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Correio da Manhã

Desporto
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Conversas por fora e por dentro

Jean-Michel Aulas é o presidente do Olympique de Lyon. Que bela oportunidade para estar calado perdeu o senhor Aulas quando, na segunda-feira, à chegada a Madrid, afirmou com uma certeza inepta que “Mourinho ia, de certeza absoluta, jogar para o zero-a-zero”.
19 de Março de 2011 às 00:00
Conversas por fora e por dentro
Conversas por fora e por dentro

O presidente Aulas, como se depreende, fiava-se na Virgem. O Lyon vinha de um empate a uma bola no jogo da primeira-mão com o Real Madrid e, um pouco tresloucadamente, o presidente do Lyon resolveu inventar os seus próprios “mind games” e provocar Mourinho no campo em que o português é imbatível. Ou seja, nas conversas por fora.

A razão porque Mourinho é imbatível nas tais conversas por fora explica-se facilmente. É que Mourinho é quase sempre imbatível nas conversas por “dentro das quatro linhas”. E foi precisamente o que voltou a acontecer na quarta-feira. O Real Madrid despachou o Lyon com um resultado concludente – 3-0 limpinhos – e Jean-Michel Aulas viu-se assim derrotado duas vezes pelo mesmo adversário na mesma semana: em futebol-falado e em futebol-jogado, o francês levou duas belas abadas.

Falar é fácil, convenhamos. E noutros ramos de actividade e noutras indústrias, falar é especialmente fácil porque o confronto entre a arrogância das palavras e a realidade propriamente dita jamais ocorre de forma tão transparente e objectiva como no futebol que apresenta resultado com uma regularidade semanal. Há, no entanto, que reconhecer alguma coragem – ainda que frequentemente se trate de uma coragem entre o irresponsável e o puramente pateta – aos dirigentes que se abalançam a prever o futuro sem qualquer medo de que esse mesmo futuro os venha a desmentir, mais cedo ou mais tarde.

Tomemos o caso de Bruno Carvalho, candidato a presidente do Sporting, o mais jovem de todos os inscritos na presente corrida eleitoral. Carvalho prometeu aos sócios levar para o Sporting um grupo de empresários russos com 50 milhões de euros para aplicar num fundo de renovação e de requalificação da equipa de futebol. O candidato voou até Moscovo na companhia de um grupo alargado de jornalistas que puderam comprovar que os empresários russos existem mesmo. Naturalmente que este raide de Bruno Carvalho provocou grandes mossas nas listas concorrentes, participadas por gente de perfil mais clássico e mais consentâneo com a imagem tradicional de dirigentes do Sporting.

Bruno Carvalho viu-se, assim, debaixo de um fogo cerrado dos velhos “notáveis” de Alvalade e respondeu-lhes com um descaramento atroz: “Se os 50 milhões não chegarem, arranja-se mais”, disse. É preciso coragem para se afirmar uma coisa destas. Em futebol-falado, Carvalho leva já grande vantagem sobre a concorrência. Mas, tal como Aulas, presidente do Lyon, Carvalho, provável futuro presidente do Sporting, terá de se haver a curto prazo com a realidade propriamente dita. E nesse dia se saberá se os sportinguistas elegeram um salvador ou apenas um irresponsável apatetado.

ERRAR É HUMANO

Aproxima-se o dia 1 de Abril

Na inocência dos seus 19 anos, Roderick jogou a bola com a mão dentro da sua área e o árbitro apontou para a marca de grande penalidade. E não poderia fazer outra coisa porque a lei do jogo assim manda. Com o lapso de Roderick, o Portimonense aproveitou para fazer 1-0 e obrigou um Benfica em modo de reservistas a correr mais do que estaria, certamente, à espera. No final do jogo, vagamente contrariado pelo empate cedido em casa frente aos do Algarve, Jesus, sem perder a compostura, queixou-se do lance de Roderick. “Quando é contra o Benfica os árbitros nunca têm dúvidas se é dentro ou fora da área”, disse o treinador do Benfica. E não disse mentira nenhuma.

Mas a questão até final do campeonato não vai ser essa. Vai uma aposta? Com o título entregue ao FC Porto, o Benfica não vai ter mais de se preocupar com os erros dos árbitros em seu desfavor. E não custa nada prever como o Regime vigente no futebol português se importará muito mais em beneficiar o Benfica, agora que o campeonato está perdido e lhe convém, politicamente, utilizar a demagogia de futuros e inconsequentes benefícios para “lavar” o rol de assaltos que marcaram e determinaram a carreira dos ainda campeões nacionais na Liga de 2010/2011.

Vamos todos esperar para ver. Entretanto, a Liga marcou para o dia 3 de Abril o Benfica-FC Porto do campeonato. Calha a um Domingo. Seria mais engraçado se fosse na sexta-feira anterior. Calhava a 1 de Abril, um dia cheio de significados.

POSTIVO

Gaitan resolve

O Benfica esteve longe de fazer uma exibição brilhante em Paris mas o golo marcado à meia hora por Nico Gaitan – e que bonito remate foi! – permitiu aos campeões portugueses uma gestão do tempo, do resultado e do adversário.

Hulk rápido

O FC Porto vinha de Moscovo com um resultado vitorioso mas Hulk preferiu não alimentar qualquer tipo de esperanças de reviravolta ao CSKA. Aos 40 segundos de jogo meteu a bola dentro da baliza russa e acabou logo com a discussão.

NEGATIVO

Liverpool… paciência

Nem sequer foi preciso um grande Sporting de Braga para dar cabo, em Anfield Road, das aspirações europeias de um pequeno Liverpool. Está de parabéns Domingos Paciência pela proeza de eliminar um histórico da Europa.

PÉROLA

“Queiroz foi um zero autêntico Só nos trouxe desgostos e desilusões.”, Sousa Cintra

Aproxima-se a hora das eleições no Sporting e os antigos presidentes do clube embarcam de boa vontade numa maré de reflexões sobre o passado. Por exemplo, Cintra, em entrevista ao 'Record', penaliza-se por ter despedido Bobby Robson e penaliza-se ainda mais veementemente por ter contratado Carlos Queiroz.

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