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Correio da Manhã

Desporto
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E o tecto não se fechou…

Desejar que chova? Após mais de um século a gerir os atrasos provocados pela pluviosidade que forçaram mesmo a realização de várias finais para além da quinzena competitiva regulamentar, ao longo da primeira semana da 123ª edição de Wimbledon houve muita gente a querer que chovesse – e tudo para que finalmente fosse possível estrear o novo tecto amovível translúcido do Centre Court, que custou 30 milhões de euros…
27 de Junho de 2009 às 23:45
Andy Murray
Andy Murray FOTO: d.r.

No entanto, apesar de uma tarde nebulosa de sábado que produziu mesmo alguns pingos sobre o All England Club (enquanto chovia francamente noutras áreas de Londres), a primeira semana do torneio ficou mesmo concluída sem que qualquer encontro se desenrolasse sob o famigerado telhado cabriolet.

Por momentos pareceu que a honra iria pertencer precisamente ao herói britânico Andy Murray, mas o jovem escocês despachou rapidamente o sérvio Viktor Troicky por 6-2, 6-3, 6-4; foi mais uma prestação imperial do actual número três mundial, que teve 24 campeões olímpicos da Grã-Bretanha a vê-lo jogar no camarote real, e que está a confirmar plenamente o estatuto de segundo favorito à conquista do título logo após o inevitável Roger Federer (e na ausência do lesionado detentor do troféu Rafael Nadal).

E, apesar do duelo em cinco sets que determinou a vitória do espanhol Juan Carlos Ferrero sobre o chileno Fernando Gonzalez se ter prolongado até às 20h45, ainda havia alguma (pouca) luz natural a permitir a conclusão desse duelo hispânico – de modo que não houve qualquer transferência do Court 1 para o Centre Court, que também passou a ser equipado de luz artificial.

Nos restantes encontros masculinos do dia, funcionou a lógica do ténis sobre relva – ou seja, houve jogadores menos cotados a bater tenistas com melhor ranking mas que não conseguem impor o seu estilo nas superfícies relvadas: Nikolay Davydenko sucumbiu diante de Tomas Berdych e David Ferrer perdeu face a Radek Stepanek. Andy Roddick e Lleyton Hewitt também confirmaram as suas credenciais.

É DIFÍCIL SER MULHER…

As principais surpresas da sexta jornada surgiram no sector feminino, com as eliminações da russa Svetlana Kuznetsova (recente campeã de Roland Garros) e da sérvia Jelena Jankovic, que começou 2009 como número um mundial. Kuznetsova caiu por 6-2 e 7-5 diante de Sabine Lisicki, a jovem alemã dotada de um serviço-canhão que atingiu os quartos-de-final do Estoril Open e que tem sido uma das sensações da presente temporada; Jankovic sucumbiu por 6-7, 7-5, 6-2 diante da ainda mais jovem americana Melanie Oudin, mas esteve quase a desfalecer devido às elevadas temperaturas que se fizeram sentir ao início da tarde (quase 30 graus) e depois explicou-se: “Pensei que iria acabar no hospital… senti-me muito fraca, sem força. Tive um daqueles problemas que as mulheres têm. Às vezes é difícil ser-se mulher”, desabafou a carismática jogadora de Belgrado.

A sua compatriota e conterrânea Ana Ivanovic, no entanto, parece estar a recuperar a sua melhor forma; depois de ter enfrentado e salvo match-points na primeira ronda, apurou-se ontem para os oitavos-de-final graças a um sucesso por 7-5 e 6-2 sobre a difícil australiana Samantha Stosur. Venus Williams e Amélie Mauresmo, duas jogadoras consagradas em Wimbledon na presente década, também asseguraram o apuramento sem problemas de maior..

DIA DE DESCANSO

Uma das tradições de Wimbledon é o chamado ‘Middle Sunday’ – ou seja, o domingo de descanso a meio da quinzena, coisa que não sucede em qualquer um dos outros três torneios do Grand Slam.

