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Choveu muito mas Selecção foi uma seca

Portugal ficou ontem a cinco pontos da Rússia e complicou seriamente as suas pretensões de qualificação directa para o Mundial de 2014, ao empatar no Porto com a modestíssima Irlanda do Norte, numa partida disputada sob chuva intensa que confirmou os indícios de crise aguda de forma que já se tinham sentido nas partidas disputadas depois do Euro’2012.
17 de Outubro de 2012 às 01:00
Hélder Postiga, autor do golo de Portugal, em despique com Carroll, guarda--redes da Irlanda do Norte, ontem à noite no Dragão.
Hélder Postiga, autor do golo de Portugal, em despique com Carroll, guarda--redes da Irlanda do Norte, ontem à noite no Dragão. FOTO: estela silva/lusa

Se as entradas em jogo no Luxemburgo e frente ao Azerbaijão tinham sido displicentes e sem a intensidade competitiva a que obriga uma prova como o Mundial, a abordagem de ontem foi ainda pior, uma seca de oportunidades, golos e espectáculo.

Quarenta e cinco minutos oferecidos ao rival, incluindo um golo, apontado por McGinn, a passe de Lafferty, num contra--ataque simples e objectivo, mais uma vez (como em Moscovo) pelo centro da defesa.

As melhores situações de ataque foram proporcionadas por cortes atabalhoados dos defesas irlandeses, um deles, de Cathcart, contra a trave da própria baliza (36’). Portugal atacava sem centelha de imaginação e sem velocidade, insistindo até no erro de cruzar por alto para o centro da área, inclusive nas bolas paradas, onde os jogadores portugueses não tinham hipótese de bater as torres irlandesas.

Embora abdicasse do lateral--esquerdo improvisado ao intervalo, Paulo Bento ainda esperou pelos últimos 20’ para alterar a táctica da equipa, fazendo alinhar em simultâneo dois avançados e apenas três defesas.

Deste forcing, acabou por resultar o golo do empate, no único lance em que os portugueses conseguiram superioridade numérica, com a bola a sobrar para Postiga, depois de um passe de cabeça de Éder para Nani.

"Má primeira parte ditou resultado"

Paulo Bento reconheceu que o empate "foi mau" e atribui ao desfecho "uma primeira parte não conseguida" de Portugal.

Para o seleccionador, a Irlanda do Norte nunca foi um "adversário problemático do ponto de vista ofensivo, tendo obtido o golo numa transição", frisando que a equipa das quinas fez o "suficiente" para marcar mais golos: "A diferença foi muito maior, construímos um leque de oportunidades que deviam ter dado muito mais golos."

Bento adiantou, ainda, esperar que os jogos de Março, contra Israel e Azerbaijão, corram melhor. " Não vamos esgotar a possibilidade de tentar chegar ao primeiro lugar, apesar de a Rússia ter cinco pontos de avanço. Mas, para já, devemos limitar--nos a pensar que iremos ao Brasil pela via do play-off", vincou.

Confrontado com a nova oportunidade a Ruben Micael e a falta que Raul Meireles fez, afirmou: "Não podemos fazer nada em função das ausências e sim com os que cá estão . Queríamos dar uma alegria aos portugueses que estiveram no Dragão mas não foi possível."

Postiga aqueceu uma noite bem fria

Rui Patrício – Sem culpa no golo irlandês.

João Pereira – Não teve pernas para McGinn no golo da Irlanda do Norte. Acumulou falhas nos passes e nos cruzamentos.

Pepe – Bons cortes, ainda fez uma assistência para Ronaldo desperdiçar.

Bruno Alves – Deu espaço para Lafferty fazer a assistência no golo irlandês. Cruzou largo e bem para o golo de Postiga

Miguel Lopes – Abriu com um centro/remate muito perigoso. Nada mais até ser substituído.

Ruben Micael – Muito faltoso, não mostrou clarividência nas decisões e acabou substituído.

Miguel Veloso – Falhou um passe e deu origem ao golo irlandês. Melhorou na 2ª parte como lateral-esquerdo e deu profundidade.

João Moutinho – Muitos furos abaixo do real valor. Instável.

Nani – Muito individualista e pouco esclarecido. No entanto, fez uma grande assistência para Ronaldo rematar à figura e teve bons centros. Um grande remate por cima da barra, já no final.

Ronaldo – Na sua 100ª internacionalização, foi pouco feliz, apesar do esforço em dribles e remates. No mais perigoso, Carroll opôs-se muito bem.

Ruben Amorim – Entrou e transmitiu força, através de remates.

Silvestre Varela – Desta vez não foi o talismã, ou seja, não entrou para marcar, mas esteve perto.

Éder – Esteve no golo de Hélder Postiga. Mexido.

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