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Correio da Manhã

Desporto
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Casos para Morgado

Maria José Morgado já definiu que a corrupção desportiva tem prioridade sobre os restantes casos relacionados com o processo ‘Apito Dourado’. Mas quando passar para os outros crimes, a procuradora vai encontrar mais de uma centena que já foi arquivada. Cerca de 20 têm a ver com o arguido Valentim Loureiro.
14 de Janeiro de 2007 às 00:00
Dos 127 casos arquivados no processo ‘Apito Dourado’, o CM destaca cinco, em que são visados, entre outros, Pinto da Costa, Valentim Loureiro, Paulo Portas e o tratador da relva do Gondomar.
Pinto da Costa sem multa da GNR
No dia 15 de Abril de 2004, Pinto da Costa conduzia na Estrada Nacional 222. Ia para o centro de estágio do FC Porto, no Olival, e não respeitou um traço contínuo. Um soldado da GNR, à civil, deu conta da infracção e mandou parar o presidente dos ‘dragões’, tendo-o identificado. Pinto da Costa telefonou logo a um indivíduo chamado Afonso, pedindo-lhe que contactasse um tal Abel de modo a evitar que fosse multado. Como o Ministério Público de Gondomar não apurou se foi levantado o respectivo auto nem conseguiu identificar o militar da GNR, o processo foi arquivado.
Cunha de Valentim a Paulo Portas
Valentim Loureiro foi apanhado em escutas a prometer cunhas para alguns amigos. Numa dessas situações, o advogado Lourenço Pinto pediu-lhe que intercedesse junto de Paulo Portas, na altura ministro da Defesa, por um alferes do exército que queria ser transferido de Santarém para o Porto. O major prometeu telefonar a Portas para ajudar um militar que era genro da juíza Joana Salinas, do Tribunal de Matosinhos. Depois de investigar o caso, o Ministério Público decidiu arquivá-lo.
Teixeira investiga tratador da relva
João Pimpão, roupeiro e tratador da relva do Gondomar foi apanhado numa escuta, em Dezembro de 2003, a informar Castro Neves, chefe do departamento de futebol do clube e vereador da câmara, de que a máquina de calcar tinha avariado. Castro Neves respondeu-lhe que não lhe tocasse: a máquina era da autarquia. O procurador Carlos Teixeira, titular do processo ‘Apito Dourado’, suspeitou do crime de peculato, mas no decurso das investigações apurou que a câmara emprestava a máquina de calcar relva a todos os clubes do município.
Árbitro Paraty pede ajuda a Valentim
No dia 7 de Março de 2004, às 23h38, o árbitro Paulo Paraty pediu a Valentim Loureiro que intercedesse junto da direcção do Montepio Geral para que a sua mulher fosse admitida para o lugar de avaliadora de imóveis, em Braga. No dia seguinte, o major ligou a Luís Guilherme, então presidente do Conselho de Arbitragem da Liga, com ligações profissionais ao Montepio, para lhe pedir o número de telefone de um dos responsáveis do banco, no Norte, Lopes da Silva. O pedido de Paraty não foi satisfeito.
Pedido para um médico
Em Junho de 2003, o, na altura, secretário de Estado da Segurança Social, Marco António, telefonou a José Luís Oliveira, vice-presidente da Câmara de Gondomar. Pediu-lhe para que intercedesse junto de Valentim Loureiro para que o médico Leandro Massada fosse colocado no Centro de Medicina Desportiva do Porto. Ouvido pela PJ, Massada confirmou o convite para director do centro, mas frisou que não chegou a ocupar o cargo.
Arquivamentos
Despacho final - 1121 folhas
Certidões - 317 folhas
Arquivamentos - 416 folhas
Acusação - 388 folhas
Números
110 arguidos
280 suspeitas
94 casos de futebol
20 casos autárquicos
13 outros casos
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