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Correio da Manhã

Desporto
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DOIS CLÁSSICOS PELO PREÇO DE UM

1. FC Porto: há remédio? A equipa de Victor Fernández não dá qualquer sinal de melhoria e essa é a principal preocupação para os portistas. Depois de perder sem dor em Guimarães, empatou sem explicação com o Nacional e sem glória com o PSG.
6 de Novembro de 2004 às 00:00
Apesar dos maus resultados, a equipa ataca, remata, cria oportunidades. Enfim, os números dizem que continua a construir o suficiente para ganhar. O que é pior, pois pode significar que o mal é mais profundo. Por esta altura, a reserva de confiança da época passada deverá estar gasta. O futebol da equipa começa a aborrecer, os passes saem menos certos e instalou-se a sensação de que é perfeitamente possível marcar golos ao campeão europeu.
Quer dizer, o perfeitamente é capaz de ser exagero. Até ver. O FC Porto de outros tempos adoraria um jogo como o de segunda-feira, com o Sporting, oportunidade rara para esconder debaixo do tapete o passado recente. Ainda é assim? Apetece duvidar...
2. Sporting: confirma-se? Fazem bem os que ainda não estão convencidos. O Sporting ganhou os últimos três jogos, mas dois foram com adversários frágeis e o Belenenses só foi vergado em cima da linha. Rogério dá consistência, Rochemback voltou em boa hora, Hugo Viana já se parece consigo próprio, Douala e Liedson enfim comunicam.
Mas falta ao leão um teste sério. Este jogo vem mesmo a calhar. Se Ricardo não falhar, a defesa demonstrar solidez e Peseiro resistir à tentação de puxar atrás (Carlos Martins no banco, Rogério no meio, três centrais...), o Sporting poderá bater-se com o FC Porto. À partida terá superioridade no meio e contará com a velocidade de Douala e Liedson para o resto. A melhor oportunidade dos últimos anos para ganhar ao FC Porto? É capaz de ser exagero.
3. Benfica: cuidado, frágil. Estranho fenómeno, esta equipa do Benfica. Segue na frente mas não convence. Cada partida que passa confirma a ideia do início da temporada: o banco é frágil. Pior, Trapattoni ainda não aprendeu a utilizá-lo. Resta aos benfiquistas suspirar pelo regresso de Miguel e Petit e esperar que Simão não se constipe.
4. V. Setúbal: mais seguro do que parece. A equipa de José Couceiro não é candidata a nada mais do que uma manutenção tranquila. Mas também não parece um daqueles casos em que o balão rebenta em Dezembro. A defesa é boa, o meio-campo combina a força e o rigor de Sandro e Ricardo Chaves com a potência de Manuel José e Zé Rui. Dali para a frente a magia pertence a Meyong e Jorginho. O Vitória tem armas para vencer, se estiver num daqueles dias em que é agradável sair de casa.
FIGURA: TESTE A JORGINHO
Frente a um grande, com a pressão da liderança, o jogo da Luz funcionará como teste a Jorginho, o mágico do Sado. Um dos mais admirados jogadores desta SuperLiga tem de demonstrar que está apto a entrar num grande.
NÚMERO: CINCO JOGOS EM BRANCO
As duas equipas com mais jogos sem marcar (cinco cada) têm o dedo do treinador Manuel Machado: Moreirense e Vitória de Guimarães. Pode ser coincidência, claro, mas é altura de começar a modificar uma certa imagem de admirador do futebol certinho e sem rasgo.
E OS OUTROS? O JOGO DO CENTRO
As duas equipas do centro do País, Académica e União de Leiria, encontram-se num contexto difícil para ambos. Um jogo duro em perspectiva. O empate não serve.
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