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Correio da Manhã

Desporto
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E desta vez foi o dedo de Jesus

O Benfica de Jorge Jesus, com a marca fortíssima de uma substituição surpreendente e decisiva, conseguiu finalmente virar um jogo em que esteve a perder e alcançou em Marselha um triunfo para a história, no final de uma exibição de primeiro nível europeu. Depois da mão de Vata, foi o dedo de Jesus a entrar na lenda benfiquista.
19 de Março de 2010 às 00:30
Maxi Pereira (esq.) ultrapassa o senegalês Mamadou Niang
Maxi Pereira (esq.) ultrapassa o senegalês Mamadou Niang FOTO: Duillaume Horcajuelo/EPA

O jovem brasileiro Alan Kardec foi lançado nos seus primeiros quatro minutos na prova europeia e, no primeiro lance, marcou com um remate de matador, dentro da área, o golo que decidiu a eliminatória. O Benfica volta aos quartos-de-final de uma prova europeia, pela 25ª vez.

Superior, largamente superior, em todos os itens do jogo, o Benfica deixou-se surpreender no primeiro ataque francês em toda a segunda parte, já com 70’ decorridos e contra a corrente. De raiva, os encarnados chegaram ao empate cinco minutos depois, com segundo golo consecutivo de Maxi Pereira nesta ronda, num remate de fora da área.

Já no primeiro tempo, a equipa portuguesa dominou amplamente, surpreendendo os marselheses com alta pressão no meio-campo e muito pouco espaço para os rápidos avançados do Marselha. Ao todo, a equipa de Deschamps fez apenas cinco remates à baliza, o adversário que menos atacou a baliza de Júlio César em seis partidas europeias esta época.

Sobretudo depois do intervalo, foram várias as oportunidades desperdiçadas, particularmente por Di María e, já perto do final, por Cardozo, isolado frente a Mandanda. Pensava-se que o prolongamento era inevitável, mas o sentido de oportunidade de Kardec pagou com juros a aposta do treinador, cujo trabalho no banco foi decisivo: primeiro retirou Saviola e estabilizou o meio-campo, depois injectou um segundo ponta-de-lança em vez de Carlos Martins. Rebuscado, mas decisivo.

ANÁLISE

POSITIVO 

Classe champions

Javi personifica a fabulosa categoria do meio-campo do Benfica, num dos seus muitos jogos bons da época, mas não falhando um minuto, numa partida do mais elevado grau de exigência. Classe de Champions.

NEGATIVO

Um erro grave

Novo erro defensivo, tal como na primeira mão, quase comprometia a exibição. São questões de pormenor, falhas de atenção em manobras colectivas, o que separa o Benfica da perfeição ambicionada pelo treinador.

ARBITRAGEM

Esloveno caseiro

Actuação inaceitável, sem critério para o jogo à mão e para os empurrões pelas costas, consoante dentro ou fora da área, a favor ou contra o Marselha. Da Eslovénia, um árbitro caseiro sem o mínimo de qualidade para jogo tão importante.

BENFICA: SUPER-MAXI NO VELÓDROME

Maxi – Brandão não lhe deu descanso, mas o uruguaio soube contornar os problemas com uma notável entrega ao jogo. Marcou o golo que valeu o empate na eliminatória mas tinha pilhas para muito mais.

Júlio César – Mero espectador na primeira parte. Muitas culpas no golo do Marselha.

Luisão – Deu a estabilidade necessária à equipa. Seguríssimo.

David Luiz – Exibição personalizada e uma maturidade que chegou a impressionar. O Velódrome rendeu-se ao seu futebol.

Fábio Coentrão – Travou interessantes duelos com Abriel e depois com Bakary Koné.

Javi García – Um autêntico muro que anulou Lucho. Enorme nas compensações.

Ramires – Em crescendo. Sofreu penálti claro (20’) de Taiwo.

Di María – O mais irreverente da equipa. Foi um autêntico quebra--cabeças para Bonnart. Teve o 2-1 nos pés mas falhou.

