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Correio da Manhã

Desporto
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Da necessidade de um “palhaçómetro”

Ainda faltam quinze dias para o FC Porto-Benfica e o mesmo FC Porto-Benfica já dura há um mês em ocupação de um desproporcionado espaço mediático e em exclusiva ocupação mental de uma grande, enorme fatia da população do país. Entendem agora porque é que o futebol é o ópio do povo? Felizes devem sentir-se os maiorais de um país em pré-falência quando têm ao seu dispor, e sem fazer o menor esforço, um brinde tão magnífico de diversão e distracção popular.
23 de Outubro de 2010 às 00:00
Da necessidade de um “palhaçómetro”
Da necessidade de um “palhaçómetro”

O que é que interessa essa ameaça de vir o Fundo Monetário Internacional tomar conta da loja quando os depenados fregueses da mesma loja estão muito mais interessado em saber que ameaça de árbitro vai a Comissão de Arbitragem da Liga mandar para o relvado do estádio do Dragão no dia 7 de Novembro?

 

Com tantos barómetros financeiros e sociais para diagnosticar a doença geral do país, deveria, rapidamente, instituir-se não um barómetro mas um “palhaçómetro” para o futebol português. Sendo, na origem, uma modalidade desportiva, o futebol leva a vantagem de ter explicitamente vencedores e vencidos embora a verdadeira e definitiva expressão dessas glórias ou desses desastres só se conheça lá para Maio, que é quando acaba o campeonato. Até lá, como já sabemos pela força do hábito, é só falar, só falar, só falar…

 

Tomemos como exemplo o caso dos bilhetes que o Benfica não queria reservar mas, depois de pensar melhor, acabou por reservar para o tal próximo clássico no Porto. Neste momento, a 360 horas do jogo, ainda não se sabe qual dos dois campos opostos vai ficar em primeiro lugar no “palhaçómetro” da respectiva jornada. Em caso de vitória portista, a fazer uma triste figura ficarão os dirigentes do Benfica e mais os 2500 fiéis que se dispõem a ir ao Dragão apoiar os campeões nacionais. Dando-se o caso de o Benfica vencer no Porto, uma triste figura fará André Villas Boas que será acusado, pelos seus próprios fiéis, de ter desafiado os benfiquistas a comparecer no recinto e a não voltar para trás mesmo que sobre a camioneta do Vermelhão caísse uma bola de golfe ou mesmo duas bolas de matraquilhos.

 

Ocupando significativamente menos as atenções dos portugueses, têm surgido na comunicação social alguns analistas e estudiosos dos fenómenos do país a aconselhar a juventude a emigrar como outrora, na demanda de outros graus sociais e económicos. Também no futebol há um paralelo com esta situação. Veja-se o caso de Mourinho e Jesualdo Ferreira, tão azedos um com o outro quando ambos militavam em Portugal, e tão polidos e civilizados um com o outro agora que trabalham no estrangeiro.

 

Francamente, não há explicação para estas coisas. Deve ser do clima.

 

ERRAR É HUMANO

 

Isto aqui é uma Europa muito especial

 

É incrível como nem numa simples jornada de Taça, ainda sem grandes confrontos nem grandes rivalidades em despique, se consegue passar tranquilamente um fim-de-semana sem ter de ouvir falar de árbitros. Vejam só o que alegadamente aconteceu no confronto, inesperadamente equilibrado, é certo, entre o Estoril-Praia e o Sporting, dirigido pelo árbitro de Lisboa, Pedro Proença…

 

Num momento particularmente escaldante do jogo, protestava o treinador do Estoril contra os mergulhos para a piscina do regressado Liedson – a ponto dos adeptos da casa terem de gritar para o campo: “Oh, Liedson, olha que isto é o Estoril-Praia não é o Estoril-Piscina!” – quando o árbitro Proença, incomodado com tanta vozearia, resolveu expulsar o treinador do Estoril, atitude bem mais fácil do que a de expulsar o público.

 

Acontece que o treinador do Estoril é brasileiro e responde pelo nome de sabor tropical acentuado de Vinícius Eutrópio o que não é, de todo, razão para que Pedro Proença, segundo conta o próprio Eutrópio, lhe tenha dito antes de o mandar embora: “Isto aqui é a Europa, não é a bagunça do teu país!” O treinador brasileiro confessou-se “incrédulo” e, honestamente, confessou que, não sendo aquela a primeira vez na sua carreira que era expulso, todas as suas expulsões anteriores se tinham verificado “com educação”. Caro Eutrópio, tente compreender que isto aqui é uma Europa muito especial….

 

POSITIVO

Mourinho é especial

E pronto, com uma perna às costas, como diz o velho ditado, Mourinho cumpriu as primeiras três rondas da Liga dos Campeões com três vitórias que colocam o Real Madrid em descanso. E em festa, pois então!

Braga acorda

Outro resultado que não fosse a vitória frente ao Partizan de Belgrado atirava com o Sporting de Braga para uma posição deprimente tendo em vista os seus objectivos europeus. Mas Lima e Matheus deram cabo dos sérvios.

 

NEGATIVO

Benfica dorme

Depois de Gelsenkirchen, contra o Schalke, o Benfica voltou, em Lyon, a não cumprir os seus desígnios europeus. Com duas derrotas e magros 3 pontos amealhados, a Liga Europa parece já o  destino mais provável…

 

PÉROLA

 

“Vou deixar de jogar no Benfica no final da época.”, Nuno Gomes

 

No domingo, no jogo com o Arouca, Nuno Gomes entrou em campo a minutos do fim mas ainda teve tempo para fazer a “tabelinha” que permitiu a Nico Gaetan fazer o quinto golo do Benfica. Aos 34 anos, o “capitão” sente-se capaz de jogar mais noutras paragens. O seu anúncio não foi uma ameaça. Foi a constatação de um facto.

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