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Correio da Manhã

Desporto
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Dragão está mais longe dos oitavos

O FC Porto caiu em casa do Apoel e já não consegue disfarçar a apatia e o sub-rendimento de jogadores importantes na estratégia de Vítor Pereira. Com a derrota por 2-1, os dragões – a primeira equipa portuguesa a perder com uma formação cipriota – complicam as contas do apuramento no grupo G da Liga dos Campeões. Vencer os próximos duelos, frente ao Shakhtar e ao Zenit, poderá não ser suficiente para a qualificação.
2 de Novembro de 2011 às 01:00
Hulk não foi o ‘Incrível’ mas foi o portista que mais batalhou para chegar à vitória. Marcou o golo de penálti
Hulk não foi o ‘Incrível’ mas foi o portista que mais batalhou para chegar à vitória. Marcou o golo de penálti FOTO: Andrea Manolis/Reuters

Nem sempre um bom arranque chega para garantir um final feliz. Muito menos para uma equipa nervosa e tolhida pelos últimos resultados na Champions e pelas exibições intermitentes dos seus jogadores-chave. Hulk partiu cedo para cima dos cipriotas, Varela e Kléber também, mas as acções dos atacantes portistas revelaram-se inconsequentes na primeira parte, e o Apoel, no contragolpe, mostrou que não iria brincar. Primeiro, Aílton ameaçou, com um cabeceamento aos ferros. Depois, o brasileiro pôde concretizar a ameaça de penálti, aproveitando uma falta dura do central Mangala, já perto do intervalo.

Preocupado com a incapacidade geral da sua equipa, Vítor Pereira lançou James e Guarín para dar profundidade ao jogo do FC Porto. A equipa aumentou os ataques, sim. E correu mais do que na primeira parte, mas não conseguiu ligar bem o seu futebol, permitindo algumas saídas venenosas aos cipriotas. Assim se compreende o golo da vitória do Apoel, um minuto depois de Hulk ter transformado um penálti caído do céu – a falta de Nuno Morais sobre James deixa várias dúvidas. O Apoel só aproveitou a passadeira vermelha lançada pelos dragões: cavalgada pela direita, todos a dormir no FC Porto e Manduca só teve de empurrar para o fundo da baliza.

HULK TENTOU MAS... POUCO

Helton – Não fez uma defesa. Antes de sofrer os golos, viu uma bola embater no poste.

Fucile – No regresso à titularidade, o uruguaio foi um autêntico passador sempre que teve pela frente Manduca.

Rolando – Aílton foi uma constante dor de cabeça. Parece cometer grande penalidade sobre o avançado brasileiro do Apoel, mas o árbitro nada assinala.

Mangala – A rapidez e impetuosidade com que desarma os adversários e sai com a bola a jogar só é comparável com a ingenuidade em determinados lances, como a grande penalidade cometida sobre Charalambides.

Álvaro Pereira – Foi pelo seu lado que o FC Porto criou mais perigo no primeiro tempo. Bem a atacar, mas débil naquilo que é a sua principal missão: defender.

Fernando – Desaparecido do jogo, não conseguiu opor-se à dupla Hélio Pinto e Nuno Morais.

Belluschi – Alguns laivos de criatividade e pouco mais. Elemento a menos no meio-campo portista.

Moutinho – Tentou pegar na batuta do jogo, mas foi quase sempre inconsequente.

Varela – Procurou ser o desequilibrador no lado mais fragilizado da defesa cipriota (lateral-esquerdo Boaventura está lesionado), mas não conseguiu.

Kléber – Ajudou na perfeição à noite tranquila da dupla de centrais do Apoel.

James – Cavou o penálti que deu a igualdade ao FC Porto.

Guarín – Entrou com vontade mas só se viu em dois remates de longa distância.

Defour– Nem se viu... 

Hulk – O único que fez algo para mudar os acontecimentos. Quatro remates, três deles para as mãos de Pardo. Muitos cruzamentos inconsequentes na segunda parte. Fez o empate na transformação de uma grande penalidade.

FICHA DO JOGO

Champions - 4.ª Jornada -Grupo G - 01/11/2011

Estádio GSP, Nicósia - Assistência: 20 000 

Golos: 1-0 Aílton (42’ g.p.), 1-1 Hulk (89’ g.p.), 2-1 Manduca (90’)

Figura do jogo: Aílton, avançado, 27 anos 

APOEL

Pardo, Poursaitides, Paulo Jorge, Oliveira, Soloumou, Nuno Morais, Hélio Pinto, Charalambides, Manduca (Alexandrou 90’), Trickovski (Solari 85’), Aílton (Jahic 77’).

Suplentes não utilizados: Kissas, Jahic, Kaká, Belaid, Solari e Satsias

Treinador: Jovanovic

FC PORTO

Helton, Fucile, Rolando, Mangala, Álvaro Pereira, Fernando (Guarín 60’), Belluschi (Defour 75’), Moutinho, Hulk, Varela(James 60’), Kléber.

Suplentes não utilizados: Bracali, Otamendi, Sapunaru, Djalma 

Treinador: Vítor Pereira

Árbitro: Gianlucca Rocchi (Itália)

Disciplina: Amarelos: Varela (3’), Mangala (41’), Poursaitides (62’), Manduca (76’), Charalambides (90+2’)

"TÍNHAMOS DE USAR MAIS A CABEÇA"

Vítor Pereira mostrou-se desagradado com os jogadores após o empate: "Uma equipa com a nossa experiência tem de serenar e não se deixar levar emocionalmente pelo momento. Tínhamos de usar mais a cabeça após o 1-1."

O técnico do FC Porto admitiu que a sua equipa não esteve bem no primeiro tempo contra uma equipa "muito agressiva". "Na segunda parte, tivemos uma exibição bem conseguida. Criámos situações de golo e trabalhámos muito para virar o resultado", observou o treinador portista, que ainda assim mantém esperanças de passar à fase seguinte. "Agora somos obrigados a vencer os próximos dois jogos", concluiu.

Hulk, autor do único golo portista, assume que a passagem aos ‘oitavos’ "está difícil mas não impossível".

Sobre o seu actual momento de forma, Hulk garantiu estar a sentir-se bem, acabando, no entanto, por deixar um desabafo: "Quando não se ganha tem de se encontrar desculpas. Por isso, se tiver de assumir as minhas responsabilidades, eu assumo."

MESSI APURA BNARCELONA

O Barcelona garantiu ontem o apuramento para os ‘oitavos’ da Liga dos Campeões após a goleada na República Checa, frente ao Plzen (4-0).

Messi fez hat-trick e chegou aos 202 golos pelos catalães, em 286 jogos. O argentino é o segundo melhor marcador da história do clube, apenas atrás de César (235).

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