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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Comité Olímpico de Portugal seguirá "com rigor" regras do Internacional para evitar mulheres transgénero em LA2028

Dirigente do comité reforçou que "o desporto feminino não é um detalhe organizativo, é uma conquista histórica que permitiu às mulheres competir, vencer e inspirar gerações".

26 de março de 2026 às 19:52

O Comité Olímpico de Portugal (COP) prometeu esta quinta-feira "acompanhar com rigor" a decisão do Comité Olímpico Internacional (COI) de obrigar as mulheres a exames genéticos para participar nos Jogos Olímpicos, excluindo as atletas transgénero das competições femininas.

"O COP acompanhará a aplicação destas normas com rigor, responsabilidade e proporcionalidade, assegurando que a sua implementação respeite integralmente os princípios da confidencialidade, da proteção de dados, do apoio adequado aos atletas e do respeito pela dignidade individual", disse a secretária-geral do COP, Diana Gomes.

Em declarações à Lusa, a dirigente falava das novas regras, a aplicar já em Los Angeles2028, segundo as quais, além da exclusão de atletas transgénero, a imposição de um teste genético vai excluir também alguns competidores intersexo, mesmo que tenham nascido com características genitais femininas, como é o caso da pugilista argelina Imane Khelif, campeã olímpica em Paris2024.

"O desporto feminino não é um detalhe organizativo, é uma conquista histórica que permitiu às mulheres competir, vencer e inspirar gerações", reforçou Diana Gomes, recordando o exemplo da campeã olímpica Rosa Mota.

De acordo com a dirigente, "o desporto de alto rendimento (...) organiza-se através de categorias competitivas com o objetivo de assegurar equidade e verdade desportiva. Essas categorias existem porque o desempenho desportivo é influenciado por fatores biológicos relevantes (...) A categoria feminina existe precisamente para permitir que atletas do sexo feminino compitam em condições de justiça, reconhecendo as diferenças biológicas que, em determinadas modalidades, têm impacto mensurável no resultado competitivo e na segurança".

Nos argumentos usados para justificar as novas medidas, que não têm efeitos retroativos, o COI recordou que existem "vantagens no desempenho individual" do género masculino em modalidades "que dependem de força, potência e/ou resistência".

Apesar das novas regras, o COP não esquece que "o desporto deve continuar a evoluir como espaço de inclusão", defendendo que "todas as pessoas têm lugar no desporto, ainda que os modelos competitivos possam exigir critérios específicos para garantir justiça desportiva".

A presidente do COI, Kirsty Coventry, advertiu esta quinta-feira mesmo que "todos os atletas devem ser tratados com dignidade e respeito", pelo que "os exames médicos devem ser realizados apenas uma vez na vida".

Insistiu que é "fundamental que haja informações claras sobre o processo e que seja possível oferecer aconselhamento, além de orientação médica especializada".

O apoio do COP às diretrizes do COI não se limita à questões institucionais, mas igualmente pelo facto de o organismo entender que estas orientações "decorrem de um processo de revisão científica, médica e jurídica, e tem como finalidade proteger a integridade, a segurança e a equidade na competição de elite".

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