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Correio da Manhã

Desporto
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Difícil em 2018 ou 2022

O secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Laurentino Dias, disse ontem que será difícil que Portugal organize, em conjunto com a Espanha, o Mundial de 2018.
12 de Fevereiro de 2008 às 00:30
“Nas circunstâncias em que estamos é muito difícil concertar um novo desafio como um Mundial, seja ele em 2018 ou 2022”, avisou o secretário de Estado, que espera, mesmo assim, dados concretos para se pronunciar de forma mais objectiva.
“Estamos perante uma ideia do presidente da Federação Portuguesa de Futebol [Gilberto Madaíl], que está a ser pensada pelo seu homólogo espanhol [Miguel Angel Villar]”, observou Laurentino, frisando que a “decisão” deve nascer, “em primeiro lugar”, das estruturas desportivas: “Mais do que anunciar ou propor ideias, é obrigatório preparar e estudar projectos. Neste caso particular, também concertá-los entre as duas partes [Portugal e Espanha].”
O governante sublinhou, também, em declarações à agência Lusa, que avaliar neste momento uma candidatura conjunta de Portugal e Espanha à organização do Mundial 2018 em futebol é “vaguear sobre ideias” e observou que a eventual parceria entre as federações de futebol dos dois países tem de ser primeiro “pensada, projectada, estudada e calculada”, para só depois dar oportunidade aos dois governos para “apreciarem o projecto”.
“Não é frutuoso vaguear sobre ideias. Primeiro devemos trabalhá-las e só depois expô-las publicamente”, explicou o secretário de Estado, lembrando a organização do Euro’2004, que foi “uma bela experiência” que envolveu “o País e um esforço financeiro considerável”.
MADAÍL: "HÁ UM MAL-ENTENDIDO"
O presidente da Federação, Gilberto Madaíl, assegurou ontem, numa deslocação com Luiz Felipe Scolari ao Hospital de Aveiro, que o que disse acerca do Mundial 2018 “tem sido mal entendido”. “Limitei-me a expor uma ideia, que pretendia recuperar investimentos feitos para o Euro’2004 e não sou eu que vou fazer disto um drama. A ideia está aí. Se não for boa põe-se de lado”, salientou. Já o seleccionador nacional recusou fazer comentários acerca do assunto, preferindo evidenciar a acção antitabaco em que tinha participado. Pegando numa promessa feita por Madaíl – que garantiu ontem que irá deixar de fumar até à final do Euro – Scolari avança que “o presidente está a esforçar-se” e que “até já fuma bem menos”.
ÁRBITROS E TREINADORES CONFIANTES
Os presidentes da Comissão de Arbitragem da Liga, Vítor Pereira, e da Associação Nacional de Treinadores de Futebol, José Pereira, apoiaram ontem a proposta de organização do Mundial de Futebol de 2018 por Portugal e Espanha. Vítor Pereira disse que “depois de Portugal ter organizado o Euro’2004 tem todas as condições para organizar o Mundial”. Quanto à organização conjunta de Portugal e Espanha, Vítor Pereira afirma tratar-se de uma “parceria interessante”.
Já José Pereira observou que “uma pessoa com a responsabilidade de Gilberto Madaíl deve ter ponderado as responsabilidades” quando falou na organização de uma prova como o Mundial de Futebol. “Outra parte decisiva é o Governo, ao qual deve ser colocada a questão e do qual se espera uma resposta de acordo com as possibilidades que o Executivo terá de se lançar para uma organização deste género. Como treinador e desportista acho a ideia interessantíssima e contribuiria ainda mais para a melhoria do futebol” português, concluiu José Pereira.
APONTAMENTOS
CAVACO RETICENTE
Cavaco Silva está reticente quanto à possibilidade de Portugal organizar com a Espanha o Mundial de Futebol 2018. O Presidente da República defende que o País “tem outras prioridades”.
CAMACHO APOIA
“Gostaria muito. Seria um grande espectáculo. Seria bom para a Península, não há distâncias entre Espanha e Portugal”, disse José Antonio Camacho, treinador do Benfica.
ESPANHA HESITA
O presidente da Federação Espanhola, Angel Villar, disse na semana passada, em Santarém, que ainda está a pensar na ideia de Gilberto Madaíl. Mas não afastou a hipótese de a Espanha avançar sem Portugal.
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