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Correio da Manhã

Desporto
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Chaíça termina em agonia

A grande esperança lusa para a Maratona dos mundiais de Helsínquia, Alberto Chaíça, não foi além do 45.º lugar da geral (depois do quarto lugar nos últimos mundiais), devido a problemas de ordem física. O português sofreu muito durante a prova e logo aos 15km já sentia fortes dores na perna direita. Ainda assim, conseguiu terminar a prova, sendo de imediato encaminhado para a enfermaria.
14 de Agosto de 2005 às 00:00
Chaíça teve de ser assistido por uma equipa médica após terminar a maratona
Chaíça teve de ser assistido por uma equipa médica após terminar a maratona FOTO: Kerim Okten/Epa
Perante esta lesão, Luís Jesus foi o melhor português na maratona ao concluir a prova, ganha pelo marroquino Jaouad Gharib, na 18.ª posição (2:16.33 horas). Entre os outros portugueses, Luís Novo concluiu na 24.ª posição, enquanto António Sousa acabou por desistir.
No final da prova, Chaíça, oitavo classificado nos Jogos Olímpicos de Atenas, estava triste com a lesão que o afastou dos primeiros lugares da classificação.
“Estava tudo a correr bem, mas a lesão começou a ‘morder-me’ aos 15 km e bloqueou-me a perna, mas nem nessa altura pensei em desistir. Aos 20 km, na subida, é que foram elas, mas vi que ia quase no tempo esperado e continuei. Sabia que outros iam dar o berro e mesmo com dores segui. Nem sei onde arranjei forças, mas desistir não faz parte de mim”, revelou o atleta que tinha recebido ‘ordens’ do seu treinador, Américo de Brito, para desistir: “Lembro-me de ver o Américo a gritar, a mandar-me parar, mas eu não o quis ouvir, fui indo a pensar na meta. Eu sou assim, sou duro, mais vale quebrar que torcer e levei a minha cruz ao calvário”.
Quanto a Luís Jesus, o melhor português, ficou um pouco desiludido por não ter alcançado o seu objectivo: ficar entre os 16 primeiros.
“Desde o começo até ao fim o 18.º foi o meu pior lugar e podia-me ter contentado com o 16.º a meio da corrida, mas fui até ao limite, à procura de mais. Mas a partir dos 10/12 km do final, custou-me muito. Parei umas dez vezes com problemas musculares, para flexões, perdendo tempo precioso. Consegui ainda assim manter o 16.º lugar até quase ao fim e era esse objectivo que perseguia. No entanto, a 600 metros da chegada não tive forças para um polaco e um italiano, que passaram por mim”, referiu o atleta português.
Com os tempos dos atletas lusos, Portugal classificou-se no sétimo lugar na Taça do Mundo da Maratona, para a qual contam o somatório dos tempos dos três melhores classificados de cada país – foi o segundo melhor da Europa, só a Espanha fez melhor que o nosso país. O Japão venceu a Taça do mundo, seguido do Quénia e da Etiópia.
Entretanto, hoje, no último dia dos mundiais de atletismo, só uma portuguesa estará em prova. Ana Dias participa na Maratona feminina.
PHILLIPS CONSEGUE O OURO NO COMPRIMENTO
Dwight Phillips é o novo campeão mundial do salto em comprimento, ele que ontem ‘voou’ para os 8,60 m, a melhor marca do ano. O norte-americano não deu qualquer hipótese à concorrência, conseguindo esta marca logo na primeira tentativa. Aliás, nas restantes cinco, os seus saltos foram nulos.
“Sei que era um dos favoritos, mas nunca pensei em conquistar o ouro logo no primeiro salto. Estou, naturalmente, satisfeito e orgulhoso pelo trabalho que fiz para preparar estes mundiais”, referiu o atleta.
No segundo lugar ficou o ganês Ignisious Gaisah, com um salto de 8.34 m. No entanto, o destaque vai mesmo para o terceiro classificado, Tommi Evilä, que ‘saltava’ em casa. O finlandês ‘voou’ até aos 8.25 m e no final estava muito satisfeito com o bronze nestes mundiais de atletismo.
“Tenho que agradecer o apoio de todos. Estou em casa e esta medalha tem um significado especial. Confesso que não estava à espera deste resultado, pelo que foi ainda melhor. Resta-me agora não defraudar ninguém nos Europeus”, afirmou o atleta finlandês.
PROGRAMA
Os campeonatos do Mundo de atletismo chegam hoje ao fim em Helsínquia, com o Estados Unidos em grande destaque no quadro de medalhas (um total de 24). Portugal, que já conseguiu o bronze por duas vezes (Susana Feitor e Rui Silva), estará representado no fecho das competições por Ana Dias (Maratona).
OS PORTUGUESES
12h20 - Ana Dias (Maratona)
OUTRAS PROVAS
16h35 - Salto em altura, Masc., Final
17h30 - 800 m, Masc., Final
17h40 - Dardo, Fem., Final
17h55- 1500 m, Fem., Final
18h20 - 5000m, Masc., Final
18h55 - Estafeta 4x400m, Fem., Final
18h40 - Estafeta 4x400m, Masc., Final
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