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“Condenação pode ser o início do fim”

Doze anos depois de o árbitro Jorge Humberto ter sido agredido na cabeça com um tijolo feito de cimento no final de um jogo de futebol em casa do Aliados de Lordelo, em Paredes, o Supremo Tribunal de Justiça condenou o clube a pagar 41 700 euros à família da vítima. A condenação pode ditar o fim do clube.

14 de Outubro de 2010 às 00:30
Decisão do Supremo Tribunal de Justiça desespera Joaquim Mota, que está preocupado com o sobrevivência do clube Aliados de Lordelo
Decisão do Supremo Tribunal de Justiça desespera Joaquim Mota, que está preocupado com o sobrevivência do clube Aliados de Lordelo FOTO: Pedro Catarino

"Esta condenação poderá ser o princípio do fim do Aliados de Lordelo." Quem o diz é o presidente da Junta de Freguesia de Lordelo e dirigente da instituição, Joaquim Mota. "Se tivermos de pagar, ficará muito complicado, senão impossível, continuar com o clube. O valor a pagar é quase metade do orçamento para a época, que é de apenas cem mil euros", refere o dirigente, preocupado.

Para Joaquim Mota, a decisão agora conhecida é "lamentável" porque, segundo defende, a morte do árbitro não se deveu ao incidente ocorrido em 1998. "A decisão é lamentável e, sobretudo, uma injustiça porque o árbitro morreu de doença e não em consequência dos ferimentos" que sofreu durante o jogo, sublinha.

Em causa está uma agressão de um adepto, no final de um jogo de futebol, a contar para a 1ª Divisão do Campeonato Distrital do Porto, entre o Aliados de Lordelo e a União Desportiva Sousense, a 9 de Maio de 1998.

Nesse jogo, Jorge Humberto foi fiscal--de-linha. Segundo o acórdão, "foi atingido na cabeça com um pedaço de cimento, ficando a sangrar, prostrado no chão, com imediata perda de consciência". O ex-árbitro, refere o acórdão, esteve em coma e acabou por morrer cinco anos depois, mas vítima de doença prolongada.

Após a sua morte, a viúva e a filha avançaram com o processo em tribunal, exigindo uma indemnização de 105 mil euros.

Depois de diversos recursos, o processo chegou ao Supremo, que fixou em 41 700 euros a indemnização a pagar pelo clube.

"É um dia negro. Volta tudo à estaca zero", resumiu o presidente.

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