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Correio da Manhã

Desporto
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BOTERO ROUBA LUGAR A AZEVEDO

José Azevedo viu ontem o colombiano Santiago Botero, da Kelme, roubar-lhe o quarto lugar da geral, e corre mesmo o risco de perder o actual quinto posto para o seu colega de equipa Igor Galdeano.
25 de Julho de 2002 às 22:31
Tudo porque o português voltou a preocupar-se essencialmente em ajudar Beloki, mantendo-o junto do camisola amarela Lance Arsmstrong, e não foi atrás dos homens que lideraram a etapa.

Uma tirada que foi ganha pela primeira vez por um italiano, Dario Frigo (Tacconi) , no termo de uma fuga com mais quatro elementos, iniciada ao Km 28. No fim só teve a companhia de Mario Aerts (Lotto) e Giuseppe Guerini (Telekom), aos quais se impôs no 'sprint' final. Mas o facto mais relevante foi mesmo o ataque de Botero (Kelme), a 25 quilómetros da meta, ao qual Azevedo tentou responder, mas como não conseguia progressos resolveu renunciar, perdendo assim 1m 08s para o colombiano, que lhe 'roubou' o 4º lugar.

Azevedo apareceu algumas vezes a tentar escapar-se do pelotão, obrigando Armstrong e seus pares a contra-atacar. A primeira tentativa ocorreu ao Km 65 e na sua roda meteu-se imediatamente Mancebo, aos quais se juntariam ainda Heras e Botero, não tardando que um grupo de cinco ciclistas comandado por Armstrong anulasse a inicitiva.

A partir daqui José Azevedo limitou-se seguir os seus mais directos adversários, sem nunca perder de vista o camisola amarela.

Depois de um ataque inicial de Aldag, travou-se animada luta para a primeira montanha, constituindo-se primeiro um grupo de cinco unidades, que viria a ficar reduzido ao trio composto por Frigo, Guerini e Aerts.

Na perseguição dos fugitivos esteve um grupo de nove corredores, liderados por três homens da ONCE (Jasche, Nozal e Serrano), a seguir o trio Jalabert, Laizeka e Mazzoleni, mas estes foram absorvidos pelo pelotão do camisola amarela que integrava todos os notáveis.

Hoje o 'Tour' despede-se dos Alpes, ligando Cluses a Bourg-en-Bresse (176,5 Km), num percurso de constante sobe-e-desce.

''ELE ARRANCOU MUITO FORTE''

Com um alto sentido de desportivismo e a noção precisa das realidades, José Azevedo aceitou com toda a naturalidade a perda do quarto lugar da classificação geral e continua a encarar o futuro com grande confiança e a consciência do dever cumprido.

Quando o abordámos ontem começou por explicar a razão por que renunciou à perseguição de Botero: "Ele arrancou muito forte, ganhou uma vantagem de uns dez segundos. Ainda tentei responder mas como a distância se mantinha, e ao ritmo que ele levava, vi que era impossível chegar junto dele. Vi que não conseguia e o melhor que tinha a fazer era desistir de o querer apanhar".

Relativamente à perda do quarto lugar da geral, José Azevedo sublinhou que o seu principal objectivo "é ajudar o Beloki a ir ao pódio. Cada vez está mais seguro no segundo lugar e depois temos também o objectivo de garantir a vitória na classificação por equipas. A partir daí já é muito bom ficar nos dez primeiros lugares. No contra-relógio é que se verá o lugar em que iremos ficar."

Referindo-se à etapa que se disputa hoje, o ciclista de Vila do Conde mostrou ser necessária muita concentração de modo a que os objectivos sejam cumpridos: "Se tivermos de trabalhar, iremos fazê-lo com o mesmo empenho de sempre e depois, no sábado, no contra-relógio, cada um dará o seu melhor.

O objectivo é o de sempre, que é trabalhar para o Beloki e estar sempre atentos para chegar nas mesmas posições no fim da etapa. Eu e o Igor temos muitas possibilidades de ficarmos também nos dez primeiros lugares".
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