O futebol está longe de ser perfeito. A primeira parte do Sporting-V. Setúbal, por exemplo. Se o jogo fosse perfeito, assim que alguém o tratasse tão mal deveria soar um alarme, alguém entrar em campo e acordar os jogadores.<br/><br/>
Exagero? Nenhum. Apesar dos dois golos, um para cada lado, o Sporting-Vitória de Setúbal foi um aborrecimento medonho. Até parecia que nada se decidia. Mas era mentira, sabe-se. Os leões, se ganhassem, podiam resolver o enigma do segundo lugar e alimentar mais 24 horas o discurso do título. Aos sadinos, três pontos praticamente chegariam para festejar a salvação.
No entanto, eles não se moviam. Foi por isso com enorme surpresa que Liedson chegou ao 1-0. Não por ser o 31, claro, a escolha óbvia para estes momentos. Simplesmente porque nada o fazia prever. Cruzamento de Caneira, desvio infeliz de Robson, hesitação juvenil de Kieszek, o guarda--redes, e Anderson, o central. Sobrou para o 14º golo do avançado brasileiro.
O golo nada alterou. Doze minutos depois, nova erupção inesperada. Outra vez Caneira, mas desta vez fora do sítio. Leandro Lima caiu na direita, colocou em Bruno Gama. Dois portistas. Polga chegou tarde, Rui Patrício saiu sem convicção. Empate. Depois de Derlei atirar ao lado aos 43 minutos, intervalo. Alívio.
O Vitória regressou com o mesmo sistema. Três centrais, uma linha de quatro médios e três avançados. Para dar a volta a esta organização, o Sporting precisava de se movimentar mais. Seria capaz? Ligeiramente. Mas só por volta dos 60 minutos. Antes, numa bola parada, Zoro esteve perto de dar o título ao FC Porto.
A seguir Derlei criou perigo de cabeça, Ronny rematou à barra. O Sporting passou a ter mais bola. Postiga tentou animar a coisa. Mas nada. O Sporting, ao contrário do que é hábito, dormia.
Quando já ninguém esperava, Liedson inventou um golo. Como em muitas outras noites, resolveu o assunto. Afinal, quem tem este avançado até pode passar pelo sono. O segundo lugar (acesso à Champions) está resolvido. A vida dos sadinos é que nem por isso.
ANÁLISE
POSITIVO: LIEDSON, CLARO
Dois golos, foi ele que encontrou a chave para um problema difícil. Por vezes dá a sensação de que o Sporting não merece este avançado.
NEGATIVO: 'PIPI' ACOMODADO
O médio argentino esteve pouco em jogo, quando a equipa precisava da sua velocidade e da energia de outras noites. Bem substituído.
ARBITRAGEM: APITOU DEMAIS
Duarte Gomes não cometeu erros dignos de registo em jogo fácil, mas apitou faltas a mais, como de resto é o estilo da arbitragem no futebol português.
'FELIZMENTE TIVE OCASIÃO'
'A primeira parte foi muito complicada, por demérito nosso, mas também por mérito do V. Setúbal. Já a segunda parte foi totalmente diferente e no fim consegui ter uma ocasião e marcar golo', disse Liedson, após a vitória do Sporting que garantiu o acesso à Champions. Carlos Pereira, adjunto de Paulo Bento (suspenso por 12 dias), preferiu frisar 'a atitude fantástica' da equipa. 'Acreditámos sempre e o golo surgiu', acrescentou.
ABEL: “OBJECTIVO MÍNIMO CUMPRIDO”
No final do encontro, Abel afirmou que o “objectivo mínimo foi cumprido”. “Foi justo pelo que fizemos ao longo da época. A vitória de hoje foi sofrida, mas justa”, adiantou.
Em relação às várias vitórias sofridas alcançadas pela equipa esta temporada, o jogador leonino diz: “Se calhar houve algum demérito nosso. Hoje, não entrámos bem no jogo, acabámos por ser premiados no final, mas só nós quisemos ganhar.”
Para Abel, o segundo lugar assegurado pela equipa sabe a pouco. “O objectivo era o primeiro lugar”, afirma, admitindo, contudo, que “o primeiro lugar está bem entregue”.
Sobre o castigo aplicado a Paulo Bento, punido com dois jogos de suspensão, o jogador admite que se o técnico estivesse no banco “isso incentivávamos mais, mas o trabalho do treinador é principalmente feito ao longo da semana”.
JOÃO MOUTINHO: “A ESPERANÇA É A ÚLTIMA A MORRER”
Também João Moutinho é da opinião que o Sporting tinha de assegurar, pelo menos, o segundo lugar. “Agora é esperar, sabendo que é muito difícil o FC Porto perder, mas a esperança é a última a morrer”, sublinha.
Sobre o jogo com o Vitória de Setúbal, refere: “Toda a gente viu que não estivemos bem na primeira parte, mas pelo que fizemos merecemos ganhar na segunda metade”.
Em relação à sua continuidade em Alvalade, Moutinho afirma: “Não posso garantir que continuo, ninguém pode garantir isso em nenhuma profissão.”
FICHA DO JOGO
Estádio José Alvalade, em Lisboa – Assistência: 18.011
Golos: 1-0, Liedson (25’); 1-1, Bruno Gama (38’); 2-1, Liedson (90’)
SPORTING: Rui Patrício, Abel (Y. Djaló, 77’), Tonel, Polga, Caneira (Ronny, 55’), Miguel Veloso, Pereirinha, João Moutinho, Romagnoli (Hélder Postiga, 69’), Derlei e Liedson. Treinador: Paulo Bento.
VITÓRIA DE SETÚBAL: Pavel Kieszek, Janício, Zoro, Robson, Anderson, Bruno Ribeiro, Ricardo Chaves, Paulo Regula (Laionel, 82’), Bruno Gama (Leandro Branco, 72’), Leandro Lima (André Marques, 73’) e Leandro Carrijo. Treinador: Carlos Cardoso.
Árbitro: Duarte Gomes (Lisboa)
Disciplina: Cartões amarelos - Anderson (20’), Ricardo Chaves (50’), Zoro (54’), Derlei (54’) e Bruno Ribeiro (56’)
Classificação do jogo: 5
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