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Correio da Manhã

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DIAS DA CUNHA:EXISTE MUITO DINHEIRO SUJO

Dias da Cunha, presidente do Sporting, sublinhou todas as ideias da ex--directora da Polícia Judiciária, Maria José Morgado, quando esta revelou a existência de “dinheiros sujos no ‘mundo’ do futebol”.
28 de Dezembro de 2002 às 00:00
Em entrevista à rádio TSF, Dias da Cunha foi peremptório ao confirmar as declarações de Maria José Morgado. “Há muitos sacos azuis, há muita contabilidade criativa no futebol, há muito dinheiro sujo no futebol”, assegurando que “aquilo que a procuradora disse corresponde à verdade, mas isso não mata o futebol na sua verdadeira dimensão. Tem é de ser corrigido”.

O líder do Sporting voltou a criticar Souto Moura, procurador-geral da República, por este ter revelado que existem mais presidentes de clubes a serem investigados, além de Pimenta Machado: “As investigações nunca deveriam ter sido referidas. Não procurem esconder o sol com a peneira, não arranjem mais bodes expiatórios como foi o caso do dr. Pimenta Machado. Investiguem até ao fim, acusem quem tem de ser acusado, pronuncie quem tem de ser pronunciado, façam-se julgamentos”.

Durante a entrevista, Dias da Cunha garantiu que em Alvalade este tipo de situações não existem: “Qualquer adversário nosso sabe que do Sporting tem uma concorrência leal, não temos sacos sujos, nem sacos azuis, para comprar ninguém. Os títulos que ganhamos acontecem sem que haja favores de quem quer que seja. No Sporting estamos a fazer tudo aquilo que exigimos que venha a ser imposto a todos os outros”.

Aliás, Dias da Cunha relembrou o célebre movimento dos presidentes, numa tentativa de melhorar e credibilizar o futebol português: “Houve um esforço enorme para que o futebol desse um passo em frente. Na altura ficou conhecido pelo movimento dos presidentes, mas que acabou sabotado”.

Para Dias da Cunha não existem dúvidas que o futebol está a ser atacado “por gente que não entende o fenómeno e deixa-se levar pela análise feita no tempo da ditadura, em que se considerava que o futebol era uma espécie de circo dos tempos modernos”. “Havia Fátima e o futebol para entreter o povo e desviá-lo das coisas profundas, como a política”, frisou.

QUE PONHA OS PONTOS NOS IS

Cunha Leal, director executivo da Liga, contactado pelo CM, espera que o presidente do Sporting “ponha os pontos nos is”: “O dr. Dias da Cunha tem conhecimento de um conjunto de factos e espero que vá junto das autoridades pôr as coisas em claro, contribuindo dessa forma para a credibilização do futebol português”. Por seu lado, o presidente da Liga, Valentim Loureiro, irá tomar hoje uma posição oficial. Gilberto Madaíl, líder da FPF, alegou desconhecer a totalidade das declarações, adiando um comentário às mesmas.

LIGA TEM QUE TER CORAGEM

Pimenta Machado, presidente do Vitória de Guimarães, que foi detido e posteriormente libertado, mediante o pagamento de uma caução de um milhão de euros, devido a acusações de peculato e falsificação de documentos, disse ao CM que subscreve as palavras proferidas ontem por Dias da Cunha.

“O dr. Dias da Cunha veio dizer o que eu já tinha dito há muito tempo. O presidente do Sporting é uma pessoa séria e frontal e a sua atitude é benéfica para se apurar a verdade das coisas”, afirmou Pimenta Machado.
O presidente vimaranense acusa a Liga de Clubes de falta de coragem para pôr cobro a situações como os ‘sacos azuis’, um mecanismo que serve para os clubes fugirem ao pagamento de impostos.

“É necessário introduzir mecanismos de regulação para evitar males maiores. Como é que é possível a clubes com passivo contratar jogadores? Isto é que devia ser investigado. Um clube com passivo no final da época não pode contratar jogadores. A isso chama-se concorrência desleal. É por isso que os mecanismos de regulação são tão importantes, mas a Liga de Clubes não tem tido coragem de estudar o futebol e tomar medidas a sério. Só o poder político é que o pode fazer”, sublinhou ontem o líder vimaranense.
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