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Correio da Manhã

Desporto
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Carlos Sousa e Schulz riem do episódio caricato

O episódio teve tanto de insólito como de caricato. Carlos Sousa e o seu co-piloto Schulz perderam-se nas dunas do deserto. Passadas algumas horas do sucedido, que fez com que o português caisse do pódio para o nono lugar da geral, os dois tripulantes do VW Touareg da Team Lagos já ultrapassaram a situação. Riram e foram alvo da ‘chacota’ dos outros pilotos durante o jantar que decorreu até à 01h00 da manhã (véspera da folga).
14 de Janeiro de 2007 às 00:00
Andy Schulz, o navegador alemão que já participou em 16 edições do Dacar e venceu duas com Jutta Kleinschmidt (1994) e com Masuoka (2001), foi o primeiro a brincar com a situação: “Bastou que saísse do carro por uns instantes para que o Sousa se perdesse...”
Com o trauma de verem fugir a oportunidade de chegar ao pódio, Sousa e Schultz riram da situação e da polémica levantada pelo ‘site’ da organização que referiu que teria sido o português a colocar o navegador na rua.
“Quem perdeu quem?”, perguntavam os outros pilotos entre sorrisos. Com um enorme poder de encaixe, a dupla luso-alemã lá ia sorrindo, preparando o dia de folga, o de ontem, com uma merecida noite passada num hotel com todas as comodidades, como um banho de água quente, uma cama. Hoje é um novo dia de pó e aventura.
GARRAFAS DE VINHO PARTIDAS
A boa disposição entre Sousa e Schulz era tão grande que o alemão até revelou, entre sorrisos, o único momento de tensão entre ambos. “Estavamos no quarto e como havia muitas moscas, o Carlos pegou no meu casaco e numa tentativa de as matar bateu com ele contra a parede, partindo as duas minigarrafas de vinho que tinha no bolso. Sujou-me o casaco, mas o problema foi mesmo as garrafas de vinho”, contou para risada geral de todos os presentes no jantar.
"NÃO TENHO NADA A PERDER" (CARLOS SOUSA, PILOTO PORTUGUÊS)
O dia de descanso em Atar foi aproveitado para recuperar forças. Durante o dia, toda a gente brincou comigo com a história de sexta-feira. Só dá para rir? Para trás ficaram sete etapas e cerca de 4500 km, mas ainda há muito para correr.
Estava muito desanimado quando cheguei a Atar, a etapa correu muito mal e perdi todas as possibilidades de pensar num lugar no pódio, mas o que está feito, está feito e agora só me resta seguir em frente.
Não tenho qualquer tipo de pressão, pelo que a única coisa que poderei fazer será andar o mais depressa possível e tentar os melhores resultados em cada uma das etapas que faltam até Dacar. Não tenho nada a perder.
Recuperar terreno não vai ser fácil. Entre Zouérat e Atar, onde tudo me correu mal, esperava por um percurso diferente, com mais dunas, mas a pista tinha muitas zonas com o piso coberto de pedras. Acredito que as próximas etapas vão ser semelhantes e que não vamos ter as etapas de areia e muitas dunas como nos últimos anos, etapas que permitiram fazer grandes diferenças de tempos.
Seja como for, continuo confiante no meu VW Race Touareg que já mostrou que tem uma grande fiabilidade. Durante o dia de descanso, o carro foi totalmente revisto. Os mecânicos trabalharam dia e noite e ao fim da tarde fiz um pequeno teste onde pude confirmar que está tudo pronto para a segunda parte deste Lisboa-Dacar.
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