A jornada de descanso implica que todos os encontros referentes aos oitavos-de-final (masculinos e femininos) sejam jogados na segunda segunda-feira da prova. Um dia em que vale mesmo a pena comprar bilhete, atendendo à relação quantidade/qualidade. Eis o acasalamento dos oitavos-de-final:

HOMENS

Roger Federer (Sui) – Robin Soderling (Sue)

Fernando Versaco (Esp) – Ivo Karlovic (Cro)

Novak Djokovic (Ser) – Dudi Sela (Isr)

Tommy Haas (Ale) – Igor Andreev (Rus)

Gilles Simon (Fra) – Juan Carlos Ferrero (Esp)

Andy Murray (GB) – Stanislas Wawrinka (Sui)

Andy Roddick (USA) – Tomas Berdych (Che)

Lleyton Hewitt (Aus) – Radek Stepanek (Che)

SENHORAS

Dinara Safina (Rus) – Amélie Mauresmo (Fra)

Carlolina Wozniacki (Din) – Sabine Lisicki (Ale)

Venus Williams (EUA) – Ana Ivanovic (Ser)

Agniszka Radwanska (Pol) – Melanie Oudin (EUA)

Virginie Razzano (Fra) – Francesca Schiavone (Ita)

Elena Dementieva (Rus) – Elena Vesnina (Rus)

Victoria Azarenka (Bie) – Nádia Petrova (Rus)

Serena Williams (EUA) – Daniela Hantuchova (Elq)

DUELOS DO DIA NOS OITAVOS-DE-FINAL

Há três encontros especialmente aguardados para segunda-feira: os embates Venus Williams-Ana Ivanovic e Dinara Safina-Amélie Mauresmo no sector feminino, e o confronto Roger Federer-Robin Soderling na vertente masculina.

Robin Soderling conseguiu há um mês aquilo que parecia impensável: derrotar o tetra-campeão Rafael Nadal na terra batida de Roland Garros. Agora terá pela frente mais uma ‘missão impossível’: bater o penta-campeão Roger Federer na relva de Wimbledon. O confronto entre o sueco e o suíço nos oitavos-de-final de segunda-feira será uma reedição da final entre ambos em Paris, tendo Federer ganho então por 6-1, 7-6 e 6-4 e, em simultâneo, conquistado o seu 14º título do Grand Slam.

O facto de Federer ter quebrado a malapata na terra batida parisiense retirou-lhe um enorme peso dos ombros – conseguiu igualar o recorde de 14 títulos do Grand Slam de Pete Sampras mas, ao contrário do norte-americano que foi o seu ídolo de infância, venceu Roland Garros e passou a ser curricularmente o melhor tenista de todos os tempos.

Desde logo o suíço afirmou que iria passar a sentir menos pressão e que iria partir mais relaxado do que nunca para uma nova etapa na sua carreira. Ou seja, está em Wimbledon no auge da confiança e mais solto do que nunca – facto que, aliado à ausência do seu arqui-rival Rafael Nadal por lesão, o torna ainda mais favorito à conquista do título na 123ª edição do mais prestigiado torneio de ténis do mundo.

Se em Roland Garros o campeoníssimo suíço pôde agradecer a Soderling o facto de ter afastado Nadal do seu caminho, não vai ser fácil medir forças com o sueco em relva: «Eu diria que ele é mais perigoso na relva do que em terra batida. Tenho-lhe ganho sempre, mas sei bem do perigo que ele representa porque ele bate na bola com muita força. Para mais, ele tomou o gosto de derrotar jogadores de topo em Roland Garros, o que o torna ainda mais perigoso…».

Federer tem já 20 meias-finais consecutivas em torneios do Grand Slam (dobrando o anterior recorde de Ivan Lendl!) e jogou seis finais consecutivas em Wimbledon (ganhando cinco e perdendo a do ano passado no quinto set com Rafael Nadal). Robin Soderling afigura-se como um duro teste.

A AMEAÇA DE ‘KING KARLO’

Na mesma secção do quadro onde pontifica Federer, está outro jogador extremamente perigoso: o gigante croata Ivo Karlovic, que do alto dos seus 2m08 alinhou a bagatela de 46 ases (o recorde mundial é dele, com 55 ases) nos quatro sets da sua vitória por 7-6, 6-7, 7-5 e 7-6 sobre o francês Jo-Wilfried Tsonga (que conseguiu 26 ases) na sexta-feira.

Ninguém quer defrontar em courts de relva um jogador com as características de Ivo ‘King Karlo’ Karlovic; o próximo freguês é o espanhol Fernando Verdasco (bateu o actual campeão do Estoril Open, Albert Montañes) e o vencedor desse embate jogará nos quartos-de-final com quem sair incólume do confronto entre Federer e Soderling.

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