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Correio da Manhã

Desporto
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Capitão contra a tradição

A braçadeira de capitão no Sporting tem mais um inquilino nesta época. Chama-se João Pereira, decisão do treinador Domingos que não foi inteiramente pacífica, segundo apurou o Sport, pelo passado do jogador ligado ao Benfica, onde foi formado e pelo curto historial em Alvalade, onde está há apenas um ano e meio.
27 de Agosto de 2011 às 00:00
‘Capitão’ João Pereira no jogo contra o Nordsjaelland, na Dinamarca
‘Capitão’ João Pereira no jogo contra o Nordsjaelland, na Dinamarca FOTO: Jens Noergaard Larsen/Epa

 

A escolha de João Pereira para integrar o lote dos capitães (no qual se incluem Daniel Carriço [principal], Polga, Tiago e Hélder Postiga) teve muito relacionada, segundo nos revelou fonte próxima do processo, com o perfil do atleta, tido como um símbolo de garra e atitude para o treinador dos leões. A ideia do técnico é criar um exemplo capaz de arrastar os companheiros do plantel.

A opção João Pereira (‘capitão’ nos três primeiros jogos oficiais desta época) contraria uma tendência de muitos anos de entregar a braçadeira a um atleta com ‘passado’ em Alvalade – basta recordar os exemplos de Manuel Fernandes, Beto, Pedro Barbosa e mesmo João Moutinho, todos com uma ligação muito íntima ao clube.

De resto, a opção tem uma curiosidade. Acaba por ir ao encontro do que já fizeram Benfica e FC Porto. Simão Sabrosa, jogador formado nos leões, acabou por ser capitão do Benfica e símbolo do clube da Luz.

Também Quaresma, formado no Sporting, chegou a envergar a braçadeira de capitão no FC Porto e já nesta época num jogo particular frente ao Rio Ave, João Moutinho foi o capitão no FC porto.

O Sporting acaba por seguir o exemplo dos rivais, num ano em que alguns dos jogadores formados no clube ficaram para trás nesse estatuto: André Santos, Yannick e Rui Patrício, estes dois últimos com mais anos de casa do que João Pereira.

REACÇÕES

Pedro Venâncio -  antigo jogador

"A prioridade devia ser dos mais antigos"

Foi uma escolha do Domingos e há que respeitá-la , mas não concordo. Devia dar-se prioridade aos jogadores mais antigos, caso do Anderson Polga, que está a fazer um excelente início da época. Além disso, um capitão deve ser um líder, é certo, mas também um jogador ponderado e com sangue-frio e o João Pereira ferve em pouca água.

JOSÉ EDUARDO - EMPRESÁRIO

"Talvez não seja recomendável..."

Há vários critérios para a escolha de um capitão. João Pereira é um jogador fogoso, temperamental e a escolha pode refrear-lhe o ímpeto. Talvez não seja recomendável escolher um jogador temperamental para ter a braçadeira, mas nada contra o João. O treinador é que sabe.

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