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Correio da Manhã

Desporto
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DO FERMENTÕES ATÉ À RIBALTA MUNDIAL

Carlos Ferreira, guarda-redes de Portugal, dispensa apresentações no mundo do andebol. É um dos melhores praticantes na sua posição, num desporto que começou a praticar por mero acaso. Aos 36 anos, o guardião do FC Porto é o último obstáculo luso de uma última barreira já por si difícil de ultrapassar.
25 de Janeiro de 2003 às 00:00
Começou o Mundial da melhor maneira, mas depois assustou toda a comitiva, ao lesionar-se frente ao Qatar. Felizmente, não foi nada de mais.

Natural de Moçambique, Carlos Ferreira até começou a sua carreira no futebol, mas desleixou-se na escola e, por acaso, trocou a bola no pé pela bola na mão: "Comecei a jogar no Fermentões. Tinha excelentes jogadores e praticava um bom andebol, e só é pena que hoje já não seja assim. No entanto, comecei por jogar futebol no V. Guimarães, mas os estudos não correram bem e o meu pai, e bem, tirou-me de lá.

Depois fui por acaso para o Fermentões, uma vez que o meu professor de educação física era o treinador".

Desde bem cedo ligado ao desporto, Carlos Ferreira até nem começou no andebol como guarda-redes. "Comecei como pivô, mas era um bocadinho bruto. O meu treinador dizia que eu fazia muitas faltas e entendeu que eu devia ir para a baliza",disse.

Ao serviço da selecção nacional, mas enquanto técnico, encontra-se um dos melhores guardiões de todos os tempos. O sueco Matt Olsson, campeão do Mundo em 1990, actual treinador dos guarda-redes foi, para Carlos Ferreira, "a melhor aquisição da Federação nos últimos anos. É bom para os guarda -redes mais experientes e para os mais novos. Trouxe mais condição física e aperfeiçoou-me pequenos pormenores técnicos. Aos 36 anos não é fácil alterar o que quer que seja, mas sim melhorar algumas coisas".

Mais perto do final de carreira, pois já conta com 36 anos, Carlos Ferreira não vê, após o seu afastamento, a baliza de Portugal desamparada: "Portugal tem bons guarda-redes. Sobre o Sérgio Morgado não é preciso dizer muita coisa, está mais que vista toda a sua qualidade. Quanto ao Ricardo, é um jovem, com 22 anos, que fez uma excelente época em Setúbal e está a ser uma grande aposta".

Após a retirada, o guardião pretende manter-se ligado ao andebol, uma vez que, na sua opinião tem algo a dar e transmitir aos jovens. "Não queria treinar uma equipa, pois acho que não tenho 'pachorra' para aturar pessoas como nós, que somos uns chatos. Mas gostava de ser director, ou treinador de guarda-redes".

PORTUGAL ESTÁ MOTIVADIO

Depois do desaire frente à Islândia, no terceiro jogo deste Campeonato do Mundo, nada melhor que levantar o moral às tropas, isto quando Portugal jogar hoje (15h15) uma cartada importante no Mundial, ao defrontar a poderosa e favorita Alemanha.

Apesar do reconhecido valor do conjunto germânico, Portugal vai apresentar-se confiante, isto tendo em atenção o discurso dos jogadores e a boa disposição demonstrada no treino.

"A equipa está animada, apesar de não termos conseguido somar mais dois pontos com a Islândia. Gostei muito da atitude dos meus atletas. A Alemanha, nos últimos anos, tem conseguido melhores resultados que a Islândia, sendo uma das selecções favoritas nesta prova", avançou Garcia Cuesta, que ainda não sabe se vai poder utilizar Filipe Cruz. "Ele está muito melhor do que esperávamos. Mas vamos ter que esperar pela evolução da lesão".

O lateral direito do ABC, que efectuou uma ressonância e uma ecografia na zona do joelho direito, é a grande incógnita para hoje. "Sinto-me muito melhor. Ao contrário do que pensávamos, é só uma distensão muscular. Ainda sinto algumas dores, mas a evolução tem sido boa".
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