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Correio da Manhã

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Dia do Senhor a triplicar

Roger Federer e Jo-Wilfried Tsonga vão medir forças pelo terceiro domingo consecutivo: depois da final do Masters 1000 de Paris e do primeiro encontro da fase de grupos no ATP World Tour Finals, decidem o título na última competição do ano no circuito profissional masculino. E o suíço joga para bater mais uns recordes.
27 de Novembro de 2011 às 00:53
Roger Federer
Roger Federer FOTO: Kerim Okten/Epa

Tratando-se de dois tenistas francófonos, expressões como ‘rendez-vous’ e déjà vu’ são quase que obrigatórias para definir o terceiro compromisso dominical consecutivo entre o suíço Roger Federer e o francês Jo-Wilfried Tsonga – que em Londres confirmaram ser os dois melhores tenistas da temporada em recinto coberto num ano dominado ao ar livre pelo sérvio Novak Djokovic.

Federer chega ao derradeiro encontro do ATP World Tour Finals (popularmente conhecido por Masters) com três títulos (Basileia, Masters 1000 de Paris e Doha). Por seu turno,Tsonga ganhou em Metz e Viena; os dois jogadores cruzaram-se no derradeiro encontro do evento parisiense há duas semanas e voltaram a entrar em rota de colisão quando o sorteio da cimeira de final de ano os colocou no mesmo grupo, tendo mesmo sido eles a protagonizar o primeiro duelo do torneio há precisamente uma semana… para agora se reencontrarem na final. O helvético ganhou em ambas as ocasiões – será que ‘não há duas sem três’, ou fará o gaulês valer o aforismo ‘à terceira é de vez’?

PUGILISTA EM PÂNICO

Jo-Wilfried Tsonga é um tenista poderoso e carismático; projecta uma imagem ainda mais imponente do que o seu 1m88 e não tem medo de ninguém – muito menos de Tomas Berdych, o mais alto tenista do torneio com o seu 1m96. «Estava muito nervoso, quase em pânico, mal ouvia o público», confessou na parte francesa da sua conferência de imprensa. «Jogadores que actuam em potência como Berdych sempre me causaram mais problemas, mas para além disso estava muito tenso. Não joguei bom ténis, mas ganhei e afinal esse é o objectivo do desporto. Vou dar tudo o que tiver na final, nem que tenha de partir os dois tornozelos – é o último encontro do ano!».

Apesar de visivelmente febril, o sósia do mais famoso pugilista de todos os tempos (Muhamed Ali) derrotou o seu opositor checo por 6-3 e 7-5 com um sétimo ás no match-point e pode inspirar-se no seu triunfo diante de Roger Federer na última ocasião em que se encontraram na capital inglesa – mas do outro lado da cidade, em Wimbledon, quando recuperou de uma desvantagem de dois sets a zero para assinar um sucesso em cinco partidas que lhe deu o acesso às meias-finais. E depois voltou a batê-lo no Masters 1000 de Montreal. No total, jogaram seis vezes no decurso de 2011, com o suíço a ganhar quatro encontros que colocam o mano-a-mano em 6-3 a seu favor.

FEDERER E OS NÚMEROS

Se a segunda meia-final entre Tsonga e Berdych, jogada em sessão nocturna, foi nervosa, a primeira também não atingiu píncaros exibicionais à tarde – mesmo que, nas bancadas completamente cheias da Arena O2, houvesse cartazes do género «E ao oitavo dia Deus criou Roger Federer» ou «Silêncio, génio em acção». O triunfo de Roger Federer sobre David Ferrer por 7-5 e 6-4 não foi particularmente brilhante, mas pelo menos valeu ao campeoníssimo suíço o acesso ao oitavo e último dia do torneio de final de época que reúne a nata do ténis mundial.

O êxito na meia-final proporcionou ainda a Roger Federer a vitória número 806 na carreira, igualando o seu ídolo de juventude Stefan Edberg – permitindo-lhe também recuperar o terceiro lugar no ranking e jogar a sua sétima final no evento popularmente designado por Masters; já ganhou por cinco vezes o troféu (2003, 2004, 2006, 2007, 2010) e cedeu in extremis numa outra ocasião (na final de 2005, perdida para David Nalbandian no tie-break do quinto set); um novo sucesso no domingo permitir-lhe-á deixar para trás os também pentacampeões Ivan Lendl e Pete Sampras. Mas não só: vale ainda um eventual título 70 na sua 100º final. Com Roger Federer, parece haver recordes e marcos históricos a serem batidos constantemente…

À DÚZIA É MELHOR…

A mais adaptada e reutilizada frase de sempre na história do ténis é a do norte-americano Vitas Gerulaitis, que ao bater o compatriota Jimmy Connors na edição do Masters relativa à época de 1979 afirmou «Ninguém ganha a Vitas Gerulaitis 17 vezes seguidas». A expressão «Ninguém ganha a… X vezes seguidas» é frequentemente utilizada por jogadores que conseguem travar uma série significativa de desaires consecutivos face a um determinado adversário; o próprio Nikolay Davydenko, há exactamente dois anos e na mesma Arena O2, ganhou pela primeira vez a Roger Federer à 13ª tentativa nas meias-finais da edição de 2009…

