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Correio da Manhã

Desporto
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É um líder mas tem coração de manteiga

Lino Costa é um pai orgulhoso pelos feitos conquistados pelo seu filho e apesar do período menos bom por que passa o FC Porto, o pai de Jorge Costa acredita que os dragões ainda vão chegar ao título: “A fé é a última coisa a morrer. Estou convencido que o FC Porto vai ter força e carácter para ganhar o jogo ao Sporting”.
19 de Março de 2005 às 00:00
É a convicção de um pai que ao longo destes anos viu o filho somar êxitos desportivos, mas que também não esquece a recente desolação vivida por Jorge Costa após o desaire com o Inter de Milão: “As vitórias são boas e as derrotas pesam-lhe muito”.
Pai de mais quatro filhos (Jorge Costa tem três irmãs e um irmão), Lino Costa acompanhou o mais novo nos primeiros passos – “normalmente era eu que lhe dava boleia e a outros colegas” –, recordando que o primeiro feito que lhe deixou nas nuvens foi “a conquista do Campeonato do Mundo Sub-20”, em Lisboa, com a vitória sobre o Brasil. Depois disso, os olhos do filho brilharam mais com “a conquista do tri-campeonato e mais recentemente a vitória na Taça UEFA”. A Liga dos Campeões ficou para segundo plano. “Já não era novo para o FC Porto e não teve a importância que teve o triunfo em Sevilha”, explica.
O pai de Jorge Costa acompanhou o filho em todos estes momentos, o mesmo não pode dizer a mãe Maria Adelaide, que na sequência de um problema cardíaco “emociona-se e denota um stress muito grande nos jogos”. Curiosamente, o papel de liderança que se reconhece a Jorge Costa começou a desenhar-se com os primeiros castigos impostos pela mãe. “Quando não lhe deixava sair à rua, era do 2.º andar que arbitrava os jogos...”, recorda Lino Costa, esclarecendo que o filho em campo “aparenta ser muito agressivo, mas isso nada tem a ver com a sua forma de estar na vida. É um líder com coração de manteiga”. Aos 69 anos, o pai de Jorge Costa não esconde o orgulho no filho acrescentando que Jorge Costa saiu da selecção “na hora certa”. A fibra do ‘capitão’ portista é algo que sempre o impressionou: “Fez cinco operações aos joelhos. Num jogo contra a Escócia, lesionou--se na 1.ª parte, mas acabou por jogar até ao fim. Dali foi para a mesa das operações.”
O CHARLTON AFASTOU-O DO DRAGÃO
Ainda hoje quando se fala da passagem de Jorge Costa pelo Charlton – após o diferendo com o então técnico do FC Porto Octávio Machado –, o pai do capitão não consegue reter as lágrimas. “Foi muito doloroso para ele e para toda a família”, recorda Lino Costa, que chegou a ter receio de que o filho abandonasse o futebol no seguimento desta polémica.
“A melhor resposta foi o seu regresso e os últimos êxitos que conseguiu com o FC Porto”, frisa, acrescentando que o defesa sempre foi um apaixonado pelo clube, pelo que lhe custou muito ver o filho “vestir outra camisola e pelas circunstâncias a que foi obrigado”.
Mesmo assim, Lino Costa não esquece que no Charlton o filho “foi admirado, respeitado e só não ficou lá porque não quis”, recordando que o clube inglês lhe ofereceu uma camisola com a assinatura de todos os jogadores e a dedicatória do treinador.
Foram seis penosos meses em que a família todos os dias falava com Jorge Costa: “Depois que foi para Inglaterra, nunca mais fui às Antas nem ao Dragão. Foi uma mágoa muito grande.”
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