQUIPA'
Com um fabuloso remate de fora da área, Marco Caneira materializou o triunfo do Sporting e ascendeu à condição de herói da noite. No final do jogo, o defesa reconheceu ter marcado um golo “muito bonito”. Mas rapidamente partilhou o momento com o resto da equipa. “O que é importante realçar neste momento é o espírito de grupo e o excelente trabalho feito pela equipa técnica. Este plantel tem grande qualidade, ao contrário do que muita gente dizia.”
Com os olhos já postos no encontro seguinte, no próximo sábado, Caneira diz que esta vitória não é motivo para criar euforia. “Mas dá muito alento.” Sobre o facto de o Sporting ter derrotado um dos mais fortes candidatos à vitória na Liga dos Campeões, o defesa ‘leonino’ reage de pronto: “Vencemos uma grande equipa porque também somos uma grande equipa.”
Paulo Bento manteve o discurso sereno que lhe é característico. Relembrou ter dito, no dia do sorteio, que em futebol “nada é impossível” e explicou que as dificuldades “já esperadas” foram diminuídas “essencialmente pela excelente organização revelada pela equipa ao longo de todo o jogo”. Paulo Bento destacou a defesa “que esteve muito perto da perfeição” e lamentou que a sua equipa apenas tivesse começado a sentir tranquilidade para sair para o ataque “na segunda parte”.
“Foi uma vitória justa num jogo equilibrado. Uma vitória da humildade. Mas para já só temos seis pontos no campeonato e três na Liga dos Campeões. Ainda não ganhámos nada”, referiu o técnico ‘leonino’. Paulo Bento exortou ainda os adeptos a continuar a dar à equipa o apoio revelado neste jogo.
REPETIÇÕES EM DIRECTO
Uma situação completamente incomum aconteceu ontem no Estádio José Alvalade: durante os primeiros 20 minutos, a transmissão televisiva do jogo pôde ser seguida, em directo, através dos dois ecrãs gigantes instalados no interior do recinto. Mesmo as repetições foram exibidas, inclusivamente o lance em que os jogadores reclamaram grande penalidade por alegada mão de Córdoba. Foi precisamente após esta ocorrência que a transmissão foi interrompida.
Uma outra situação fora do normal teve a ver com a falta de sintonia entre a ficha do jogo, onde Paulo Bento era dado como técnico adjunto e Carlos Pereira como treinador principal (tal como sucedeu na época passada na Liga portuguesa), e os dossiê de Imprensa, nos quais as posições dos dois treinadores surgem de acordo com os cargos que realmente desempenham.
FICHA DO JOGO
Local: Estádio José Alvalade, em Lisboa (30.222 espectadores)
Árbitro: Alain Hamer (Luxemburgo).
SPORTING: Ricardo, Abel, Tonel, Polga, Caneira, Miguel Veloso, Nani (Rodrigo Tello, 82m), Romagnoli (Alecsandro, 65m), João Moutinho, Yannick Djaló e Liedson. Treinador: Paulo Bento.
INTER DE MILÃO: Toldo, Maicon, Córdoba, Samuel, Grosso (Zanetti, 79m), Dacourt, Vieira, Stankovic, Luís Figo (Gonzalez, 65m), Ibrahimovic e Adriano (Hernan Crespo, 71m). Treinador: Roberto Mancini.
Marcador: 1-0 Marco Caneira (64m).
Acção disciplinar: Amarelos Liedson (16m), João Moutinho (21m), Córdoba (27m), Toldo (3m2) e Vieira (44m e 69m); Vermelhos - Vieira (69m).
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