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Correio da Manhã

Desporto
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Carlos Queiroz vai mesmo sair

Carlos Queiroz deixou de ter espaço para continuar ao comando da selecção nacional, qualquer que seja a solução encontrada para a polémica que o opõe à Federação Portuguesa de Futebol (FPF), sustentada no castigo de seis meses que lhe foi imposto pela ADoP.
8 de Setembro de 2010 às 00:30
Carlos Queiroz ficou sem espaço para continuar na FPF
Carlos Queiroz ficou sem espaço para continuar na FPF FOTO: Tiago Petinga/Lusa

A decisão do afastamento deverá ser comunicada ao seleccionador após a reunião dos altos comandos da FPF agendada para amanhã, mas tal não o apanhará de surpresa. Aliás, existe ainda a possibilidade de uma demissão colectiva da direcção da FPF.

Embora no seu discurso para o exterior diga o contrário, Queiroz sabe que deixou de ter espaço para trabalhar com a actual estrutura dirigente da Federação, onde criou muitos anticorpos. Ele próprio não aceitaria voltar a lidar com muitos dos integrantes do staff de apoio à equipa e também estes não o querem de volta, por terem, igualmente, consciência de que a coabitação é impossível.

Com o presidente, Gilberto Madaíl, condicionado por problemas de saúde, que, inclusive, o impediram de acompanhar a equipa até Oslo, o obstáculo começa no vice-presidente, Amândio de Carvalho, a quem acusou de ser a ‘cabeça do polvo’ que o quis afastar do cargo. E, sabe o CM, de nada valeu ter-se retractado publicamente, esclarecendo que as suas palavras foram mal interpretadas, pois a discórdia continua.

A divisão atingiu também fortemente o departamento clínico da Federação. Segundo apurou o Correio da Manhã, os médicos Nuno Campos e Henrique Jones já nem se falam, com o primeiro disposto a sair. Um dos diferendos tem a ver, precisamente, com o testemunho favorável a Queiroz feito por Jones.

A conferência de imprensa do secretário de estado, Laurentino Dias, radicalizou ainda mais a posição do treinador, que continua convencido de que foi vítima de ‘ingerência’ política.

Sem ambiente para regressar, Queiroz propõe-se, apenas, a salvar a honra, consciente de que ser culpado por perturbação de um controlo antidoping poderá comprometer seriamente o seu futuro, pois a sua imagem seria fortemente afectada e ser-lhe-iam fechadas muitas portas no mundo do futebol.

CARLOS QUEIROZ: "VIM COMO ADEPTO"

"Vim cumprir o meu dever e a minha obrigação, que é manifestar o meu apoio como adepto à selecção nacional", afirmou Carlos Queiroz à chegada à Noruega. Quanto ao processo de que é alvo, aguarda pelo desfecho, mas espera que termine com "justiça e verdade". Queiroz acredita ainda que vai ganhar o recurso no Tribunal Arbitral. Já sobre o processo de que foi alvo e que determinou a sua suspensão por seis meses, o seleccionador foi taxativo. "Não quero prestar declarações sobre este assunto." No estádio, sentou-se na bancada e seguiu atentamente as incidências do jogo, tendo sido reconhecido por muitos curiosos. Os noruegueses tentam perceber as raízes do caso, mas não o compreendem. n

PINTO BALSEMÃO É TESTEMUNHA

Pinto Balsemão é uma das nove testemunhas que Carlos Queiroz vai apresentar em sua defesa no processo que lhe foi movido pela FPF no caso ‘cabeça do polvo’. Além do presidente da Impresa, Queiroz convocou para testemunhar neste caso dois jornalistas do ‘Expresso’, Mário Crespo, César Carvalheira, Virgílio Costa, Agostinho Oliveira, António Simões e ainda o advogado Dias Ferreira.

AGOSTINHO QUASE DESPROMOVIDO

Agostinho Oliveira teria sido reenviado para os escalões mais jovens, onde quase sempre trabalhou, por troca ceom o ex-magriço António Simões, apurou o CM em Oslo. Contudo, a suspensão de seis meses a Queiroz ditou a continuidade do técnico, que passou a ser seleccionador interino. António Simões, em final de contrato, não viu o vínculo renovado e terminou a ligação à Federação.

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