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Correio da Manhã

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CANDIDATURA DO REI ARTUR DESTRONADA À NASCENÇA

Artur Jorge anuncia hoje, pelas 20h30, em Lisboa, na sede da sua candidatura a sua não participação nas eleições para a presidência da Federação Portuguesa de Futebol.
16 de Setembro de 2002 às 23:44
E como já havia feito em entrevista ao CM, prometeu ontem, na SIC, “contar muitas verdades sobre o futebol português”. Depois de uma reunião que durou mais de quatro horas, na sede da Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF), o candidato a destronar Madaíl viu confirmado o cenário que o CM já havia perspectivado: nem os treinadores o apoiaram, abortando-se assim à nascença qualquer pretensão de suceder a Madaíl.

Aliás, mesmo com o apoio da classe de treinadores, que ontem se posicionou ao lado da candidatura de Madaíl, o ex-seleccionador nacional não recolheria os apoios necessários para ir a votos. Apenas o Sindicato dos Jogadores e a APAF subscreveram a candidatura de Artur Jorge.

José Pereira, presidente da ANTF, explicou as razões da escolha e não deixou de criticar a forma como Artur Jorge se lançou nesta aventura que agora termina: “Pelo facto de estar a organizar o Euro’ 2004, pensamos que Gilberto Madaíl é a pessoa com mais capacidade para gerir os destinos da FPF nos tempos mais próximos. Acho que as pessoas que promoveram esta candidatura deviam ter tido em consideração alguns factores antes de ir para a grelha de partida, sustentando-a desde o início. Nós não fomos ouvidos”, referiu, descartando responsabilidades.

Artur Jorge resignado

Também Artur Jorge, que surgiu acompanhado por José Eduardo, comentou as incidências do encontro, aceitando a posição assumida pela direcção da ANTF.

“A reunião que tive com os treinadores foi boa e positiva dado que toda a gente deu as suas ideias. Houve óptimas intervenções. Claro que houve pequenas coisas que não foram completamente compreendidas mas a decisão final pertence aos treinadores e eu aceito-a”, referiu o ex-seleccionador que, ainda assim, considera positiva a sua participação neste processo. “Reconheço que parti um pouco tarde com a candidatura. Contudo, mesmo que não tenha votos suficientes para me candidatar, a entrada nesta campanha eleitoral é muito importante não só para mim mas também para o futebol português”, sustentou.

Naquela que era considerada a derradeira tentativa de Artur Jorge para inverter o rumo dos acontecimentos, a direcção da ANTF esteve presente na sua quase totalidade - apenas faltou Jaime Pacheco e Francisco Andrade, embora este último tenha enviado a sua intenção de voto por escrito - numa clara demonstração da coesão.

Além do presidente José Pereira, também Henrique Calisto, Mário Reis, António Frasco, Nicolau Vaqueiro, Costa Soares, Vítor Urbano, Vieira da Silva, José Carlos, Arménio Tomé, Armando Santos, Manuel Sousa e Vítor Oliveira, que preside ao Conselho Fiscal, receberam Artur Jorge e expressaram as suas posições.

35 treinadores contra ANTF

A reunião de ontem na sede na Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF), apesar de ter terminado sem polémica, não deixou de contar com alguns episódios curiosos. Segundo fonte próxima de Artur Jorge, o elenco presidido por José Pereira foi confrontado com um abaixo-assinado subscrito por 35 treinadores de futebol, ainda que os nomes permaneçam no segredo dos deuses, claramente contrários ao apoio da ANTF a Gilberto Madaíl e favoráveis a Artur Jorge.

O dia de hoje, na conferência de Imprensa que a equipa de Artur Jorge tem agendada, espera-se esta e muitas outras revelações importantes sobre a forma como decorreu todo o processo pré-eleitoral, focando-se também a reunião de ontem.

“Estava viciada à partida”, referiu ao CM um apoiante de Artur Jorge que solicitou o anonimato mas que aguarda com natural expectativa pelas declarações desta noite. José Pereira e Henrique Calisto, os dois principais representantes da classe de treinadores, deverão ser alvos de fortes criticas, uma vez que a candidatura de Artur Jorge insiste na obrigatoriedade daquele apoio.

Ontem, o CM tentou contactar outros membros da candidatura do opositor de Madaíl mas todos optaram por remeter para a conferência de Imprensa qualquer reacção oficial.
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