Medida surge após anos de pressão para a introdução de prémios financeiros no movimento olímpico.
O Comité Olímpico Internacional (COI) vai disponibilizar mais de 100 milhões de dólares (cerca de 90 milhões de euros) para financiar bolsas de apoio a atletas que participem nos Jogos Olímpicos, anunciou esta quarta-feira o organismo, em Lausana, na Suíça.
O organismo olímpico prometeu entregar até 140 milhões de dólares (cerca de 123 milhões de euros ao câmbio atual) aos atletas até aos Jogos Olímpicos Los Angeles2028, através de um fundo de bolsas de 10 mil dólares (cerca de nove milhões de euros), às quais poderão candidatar-se depois de competirem.
A medida do COI surge após anos de pressão para a introdução de prémios financeiros no movimento olímpico.
O projeto foi esta quarta-feira apresentado pelo antigo basquetebolista espanhol e membro do COI Pau Gasol, que sublinhou que o apoio "não é prémio monetário", mas sim um mecanismo de financiamento adicional para os atletas.
"Esta é uma vitória para todos nós", realçou Gasol, que representa os atletas no conselho executivo do COI, composto por 15 membros.
O antigo jogador dos Los Angeles Lakers, da Liga norte-americana de basquetebol (NBA), afirmou que o COI ouviu "uma mensagem consistente" durante a revisão da estratégia.
"Os atletas querem mais apoio direto ao longo da sua jornada olímpica e além dela", sustentou.
Gasol, três vezes medalhado olímpico por Espanha, afirmou que o pedido das bolsas será feito através de uma plataforma do COI na Internet, para apoiar os atletas durante e após as suas carreiras.
De acordo com o ex-basquetebolista, o montante aprovado será transferido para os comités olímpicos nacionais, que vão ficar responsáveis por supervisionar equipas e competidores, e estes terão de comprovar que o dinheiro foi entregue diretamente aos atletas.
Numa primeira fase, poderão candidatar-se cerca de 2.900 atletas que competiram nos recentes Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina2026, que se realizaram em fevereiro último.
Depois dos Jogos Los Angeles2028, cerca de 11 mil atletas poderão candidatar-se às bolsas, num montante total estimado de 110 milhões de dólares (cerca de 97 milhões de euros) desde que cumpram alguns critérios, entre os quais não terem qualquer controlo antidoping positivo.
A criação do fundo foi o ponto central da reunião dedicada à definição da estratégia futura sob a liderança da presidente do COI, Kirsty Coventry, que assumiu funções há um ano.
A antiga nadadora do Zimbabué, de 42 anos, cinco vezes olímpica e duas vezes campeã olímpica, é a primeira mulher a presidir ao organismo e a que mais recentemente competiu nos Jogos.
A discussão sobre apoios financeiros ganhou força após a decisão da World Athletics, liderada pelo antigo atleta britânico Sebastian Coe, de atribuir 50 mil dólares (cerca de 44 mil euros) -- aos campeões olímpicos do atletismo em Paris2024.
"Este é um momento histórico para o movimento [olímpico] e estou absolutamente encantado por estar presente neste momento em que isto foi anunciado", disse, elogiando a política de Coventry.
Em Los Angeles2028, a World Athletics está a aumentar o seu fundo de prémios para pagar também aos medalhados de prata e bronze.
O COI já financia o programa "Solidariedade Olímpica", que atribui bolsas de vários milhares de dólares a atletas de países com menos recursos que se preparam para se qualificar e competir nos Jogos Olímpicos de Verão ou de Inverno.
O orçamento deste programa -- que também cobre custos de equipas, treinadores e árbitros -- é de 650 milhões de dólares (aproximadamente 572 milhões de euros) para o ciclo olímpico de quatro anos que inclui Milão-Cortina e Los Angeles.
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