Carlos Martins – Fez esquecer Pablo Aimar e deixou indicações de que precisa jogar mais.

Saviola – Primeira parte muito apagada. A segunda foi ainda pior. Bem substituído aos 77 minutos por Pablo Aimar.

Cardozo – Esteve nos melhores momentos da equipa. Enviou bola à trave (24’) e falhou isolado a hipótese do 2-1.

Aimar – Foi a chave da vitória. Perfumou todo o futebol do Benfica.

Kardec – O herói improvável do Velódrome. Primeiro golo pelo Benfica e o centésimo da temporada para as águias.

Miguel Vítor – Para queimar tempo.

JORGE JESUS: "AGORA TUDO É POSSÍVEL"

"Queríamos chegar aos quartos--de-final. Agora tudo é possível, tudo está em aberto. Esta também é a vitória que queríamos para recuperar prestígio na Europa", disse Jorge Jesus no final do triunfo do Benfica (2-1) em Marselha.

O técnico dos encarnados elogiou depois a atitude que os jogadores demonstraram no Velodróme: "Tínhamos confiança de que podíamos fazer golos aqui e passar a eliminatória. Corrigimos tacticamente alguns aspectos face ao jogo da primeira mão."

"O Marselha fez um golo na sequência de um ressalto de bola. Nem sequer construiu oportunidades para isso, mas nós tivemos sempre consciência de que podíamos marcar", acrescentou.

A concluir, Jesus vincou o "mérito" da vitória das águias: "Senti que não merecíamos ir ao prolongamento e procurei a sorte que acabámos por ter."

FULHAM HUMILHA JUVENTUS DE TURIM

O Fulham venceu ontem a Juventus, por 4-1, em Inglaterra, depois de ter perdido em Itália, por 3-1, e ficou apurado para os quartos-de-final da Liga Europa. O sorteio realiza-se hoje, às 12h00, em Nyon (Suíça), na sede da UEFA.

NOTAS

LUISÃO: "FOI UMA VITÓRIA JUSTA"

"Foi uma vitória justa. Tivemos mais posse de bola e mais oportunidades. O que prevaleceu foi a garra da equipa e a consciência do que tínhamos de fazer", disse Luisão, central do Benfica

CAMPEONATO: ERIkSSON COM FÉ

"Penso que o Benfica vai ganhar o campeonato. Tem umla equipa muito forte", disse ontem Sven-Goran Eriksson. O ex-treinador realçou que Jorge Jesus "está a trabalhar muito bem"

TAÇA LATINA: MORREU JULINHO

Júlio Correia da Silva, conhecido por Julinho, marcador do golo da vitória (2-1, diante do Bordeús) que garantiu a Taça Latina (1950), faleceu ontem, vítima de doença prolongada

FICHA DE JOGO

Liga Europa

2.ª mão Oitavos - 18/03/2010

Estádio Velódrome - Assistência: 49 000

MARSELHA: Mandanda, Bonnart, Mbia, Diawara, Taiwo, Cissé, Cheyrou, Kaboré, Abriel, Koné, Ben Arfa, Lucho, Brandão, Niang

TREINADOR: Didier Deschamps

BENFICA: Júlio César, Maxi Pereira, M. Vítor, Luisão, David Luiz, Fábio Coentrão, Javi García, Ramires, Carlos Martins, Kardec, Di María, Saviola, Aimar, Cardozo

TREINADOR: Jorge Jesus 

Golos: 1-0 Niang (70’); 1-1Maxi Pereira (75’); 1-2 Kardec (90’)

Árbitro: Damir Skomina ( Eslovénia) 1

Disciplina: amarelos: Cardozo (32’), Di María (52’), Koné (55’), Luisão (81’), Taiwo (83’), Javi García (83’), Kardec (90+1’), Aimar (90+3’), Kabore (90+4’) VERMELHOS: Ben Arfa (90+2’)

Classificação do jogo: 8

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