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Correio da Manhã

Desporto

Derlei falha, Miccoli salva

Dois lances excelentes de Miccoli salvaram o Benfica de empatar pela quarta vez consecutiva em casa e valeram um primeiro triunfo sobre a Naval, mas não disfarçaram a penosa via sacra de despedida de uma temporada para esquecer.
6 de Maio de 2007 às 00:00
Petit  foi o melhor jogador em campo. O médio do Benfica coroou a boa exibição com um golo
Petit foi o melhor jogador em campo. O médio do Benfica coroou a boa exibição com um golo FOTO: António Cotrim / Lusa
Com todos os outros elementos da espinha dorsal de baixa prolongada, Petit não enjeitou a responsabilidade que lhe chegou com a braçadeira de capitão. Foi o jogador mais empreendedor, esclarecido, rematador e motivado, apontando logo aos 11 minutos o golo que ajudou a sossegar ainda mais uma partida que não se afigurava muito interessante, particularmente depois de o triunfo do FC Porto ter arrumado em definitivo, para os benfiquistas, a remota questão do título.
Perante uma Naval vulgaríssima e sem grandes intenções de complicar, o Benfica foi desenvolvendo o jogo de ataque de uma forma sistemática e completamente desinspirada, com uma única excepção, que veio a resultar num golo invulgar de Petit, marcado à boca da baliza, a passe de Miccoli, justificando a colocação do italiano como ponta esquerda nesses primeiros minutos da partida, com um passe de morte desde a linha de fundo.
Até à meia hora o Benfica manteve alguma pressão sobre a grande área figueirense, com uma dezena de remates sem perigo de maior, mas a partir daí o ritmo do jogo foi fastidioso – um típico jogo de fim de estação. Algum frisson e muita irritação chegaram aos 60 minutos, com uma perdida incrível de Derlei, sem guarda-redes pela frente, malbaratando um passe excelente de Karagounis, o que lhe valeu a animosidade do público e uma substituição humilhante, que bem pode ter sido o adeus à Luz e o fim de uma experiência falhada em toda a linha.
Desfalcada do goleador Nei, a equipa da Figueira da Foz, que nunca tinha perdido com o Benfica, terá sido na primeira parte o adversário mais passivo e banal que passou este ano pela Luz, fruto de uma classificação estável e da falta de identidade decorrente de quatro trocas de treinador, mas após o intervalo foi ganhando confiança e ameaçando, ameaçando, até que obteve o empate num excelente lance de Lito, em tabela com o recém entrado Elivelton, incendiando as bancadas contra o banco de Fernando Santos.
POSITIVO: UM GESTO DE CAPITÃO
Petit fez tudo o que um capitão deve fazer e a intervenção em defesa de Derlei, no momento horrível da substituição do antigo jogador do FC Porto, foi um gesto que há muito não se via na Luz, onde nos últimos anos se tem confundido a função de capitão com a importância individual de Simão.
NEGATIVO: À IMAGEM DE DERLEI
A segunda parte do Benfica foi miserável: total desorganização, falta de combatividade e brio, um descalabro exibicional, sem força nem jeito, que devia chegar para merecer uma atitude responsável da parte do treinador. A noite foi salva por Miccoli, com o seu terceiro golo consecutivo, mas a imagem do Benfica é Derlei.
ARBITRAGEM: UM ERRO GRAVE
Jogo tranquilíssimo, sem ponta de agressividade, não podia ser mais fácil. Mas ficou um erro grave num fora-de-jogo mal assinalado a Miccoli, num lance de golo concluído por Manú. Pela primeira vez, João Vilas Boas (Braga) concluiu um jogo sem mostrar qualquer cartão.
FICHA DO JOGO
Local: Estádio Luz, em Lisboa (29 240 espectadores)
Árbitro: João Vilas Boas (Braga)
BENFICA: Quim, Nelson (Paulo Jorge 83 m), Katsouranis, David Luiz, Léo, Manú ( Mantorras 67 m), Karagounis, Petit, Rui Costa, Derlei (João Coimbra 71 m), Miccoli. Treinador: Fernando Santos
NAVAL: Taborda, Mário Sérgio, Paulão, Fernando, China, Carlitos (Delfim 29 m), Orestes, Filmar, Fajardo (Elivelton 72 m), Saulo, Lito. Treinador: Fernando Mira
Marcador: 1-0 Petit (11 m) 1-1 Lito (77 m) 2-1 Miccoli (88 m)
Melhor jogador: Petit
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