No embate vespertino das meias-finais de 2011, David Ferrer não conseguiu inverter a tendência e soma agora uma dúzia de derrotas face à sua besta negra. «Ele foi melhor do que eu. Talvez tenha tido as minhas hipóteses a 5-4 no primeiro set, mas fiz erros com a minha esquerda e depois ele começou a jogar melhor. Para além disso, não servi bem e fiz duplas-faltas», resumiu o tenista de Alicante, que segue para Sevilha de modo a preparar com a selecção espanhola a final da Taça Davis (que começa sexta-feira diante da Argentina).

O momento decisivo surgiu precisamente no momento mencionado pelo espanhol. A servir aos 4-5, Roger Federer cometeu muitos erros e por cinco ocasiões deixou o seu consistente adversário a apenas dois pontos do set – mas aguentou-se e alinhou cinco jogos consecutivos (entre os 4-5 e os 2-0 da segunda partida). A partir daí, com o ascendente do seu lado, limitou-se a gerir a vantagem.

SUÍÇO CENTENÁRIO

«Foi um encontro duro e foi possível constatar a razão porque o David ganhou ao Murray e ao Djokovic aqui», comentou Federer; «naquele momento do primeiro set senti-me um bocadinho frustrado, porque podia ter concluído esse 10º jogo mais depressa. Tive mesmo de executar diversos segundos serviços com vantagem nula, algo de perigoso face a um Ferrer que é um dos jogadores que melhor responde ao saque. Mas fiquei contente por não ter cometido então nenhuma dupla-falta, por não lhe ter dado pontos fáceis e por ter não só servido bem como variado bastante o jogo», admitiu, referindo também a solenidade da jornada de domingo: «Vai ser uma ocasião muito especial para mim jogar a minha 100ª final e ter hipótese de ganhar um 70º título e triunfar pela sexta vez no ATP World Tour Finals».

Sobre o seu adversário, o papa-títulos helvético referiu: «o Tsonga está muito confiante e tem jogado bem em recinto coberto, vai ser extremamente perigoso; tem um grande poder de fogo que não consigo controlar totalmente, por isso vou ter de trabalhar bem o ponto e fazê-lo mexer-se no campo. É bom que o tenha derrotado recentemente, mas trata-se de um encontro completamente diferente. Vai ser engraçado jogar outra vez num domingo com o Tsonga». No Dia do Senhor, logo se verá quem será o Senhor do Torneio dos Mestres – o arranque da cerimónia está agendado para as 17h30.

RESULTADOS COMPLETOS

Sábado, 26 de Novembro (meias-finais)

-- Roger Federer (Sui, nº4) v. David Ferrer (Esp, nº5), 7-5, 6-3

-- às 20 horas: Jo-Wilfried Tsonga (Fra, nº6) contra Tomas Berdych (Che, nº7), 6-3, 7-5

Sexta-feira, 25 de Novembro (Grupo A)

-- Janko Tipsarevic (Ser, nº9) v. Novak Djokovic (Ser, nº1), 3-6, 6-3, 6-3

-- Tomas Berdych (Che, nº7) v. David Ferrer (Esp, nº5), 3-6, 7-5, 6-1

Quinta-feira, 24 de Novembro (Grupo B):

-- Jo-Wilfried Tsonga (Fra, nº6) v. Rafael Nadal (Esp, nº2), 7-6 (7/2), 4-6 e 6-3

-- Roger Federer (Sui, nº4) v. Mardy Fish (EUA, nº8), 6-1, 3-6, 6-3

Quarta-feira, 23 de Novembro (Grupo A)

-- David Ferrer (Esp, nº5) b. Novak Djokovic (Ser, nº1), 6-3, 6-1

-- Tomas Berdych (Che, nº7) v. Janko Tipsarevic (Ser, nº9), 2-6, 6-3, 7-6 (8/6)

Terça-feira, 22 de Novembro (Grupo B):

-- Jo-Wilfried Tsonga (Fra, nº6) v. Mardy Fish (EUA, nº8), 7-6 (7/4), 6-1

-- Roger Federer (Sui, nº4) v. Rafael Nadal (Esp, nº2), 6-3, 6-0

Segunda-feira, 21 de Novembro (Grupo A):

-- David Ferrer (Esp, nº5) b. Andy Murray (Esc, nº3), 6-4, 7-6

-- Novak Djokovic (Ser, nº1) b. Tomas Berdych (Che, nº7), 3-6, 6-3, 7-6 (7/3)

Domingo, 20 de Novembro (Grupo B):

-- Roger Federer (Sui, nº4) v. Jo-Wilfried Tsonga (Fra, nº6), 6-2, 2-6, 6-4

-- Rafael Nadal (Esp, nº2) v. Mardy Fish (EUA, nº8), 6-2, 3-6 e 7-6 (7/3)

 

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