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Correio da Manhã

Desporto
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Bronca dos pneus dá pódio a Monteiro

O piloto português Tiago Monteiro fez história no desporto automóvel nacional ao subir ao pódio (e amealhar 6 pontos) no mais polémico grande prémio de Fórmula 1 dos últimos tempos, o dos Estados Unidos.
20 de Junho de 2005 às 00:00
Tiago Monteiro festejou efusivamente o seu terceiro lugar, em contraste com ‘Schumi’ e Barrichello
Tiago Monteiro festejou efusivamente o seu terceiro lugar, em contraste com ‘Schumi’ e Barrichello FOTO: Carlos Barria/Reuters
Os milhares de espectadores que aguardavam o início da prova ficaram incrédulos, quando na volta de aquecimento sete das escuderias (as que utilizam pneus Michelin) entraram nas boxes, deixando apenas as três formações da Bridgestone (Ferrari, Jordan e Minardi) em pista. Muitos abandonaram de imediato os seus dispendiosos lugares e outros protestaram atirando latas e garrafas para o traçado de Indianapolis.
Na base de toda a polémica estava a alegada insegurança dos pneus Michelin para este Grande Prémio, nascida logo após o acidente de Ralf Schumacher na sexta-feira. A Michelin examinou cuidadosamente os pneus utilizados pelo alemão (idênticos aos das restantes equipas) e chegou à conclusão de que estes não seriam seguros. A marca ainda apresentou como alternativas a criação de uma ‘chicane’, de forma a obrigar a uma redução de velocidade por parte dos pilotos nas curvas 12 e 13, e também mandou vir de França uma remessa nova de pneus para esta prova, algo que os regulamentos da Federação Internacional Automóvel (FIA) não permite. Ambas as propostas foram rejeitadas pela FIA e perante isto a Michelin sugeriu às equipas que não seria seguro competir. Numa última reunião entre as escuderias ficou decidido o boicote à prova, que se transformou numa verdadeira farsa com apenas seis pilotos em pista.
Alheios à polémica, Michael Schumacher, Barrichello, Monteiro, Karthikeyan, Albers e Friesacher iniciaram a corrida e, perante a natural supremacia da Ferrari, foi o português quem brilhou ao ‘vencer’ o seu campeonato. Deixou o seu companheiro de equipa da Jordan, o indiano Narain Karthikeyan, para trás, tal como os dois pilotos da Minardi. Cumpriu e viu o seu esforço coroado com um terceiro lugar de todo inesperado. No fim da corrida, na subida ao pódio, o português foi o único a brindar o seu feito na tradicional festa do champanhe (Michael Schumacher e Ruben Barrichello não comemoraram). “Estou radiante e a viver um misto de emoções”, começou por referir o português, acrescentando: “Este é um momento incrível para mim, apesar desta prova ter sido muito estranha”.
Já quanto às desistências das equipas que usam pneus Michelin, Tiago foi peremptório: “Nós também já tivemos problemas com os pneus. Hoje (ontem), quem ficou a perder foi a F1 e o espectáculo”.
Tiago Monteiro tornou-se assim no primeiro piloto luso a subir ao pódio e o segundo a pontuar, depois de Pedro Lamy, há 10 anos, ter conquistado um ponto no GP da Austrália. Apesar da polémica, este é um feito que já ninguém lhe tira.
RALF SCHUMACHER NA ORIGEM
O violento acidente sofrido por Ralf Schumacher (Toyota) na segunda sessão de treinos de sexta-feira, onde perdeu o controlo do seu bólide na curva em “relevé” da pista norte-americana e embateu no muro em plena aceleração, despoletou toda esta celeuma com a segurança dos pneus.
Ralf reviveu desta forma o acidente do ano transacto, onde se despistou precisamente na mesma curva, ficando com lesões na coluna vertebral, o que o afastou de seis grandes prémios. Para evitar que o mesmo sucedesse durante a corrida as escuderias com os mesmos pneus (Michelin) boicotaram a corrida, pedindo, no final, desculpas num comunicado conjunto: “As equipas Michelin lamentam o abandono. Todas as escuderias confiam na Michelin e respeitaram as suas instruções para não competir. Infelizmente, as propostas para solucionar o problema foram recusadas e a segurança é a nossa primeira preocupação”.
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