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Conselho de Justiça da FPF arquiva processo a Luciano Gonçalves por falta de provas

O processo a Luciano Gonçalves surgiu de uma denúncia de Duarte Gomes, ex-Diretor Técnico Nacional de Arbitragem, após um árbitro lhe relatar informações institucionais sensíveis.

24 de julho de 2026 às 13:10

O Conselho de Justiça (CJ) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) anunciou esta sexta-feira o arquivamento, por falta de "indícios suficientes da prática de infração disciplinar", do processo de inquérito instaurado a Luciano Gonçalves, por alegadas interferências na arbitragem.

O relatório do processo, que visava uma investigação por "eventual prática de infração disciplinar" do presidente do Conselho de Arbitragem (CA) da FPF, conclui que "não foram recolhidos indícios suficientes da prática de infração disciplinar", propondo, por isso, "o arquivamento dos autos".

O inquérito incidiu, entre outras matérias, sobre alegações de que o presidente do CA teria transmitido informações sobre futuras nomeações de árbitros, bem como sobre uma mensagem enviada a um árbitro antes de um encontro da I Liga de futebol da época 2025/26.

O processo a Luciano Gonçalves foi instaurado na sequência de uma denúncia de Duarte Gomes, que depois de se demitir do cargo de Diretor Técnico Nacional de Arbitragem alegou que um árbitro tinha partilhado consigo "um conjunto de informações que, pelo seu teor e sensibilidade, suscitaram preocupações institucionais muito relevantes".

O relatório considera provado que Luciano Gonçalves enviou uma mensagem a Hélder Malheiro, mas concluiu que "não foi possível determinar, com segurança, o contexto nem o significado da mensagem", rejeitando que existam elementos suficientes para afirmar que a mesma estivesse relacionada com alegadas promessas de manutenção de Hélder Malheiro na primeira categoria.

O instrutor entende que não foi produzida prova suficiente que permita concluir que Luciano Gonçalves tenha facultado antecipadamente informação sobre a nomeação de árbitros ou que tenham existido nomeações efetuadas a pedido de qualquer clube.

Em 01 de julho, o CJ da FPF instaurou um processo de inquérito ao presidente do CA federativo, após a saída de Duarte Gomes da direção técnica da arbitragem.

O líder do CA enviou ao homólogo do CJ, Luís Verde de Sousa, uma participação disciplinar sobre os motivos alegados por Duarte Gomes para a demissão do cargo de diretor técnico de arbitragem, enquanto a FPF remeteu a situação para o Ministério Público (MP), no âmbito do Regime Jurídico da Integridade do Desporto.

Em 26 de junho passado, Duarte Gomes renunciou ao cargo de diretor técnico da arbitragem da FPF, que ocupava há um ano, e disse estar disponível para prestar todos os esclarecimentos.

Em comunicado, Duarte Gomes não detalhou a situação nem os agentes envolvidos, revelando apenas que, no final da época 2025/26, um árbitro profissional partilhou consigo "um conjunto de informações que, pelo seu teor e sensibilidade", suscitaram-lhe "preocupações institucionais muito relevantes".

Duarte Gomes afirmou ter conduzido o assunto "com reserva, neutralidade e transparência", mas, no decurso das diligências que fez, considerou que "não era possível restaurar o grau de confiança institucional que considerava essencial ao desempenho" das suas funções.

Esta polémica no setor da arbitragem da FPF, que regula as nomeações para os jogos da I e II Ligas, levou vários clubes, entre os quais Benfica, FC Porto e Sporting, a manifestarem profunda inquietação, e a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) a pedir esclarecimentos sobre a denúncia recebida pelo MP, após a saída de Duarte Gomes.

"A LPFP considera que o serviço de arbitragem da FPF é vital para a estabilidade das competições profissionais e fundamental para a credibilidade de todo o universo do futebol português. Desta forma, aguardará pelos esclarecimentos e permanecerá disponível para contribuir para a serenidade no setor, na medida em que nos encontramos a pouco mais de um mês do início das competições profissionais", referiu a entidade presidida por Reinaldo Teixeira.

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