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Correio da Manhã

Desporto
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DAR UMA LIÇÃO DE CARÁCTER

Nem o ‘general Inverno’, que ditou o princípio do fim de Hitler na II Grande Guerra, atemoriza o FC Porto, que necessita de uma vitória hoje (17h30, RTP 1) frente ao CSKA, para seguir em frente na Liga dos Campeões, tendo também de bater o Chelsea dentro de duas semanas no estádio do Dragão – e mesmo assim está dependente dos resultados do PSG, que caso vença os dois jogos que lhe faltam apura-se, juntamente com a equipa de Mourinho.
24 de Novembro de 2004 às 00:00
Ontem, o técnico Víctor Fernández concedeu algum favoritismo ao adversário, convicto, no entanto, que os seus jogadores tudo vão fazer para não ficarem de fora da ‘Champions’.
“Eles estão em vantagem para esta partida. Jogam em casa, estão habituados ao frio e à neve, não têm lesionados e tiveram mais tempo de recuperação, pois já não jogam desde o dia 12 de Novembro. Contudo, querer é poder e o FC Porto não se rende. Há outros factores que podem desequilibrar uma partida, como uma lesão ou mesmo uma expulsão. Por isto tudo, o resultado é imprevisível”, afirmou o treinador, mais preocupado com outra situação que não o mau tempo: “É mais importante o estado do relvado do que propriamente as condições climatéricas”
O discurso de confiança era evidente por parte do treinador espanhol. Fernández afirma mesmo que a necessidade dos três pontos ajuda psicologicamente os seus pupilos.
“É um jogo de tudo ou nada. Queremos seguir em frente na competição e só nos interessa a vitória. E como esse é o único resultado que nos fará passar, isso ajuda-nos do ponto de vista psicológico”, disse, confessando depois que não estava à espera de estar nesta situação, a dois encontros do fim da fase de grupos.
“Não era esta ideia que tínhamos em mente neste momento, não esperávamos depender de ninguém nesta fase da Liga. No entanto, somos profissionais e não nos vamos lamentar por isto, nem pelo tempo. Queremos e vamos dar uma lição de carácter”, sentenciou Fernández.
Sobre o adversário, o treinador do FC Porto, não teme individualidades. Nem mesmo Vagner Love, o brasileiro que têm deliciado os adeptos russos com os seus golos. “O CSKA joga como equipa, têm jogadores de alguma valia técnica, mas não têm estrelas. Valem pelo seu todo. Destaco isso sim, a maneira como controlam a bola, mesmo desde a sua zona mais defensiva”.
Diego já teve alta médica, mas Fernández só o deverá utilizar em última instância. “O Diego tem alta médica, mas não quer dizer que esteja preparado. Não estou optimista quanto à sua utilização, creio que não esteja apto para tantos minutos de jogo e até para combater este clima”, referiu.
Já Pedro Emanuel será titular e garante que só pensa na vitória. “Temos a noção das dificuldades climatéricas. Contudo, temos o objectivo de ganhar e é só com isso que nos temos de preocupar e também com o nosso adversário que é uma equipa muito forte. Do resto, vamos tentar abstrair-nos. Temos a noção de que estamos dependentes de outros, mas temos confiança no que poderemos fazer”.
DOMINGOS GOMES: ELES GRITAVAM COM DORES
O frio de Moscovo traz à memória a célebre final de Tóquio, em 1987, ante o Peñarol. Domingos Gomes era o médico do FC Porto quando a equipa venceu a Taça Intercontinental por 2-1 após prolongamento (marcaram Gomes e Madjer) debaixo de um intenso nevão. “Foi dramático. Ao intervalo, os jogadores gritavam com dores, nem sentiam os pés e as mãos.
Tivémos de dar-lhes muitas massagens para activar a circulação. Jogámos em condições sub-humanas, mas conseguimos vencer”, conta o clínico, explicando as principais consequências do frio intenso em atletas de alta competição: “O frio provoca dificuldades de oxigenação dos músculos, o que pode provocar dores, como sucede muitas vezes com os alpinistas.
Os músculos ficam tensos e não conseguem correr como estão habituados. E claro que os jogadores podem também sentir dificuldades respiratórias”.
O antigo médico do FC Porto sublinha que a nível de alimentação não é preciso alterar os procedimentos normais (muitas calorias e hidratos de carbono), mas alerta para a necessidade de fornecer aos jogadores “bebidas quentes durante o jogo”.
Outra preocupação tem que ver com as zonas do corpo mais expostas. Na cara, Gomes aconselha a utilização de “batons para o cieiro ou vaselina”. Os ‘collants’ também são fundamentais, embora devam ser de um material que “não impeça a pele de respirar”. E quanto às luvas lembra que não podem ser de lã. “Em Tóquio, usámos luvas de lã e ainda foi pior porque os jogadores suaram muito das mãos e com o frio o suor congelou”, avisa o médico, que deixa a receita final para combater o frio: “Muitas massagens, muitas bebidas quentes, movimento constante e... que a bola entre na baliza adversária.

GRUPO H
FC Porto - Chelsea, (07/12/04)
Paris SG - CSKA Moscovo, (07/12/04)
Chelsea - Paris SG, (24/11/04)
CSKA Moscovo - FC Porto, (24/11/04)
CSKA Moscovo - Chelsea, 0-1
FC Porto - Paris SG, 0-0
Chelsea - CSKA Moscovo, 2-0
Paris SG - FC Porto, 2-0
Chelsea - FC Porto, 3-1
CSKA Moscovo - Paris SG, 2-0
FC Porto - CSKA Moscovo, 0-0
Paris SG - Chelsea, 0-3
CLASSIFICAÇÃO
1º Chelsea 12 pontos / 4 jogos (apurado)
2º CSKA 4 / 4
3º Paris SG 4 / 4
4º FC Porto 2 / 4
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