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Correio da Manhã

Desporto
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Dez anos sem prejuízo

Do conflito entre o Sporting e os árbitros derivou uma discussão nas redes sociais da internet sobre a indiferença do FC Porto, um clube que considera «heróis» o que outros destacam como "inimigos". Quando perdeu o FC Porto pela última vez na Liga por causa de erros de um árbitro?
27 de Agosto de 2011 às 00:00
A pressão dentro das quatro linhas é uma tradição portista tolerada pelos árbitros
A pressão dentro das quatro linhas é uma tradição portista tolerada pelos árbitros FOTO: Vitor Chi/Record

Felizmente para o clube de Pinto da Costa isso já não ocorre há muito tempo, mais precisamente desde a temporada de 2001-02 quando, entre um número anormal de oito derrotas, duas delas tiveram, de facto, a marca dos erros de arbitragem.

 

O curioso da situação é que os juízes envolvidos, Luís Miranda e Emanuel Câmara, pagaram os penaltis perdoados a Beira-mar e Santa Clara com o afastamento do grupo da elite da arbitragem. Falharam e foram afastados, embora Miranda estivesse já próximo do limite de idade.

 

Nas dez épocas seguintes, o FC Porto sofreu apenas 26 derrotas na Liga portuguesa e embora algumas com arbitragens negativas para os azuis, como a de Carlos Xistra com o Sporting em 2007-08, validando um golo irregular de Izmailov, não voltou a haver uma relação directa entre a arbitragem e o resultado. E a polémica mor com João Ferreira e Lucílio Baptista no jogo «do túnel» não correspondeu a prejuízos dentro das quatro linhas.

 

Seria, contudo, estulto pensar que o FC Porto não tivesse também sofrido erros de arbitragem num conjunto de mais de 300 jogos. Quando tal se verificou, porém, a equipa conseguiu superar as dificuldades e pelo menos não perder, mas foram muito mais as partidas em que os resultados positivos tiveram contributo de maus julgamentos.

DE VILÃO A HERÓI

Bruno Paixão sofreu impiedosa perseguição psicológica de entidades portistas, sendo tratado como «vilão» nos programas de televisão por causa dos erros no Campomaiorense-FC Porto (1-0) de 2000, em particular a permissividade a uma marcação sistematicamente faltosa sobre Jardel, inclusive com lances de penalti não assinalado. Foi uma noite terrível, que lhe custou uma quarentena, mas após ano e meio, voltou ao bom caminho, com 10 triunfos portistas em 13 encontros, figurando hoje entre os «heróis» de Pinto da Costa. 

1 PENALTI A CADA 16 JOGOS

Quando Rui Silva, no domingo passado, assinalou um penalti no Dragão contra os donos da casa soaram campainhas de alerta pelo inusitado da situação. Em média, o FC Porto só sofre um penalti a cada 16 partidas e raramente nas primeiras jornadas. Desde 2004, aliás, no ano do título perdido para o Benfica, que o FC Porto não era punido com uma grande penalidade das primeiras quatro jornadas da Liga.

LUÍS MIRANDA

O que fez

Num Beira-Mar-FC Porto (2-0) perdoou uma grande penalidade aos aveirenses e ainda expulsou Alenitchev no começo da 2.ª parte.

O que lhe aconteceu

Nos oito meses seguintes, até final da época, o juiz de Torres Vedras só mereceu mais três nomeações e encerrou a carreira, na maior discrição.

EMANUEL CÂMARA

O que fez

Num Santa Clara-FC Porto (2-1), deixou passar em claro um penalti (passível de cartão vermelho) de Rui Gregório sobre Hélder Postiga.

O que lhe aconteceu

A carreira na 1.ª Liga do actual comentador da RTP Madeira ficou arrumada: dois meses depois dirigia o Marítimo-Leiria, em jeito de jogo de homenagem.

O ÚLTIMO TERROR

Quando Lucílio Baptista se retirou, os portistas suspiraram de alívio. Cada nomeação dele punha em causa o comodismo da equipa por ser menos permissivo do que a generalidade dos seus pares, sem receio das consequências dos eventuais desaires azuis e brancos.

A AMEAÇA SADINA

O também setubalense João Ferreira, árbitro da última derrota, em Alvalade, talvez quebre o recorde de sete derrotas, pois com metade dos jogos tem média idêntica a Lucílio Baptista, em flagrante contraste com as dos outros juízes da actualidade.

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